Conservatório — Quinta-feira, 4 Março 2010 — 0 Comentários
Aniversário do Conservatório de Música e Artes do Dão – ENTREVISTA
A funcionar desde Setembro de 2008, o Conservatório de Música e Artes do Dão (CMAD), sedeado na Casa da Cultura da cidade de Santa Comba Dão, nasceu por acção de um conjunto de vontades expressas por pessoas que trabalhavam a Cultura, principalmente na área da música, e autorizado a ministrar cursos básicos de Acordeão, Clarinete, Flauta Transversal, Guitarra/Viola Dedilhada, Oboé, Percussão, Piano, Saxofone, Trombone, Trompa, Trompete, Tuba e Violino.
A adesão inicial de alunos ultrapassou as expectativas dos directores do CMAD, desde logo com 120 alunos matriculados, entre os 10 e os 12 anos de idade, para Cursos de Iniciação, abertos a alunos dos 3.º e 4.º anos de escolaridade, e Cursos Básicos de Instrumento, destinados a alunos do 5.º ao 9.º ano de escolaridade. Além destes cursos, foi aberto um Curso Livre, para pessoas a partir dos 13 anos de idade.
Oficialmente, foi inaugurado no dia 28 de Fevereiro de 2009 e foi precisamente na mesma data do corrente ano de 2010 que comemorou o seu primeiro aniversário. Conforme o «Farol da Nossa Terra» noticiou (ver AQUI), a comemoração revestiu-se de um acontecimento memorável, festejando de forma especial o crescimento do CMAD, que em tão pouco tempo quase triplicou a quantidade inicial de alunos, atingindo já, sensivelmente, as três centenas.
O crescimento do CMAD e a excelência do espectáculo comemorativo do aniversário são agora aqui abordados em justificada entrevista ao professor PAULO GOMES, director do Conservatório.
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FAROL (Farol da Nossa Terra) – Um ano depois da sua criação, o que se lhe oferece dizer hoje do Conservatório de Música e Artes do Dão?
PAULO GOMES – O CMAD é uma realidade conquistada com muita força e dedicação de todos que nele trabalham, de todos os que com ele colaboram e sobretudo dos alunos e famílias que contribuem, de uma forma empenhada, para o seu desenvolvimento. É uma realidade e uma mais-valia para a comunidade, uma vez que atraiu para a região profissionais altamente qualificados com todas as implicações socioeconómicas daí resultantes.
FAROL – O que esteve na base de todo esse trabalho?
PAULO GOMES – Na base esteve o sonho de longa data de pessoas que trabalham a cultura, especialmente a música, em Santa Comba Dão, e foi também resultado de iniciativa que a Câmara Municipal apadrinhou, no seguimento das actividades de enriquecimento curricular, neste caso a música.
FAROL – O que lhe apraz destacar neste ano de funcionamento do Conservatório?
PAULO GOMES – A consolidação do trabalho iniciado no ano lectivo transacto, a abertura de novos cursos, nomeadamente, acordeão, oboé, fagote, violoncelo e viola d’arco, e o início do Musical num trabalho de conjunto com o encenador António Leal.
FAROL – Tem havido apoios?
PAULO GOMES – Tem havido apoios, mas com o crescimento que se avizinha estes têm que ser reforçados.
FAROL – Quantos alunos, e de que idades, movimenta o Conservatório?
PAULO GOMES – O CMAD movimenta hoje sensivelmente 300 alunos, entre os 6 e os 50 anos.
FAROL – Qual a percentagem de sucesso desses alunos?
PAULO GOMES – O nível dos alunos é muitíssimo elevado. Cada um no seu ritmo, todos os alunos do CMAD demonstram evolução positiva neste ano de aprendizagem.
FAROL – Quantos professores trabalham no Conservatório e quais as suas especialidades?
PAULO GOMES – No CMAD trabalham 29 professores. Para além das classes de conjunto, de coro, formação musical e oficina de música, o Conservatório oferece ainda 17 especialidades de instrumento: Acordeão, Clarinete, Fagote, Flauta de Bísel e Flauta Transversal, Guitarra, Oboé, Percussão, Piano, Saxofone, Trombone, Trompa, Trompete, Tuba, Euphónio, Viola d’Arco, Violino e Violoncelo.
FAROL – O trabalho dos professores é executado exclusivamente no Conservatório ou incide também noutros estabelecimentos de ensino?
PAULO GOMES – O Conservatório funciona em paralelismo pedagógico e tem, portanto, a sua acção repartida por várias escolas em Santa Comba Dão, Carregal do Sal e Tábua.
FAROL – O ensino do Conservatório tem tido repercussão na prestação dos seus alunos noutras áreas da música, como, por exemplo, nas filarmónicas?
PAULO GOMES – Sem dúvida. O trabalho das filarmónicas em paralelo com as aulas do Conservatório tem ajudado muitos alunos na sua evolução. Com esta parceria todas as instituições beneficiam.
