Farol da Nossa Terra – Antigos combatentes do Ultramar conviveram em Carregal do Sal
segunda-feira, 27 fevereiro 2017

Convívios — Segunda-feira, 9 Junho 2008 — 13 Comentários

Antigos combatentes do Ultramar conviveram em Carregal do Sal

Imagem 002.jpgEx-combatentes da Companhia da C.S.S. do Batalhão 3847 (Os Ases) que nos anos de 1971 a 1973 cumpriram serviço militar em Cazombo, no Leste de Angola, concentraram-se em Carregal do Sal no sábado, dia 7, para mais um convívio anual.
Apesar de praticarem esta confraternização desde o regresso do Ultramar, ininterruptamente durante mais de 30 anos, só agora chegou a vez de ser realizada em Carregal do Sal, mediante a rotatividade que tem sido dada à organização do convívio, cuja responsabilidade recaiu este ano em dois ex-combatentes do próprio concelho: José Manuel Reis (ex-1.º cabo corneteiro), de Oliveira do Conde, e Jorge Mano (ex-alferes “Ferrugem”), de Fiais da Telha, residente em S. João de Areias.
O complexo de Enoturismo da Quinta de Cabriz foi o local onde decorreu a concentração, principiada pouco depois do meio-dia com a distribuição dos crachás de identificação aos ex-militares e de ramos de flores às senhoras que os acompanhavam. Após a habitual foto de grupo, seguiu-se uma cerimónia de bênção e oração pelos camaradas falecidos, que o pároco José António Almeida solenizou em emotivas e apreciadas palavras, nas quais pôs também em destaque o serviço prestado à Pátria e a intensidade anímica e amigável com que estes ex-combatentes continuam a juntar-se.
Os 55 participantes no convívio, incluindo aquele sacerdote e o arqueólogo Evaristo Pinto, presente na qualidade de director do Museu Municipal, foram depois convidados a descer até à cave da Adega Dão Sul, do referido complexo de Enoturismo, para os aperitivos de entrada do almoço. Vindo a marcar cada passo do programa a toque de clarim, não tardou que o “corneteiro” José Manuel Reis desse ordem para a subida até à sala onde o almoço foi servido. Distribuídos por oito mesas redondas, tiveram os mesmos ali oportunidade de apreciar a gastronomia e os vinhos da Quinta de Cabriz, renovando ao mesmo tempo manifestações de peculiar familiaridade e de salutar convivência, enquanto também se recordavam alguns episódios vividos no Ultramar.
No entanto, a saudade e alguma revolta eram igualmente sentidas. “Encaro estes convívios com uma tristeza tremenda, porque estão a desaparecer os verdadeiros patriotas, que deram a vida por nada, enquanto os novos militares vão à Bósnia e a outros lados para ganhar algum e dar melhor nível de vida às famílias e força aos políticos que nunca foram militares“, lamentou Jorge Fontes, médico em Coimbra, ex-tenente e antigo militar de maior patente neste convívio, perante opinião que o «Farol da Nossa Terra» lhe solicitou. “O que me chateia é que ninguém se revolta, andam todos de cócoras, aquilo que os políticos dizem é que é verdade, quando nem português sabem e não se manifestam contra o acordo ortográfico. Portugal não é um país de meia dúzia de anos de existência, Portugal hoje não é um país de 800 anos, e é face a isso que nós encaramos estes convívios com verdadeiro patriotismo, porque traduzem a saudade do país que tínhamos e não temos, daquilo que eu era e já não sou“, acrescentou.
Tornando ainda mais alegre um convívio que durou cerca de sete horas, o Grupo de Cantares do Centro Social e Paroquial de São João de Areias juntou-lhe a alegria do seu reportório de cariz popular, colhendo agrado geral e fazendo até com que alguns pares de dança surgissem espontaneamente.
Num intervalo da actuação daquele grupo, procedeu-se ao sorteio de dez prémios, uma iniciativa que a organização deste convívio pôs em prática pela primeira vez, e nomeou-se a comissão que organizará o convívio do próximo ano, ficando combinado que terá lugar em Fátima. Foi ainda altura aproveitada pelo director do Museu Municipal para fazer entrega, em nome da autarquia, de um saco com publicações respeitantes aos roteiros arqueológicos do concelho.
Por fim, já em tempo de lanche, houve lugar a uma prova de queijos, proporcionada pela Quinta da Lagoa, de Vale de Madeiros (Nelas). Aproximando-se a hora de transmissão do jogo de estreia de selecção portuguesa no Euro 2008, foi o convívio encerrado cerca das 19 horas. Enquanto a maioria regressou a suas casas, uma dúzia de ex-militares pernoitou em Carregal do Sal para, ontem, dar continuidade ao convívio.
Quando levamos o nosso convívio a qualquer terra, não o fazemos só pelo almoço, é também com o espírito de conhecermos cada terra e visitar o próprio concelho“, disse de Jorge Mano ao «Farol da Nossa Terra». Assim aconteceu com os que optaram por ficar mais algum tempo em Carregal do Sal. Durante a manhã, visitaram o Museu Municipal, a Orca de Fiais da Telha e o Túmulo de Fernão Góis (Igreja de Oliveira do Conde). Indo almoçar ao restaurante da aldeia medieval de Póvoa Dão, passaram por Vale de Madeiros, onde foram obsequiados pela Quinta da Lagoa com nova prova de queijos.
No regresso a suas casas, fizeram questão de passar por Cabanas de Viriato, tendo como referência a casa onde viveu Aristides de Sousa Mendes. O estado ruinoso e de abandono daquele edifício foi a nota mais negativa que levaram do concelho e que, de alguma forma, os fez partir entristecidos após terem andado maravilhados com o que demais lhes tinha sido dado apreciar.
Imagem 001.jpgImagem 004.jpgImagem 011.jpgImagem 012.jpgImagem 013.jpgImagem 018.jpgLino Dias