FAROL – Em todos os espectáculos que o Conservatório já produziu há uma adesão muito grande da população, especialmente dos pais e familiares dos alunos. Isso tem algum sabor especial para o director do Conservatório?
PAULO GOMES – Os espectáculos do Conservatório têm nos pais dos alunos uma audiência cada vez mais empolgada com o crescimento em termos de qualidade de todos os intervenientes. No entanto, a qualidade dos concertos atrai cada vez mais a população e felizmente temos salas cheias em todos os espectáculos.
FAROL – Já o vimos emocionar-se até às lágrimas nalguns espectáculos. O que é que essa emoção retrata?
PAULO GOMES – Esta emoção resulta de um sonho que se começa a realizar e ao simples facto de ver as crianças a crescer como verdadeiros artistas.
FAROL – Certamente que o espectáculo de comemoração do 1.º aniversário foi mais especial que outros. O que se pretendeu com isso?
PAULO GOMES – Queríamos que o Concerto do 1º Aniversário do Conservatório fosse memorável e sem dúvida que o foi. Depois de um ano de trabalho árduo diário de professores, alunos e funcionários, o crescimento do CMAD tinha de ser festejado de forma especial.
FAROL – O que se lhe oferece destacar desse espectáculo?
PAULO GOMES – O espectáculo não deixou ninguém indiferente. Mexeu com a sensibilidade de todos e todos mostraram o seu agrado. Para muitos foi uma verdadeira surpresa. A reacção mais comum foi de que estavam incrédulos e que não era possível estar a assistir a um espectáculo com tanta qualidade, para mais, em Santa Comba Dão.
FAROL – Como é ter a trabalhar no Conservatório um nome do teatro e do musical como o encenador António Leal?
PAULO GOMES – António Leal é, no teatro musical, talvez, o maior nome nacional, embora passasse despercebido e na sombra de outros. O seu trabalho neste Conservatório, embora ainda só com seis meses e uma vez por semana, é uma prova do que acabámos de afirmar. Pegou num conjunto de “amadores” e produziu o espectáculo brilhante que tivemos oportunidade de assistir.
FAROL – A fasquia foi colocada muito alta. O que se pode esperar, a esse nível, daqui para a frente?
PAULO GOMES – No final do ano lectivo vamos apresentar o musical completo. Esta foi apenas uma mostra de alguns quadros do que está para vir. Quanto ao futuro não me preocupo, pois quando trabalhamos com pessoas tão criativas, músicos e alunos tão brilhantes temos a certeza que irão aparecer novos projectos, também eles de muita qualidade.
FAROL – A adesão e a reacção do público que sentimento lhe causaram?
PAULO GOMES – A adesão do público foi enorme, duas salas completamente esgotadas, com muito público em pé e ainda muitas pessoas que não puderam assistir porque já não conseguiram bilhete. A sua reacção foi de um enorme entusiasmo, bem visível nos seus aplausos. Não pudemos deixar ficar satisfeitos e motivados para continuar o nosso projecto.
FAROL – O Conservatório apresentou um Coro, um Quarteto de Saxofones, um Ensemble de Clarinetes e uma Orquestra de Violinos. São grupos criados ocasionalmente, ou são valências que o Conservatório pretende instituir com actividade contínua?
PAULO GOMES – Todos são já valências do Conservatório. E existem outros, como a Orquestra de Cordas e a Orquestra de Sopros, que no Concerto de Natal já tinham demonstrado a sua qualidade.
FAROL – Há perspectivas de esses grupos actuarem noutros palcos, em representação do Conservatório?
PAULO GOMES – Sim. Por exemplo este ano, englobado no projecto MIMA 2010, já foram actuar com o Coro no Centenário da República e vão actuar na Figueira da Foz, a 15 de Maio, o Quarteto de Saxofones e a Orquestra de Sopros. Estes grupos vão concorrer também aos “Dias da Música” no Centro Cultural de Belém.
FAROL – Ao fim de um ano, era este o patamar que queria que o Conservatório atingisse ou as expectativas eram outras?
PAULO GOMES – Há ainda um longo percurso a realizar. No entanto, o nível atingido, além de satisfazer as nossas expectativas, faz prever um bom futuro para o CMAD.
FAROL – Tendo em conta a evolução do Conservatório, a Casa da Cultura continua a corresponder às suas necessidades, em termos de instalações?
PAULO GOMES – O Conservatório cresceu muito em termos de número de alunos e actividades disponibilizadas, pelo que é cada vez mais complicada a gestão do espaço.
FAROL – Como vê ou como quer que seja o futuro do Conservatório?
PAULO GOMES – O nosso objectivo é formar, quer em termos musicais quer em termos de formação geral dos alunos. Preparar para a vida e proporcionar um crescimento mais harmonioso e feliz.
Entrevista conduzida por Lino Dias
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