13 Comentários

  1. Antonio Manuel Silva santos-transm. diz:

    Foi com grande alegria e emoçao que vi esta noticia.Orgulho-me de ter servido no Bat.3847 “connosco ninguem se mete” na CCS com grandes amigos,entre outros,na Lumbala e no Kavumgo.Nunca mais tive qualquer contacto,a vida assim o decretou;foi preciso ter agora aderido as novas tecnologias para ter noticias,enfim,mas como é sabido os amigos sao como as estrelas,embora nao as vejamos elas estao la. Um grande abraço para todos vos.

  2. Cazombo 73/75 diz:

    Pois! é com apreço que lemos, ou temos conhecimento destes eventos de encontros de ex-militares, que de uma forma muito especial. ( A maior parte meninos roubados ao seu seio familiar) que estiveram em situação de guerra por periodos de 2 ou mais anos, e de que maneira, que deu origem a amizades, que tem a sua manifestação, como hoje vemos nos convivios que se realizam por todo o país e de uma forma regular, enquanto ainda vamos existindo.
    Assina David Justino 1º Cabo Condutor do Batalhão se Caçadores CCS 4212 que vos rendeu em 1973. No Cazombo até Março de 197.
    Só me lembro de um nome dos vossos. O”Madeira de Setubal”.
    Um Abraço

  3. adelino borges diz:

    Fui dos primeiros a partir,Conheci muitos dos perigosos centros onde ao tempo eram nossos inimigos,aqueles que nos atacavam.desde 1961-1963,por lá passei,sendo o meu batalhão o 185.Não me vou agora referir a qualquer situação passada,porque muito teria para contar,mas ,não posso ficar indiferente quando me apercebo destes importantes convívios.
    Eles fazem parte da história de cada um de nós,que por lá passou,e como aqui é advertido;hoje são bem pagos os militares,mas ontem não era assim.Mas queria apenas fazer um pequeno comentário,é que da minha parte o serviço militar acabou em Dezembro de 1960,em Coimbra,mas ,após os primeiros acontecimentos em Angola,logo em abril seria mobilizado ,para de novo servir a Pátria.(foram cinco anos de envolvimento ao serviço Militar),mas ,obrigado.Hoje é diferente,como o é o esquecimento geral ,se por acaso não se dessem estes convívios…
    Tenho muita pena nunca saber onde param os meus antigos colegas, e quantos estão lendo este meu comentário,porque já tentei várias vezes e nunca tive qualquer sinal.
    Assim ,meus amigos eu espero que se continuem a encontrar por muitos anos.
    Adelino Borges

  4. Jorge F.C.Costa diz:

    Camaradas também cumpri o serviço militar no cazombo era cond. auto integrado no PA/D 2279 de out. 70 a set.72 o nosso comandante era o TEN. CARVALHO recordo-me perfeitamente do ALF. MANO , do FUR. TEOPISTO , os quais tinham bastante contacto no pa/d devido ás reparações das viaturas, assim como o pedido de sobressalentes, também me lembro do TEN. MOURATO, encarregado das obras no quartel pessoa que mais tarde conheci na LISNAVE como chefe de serviço ,onde trabalhei trinta anos ,assim como o FUR. TEOPISTO meu ex .companheiro de secção.
    UM ABRAÇO DO COSTA

  5. avelino teixeira diz:

    tambem estive no cazombo de maio de 68 a junho de
    .69 era o 1º cabo mecanico auto da c. transportes 2347
    teixeira

  6. Leonel de Almeida Ferreira diz:

    Estive em Calunda, Macondo e Lòvua em 65, 66, e 67, todos os anos se faz um convivio.
    Para aqueles que nunca tiveram contacto com os antigos colegas é o ex Furriel de transmissões Costa Alves da comp. 1450 que organiza o dito convivio aqui fica o convite para
    aqueles que por acaso ainda não estão ao corrente. o Costa Alves està estabelecido em Leiria
    no Largo Paio Guterres,
    Saudações para todos do BAT CAV. 1863
    Ex cabo Radio Ferreira

  7. jose figueiras diz:

    Ex Furriel mil estive no leste de angola,mais própriamente no Jimbe e em Caianda em 1974/75,mais tarde em Dala e Massibe ,pertenci á C.Caç. 5044/73,gostava de ter a direcção de alguns camaradas de armas ,nomeadamente Alferes Carlos Alberto A.Carvalho, furriel Castro e furriel A.Siva Moura,sei que deve haver fotos tanto do Jimbe ,Caianda Cavungo,Lombala etc gostava de saber o saite das mesnas.

  8. LUIS PELICA diz:

    ESTIVE NO PAD 9772/ 72 NO CAZOMBO QUE ERA COMANDADO PELO TENENTE
    SALAZAR EM 73 E 74 ERA BATE CHAPA O OUTRO BATE CHAPA ERA DO PORTO CHAMAVA:SE BELMIRO ERA O CHAPA ONDE PERTENÇIA O SEBASTIÃO QUE JOGAVA FUTEBOL NO MOXICO ONDE FOI CAMPEAO DE ANGOLA LEMBROME DE MAIS ALGUNS COLEGAS MAS NAÕ DO NOME GOSTAVA DE TER CONTACTO COM VOCES GRANDE ABRAÇO

  9. Américo Pedro diz:

    Cazombeiros,sou o ex.Fur. Pedro que esteve no PA/D 2279,gostaria de manter contacto com companheiros desse tempo

  10. Américo Pedro diz:

    O meu contacto é,americo.pedro.9/facebook.

  11. Jorge Pina diz:

    Gostaria de contactar o Armindo Lopes, 1º cabo mecânico, pertencente à CCS do BCAÇ 3847 em Cazombo/Angola entre 1971 e 1973. Natural da zona de Leiria, este camarada e amigo passou à disponibilidade em Angola. Confesso-me antecipadamente grato a alguém que me dê informações sobre este amigo.

  12. Calçada 1.cabo electricista diz:

    Amigos e camaradas do (p.a.d.) 2279 1970-1972. Gostava de contactar c. Alguém do nosso pelotão para assim podermos confraternizar, o meu número t.m. 962590699. Obrigado e um abraço a todos.

  13. Aurelio sobreira diz:

    Tambem estive em CAZOMBO fiz parte do P A D 1148 o primeiro que ali se instalou no ano de 1966/68 tendo construido todos os edificios . Como e de calcular não foi facil. Tambem tinhamos a responsabilidade de selarmos as urnas de chumbo dos camaradas falecidos. felicidades

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