Segunda, 21 Mai 2012

Obras — Sábado, 8 Maio 2010 — 3 Comentários

Secretário de Estado das Obras Públicas presidiu as cerimónias de inauguração da ER 230 Tondela – Carregal do Sal

Imagem 001.jpgDecorreu praticamente meio ano, depois da sua abertura ao trânsito em 19 de Novembro de 2009, até que a Estrada Regional 230 Tondela – Carregal do Sal fosse inaugurada com pompa e circunstância, o que se concretizou ontem, 7 de Maio, em cerimónias presididas pelo secretário de estado adjunto das Obras Públicas e das Comunicações, Paulo Campos.

O programa foi iniciado com uma sessão solene alusiva ao acto, no salão nobre dos Paços do Concelho de Carregal do Sal, incluindo a apresentação e lançamento do livro «A Estrada 230 Tondela – Carregal do Sal: História Fascinante Dum Sonho de Gerações», da autoria de Hermínio Cunha Marques.

Além do secretário de estado e do autor do livro, tomaram lugar na mesa de honra os presidentes das câmaras municipais de Carregal do Sal, Atílio Nunes, de Santa Comba Dão, João Lourenço, e de Tondela, Carlos Marta, e o vice-presidente da empresa Estradas de Portugal, Eduardo Gomes. Entre uma assistência de cerca da centena de presenças, destacavam-se o governador civil do distrito de Viseu, Miguel Ginestal, o deputado da Assembleia da República João Carlos Figueiredo, o presidente da Câmara Municipal de Tábua, Ivo Portela, o comandante do Destacamento Territorial da GNR de Santa Comba Dão, Fernando Colaço, o comandante do Posto da GNR de Carregal do Sal, Liodoro Rodrigues, vereadores, membros de assembleias municipais, presidentes de junta de freguesia, directores escolares, dirigentes associativos e empresários, entre outros convidados.

“Foi com grande entusiasmo, misto de certa emoção que levei em frente este modesto trabalho que mais não é que um memorial das legítimas aspirações e da consequente luta travada ao longo de 147 anos”, afirmou Hermínio Cunha Marques, primeiro a usar da palavra, acerca do seu livro. Com um discurso incisivo e circunstancialmente marcante, falou dos anseios e esperanças, dos avanços e recuos, da realidade e das insatisfações, sublinhando: “Há na história desta Estrada, agora tornada uma realidade, algo que nos choca, mas também que nos fascina”.

Falando em representação dos três autarcas dos concelhos atravessados pela ER 230, o presidente da Câmara de Carregal do Sal agradeceu a maneira como o secretário de estado acompanhou a obra e referiu-a como um “marco muito grande” nas aspirações dos povos que ambicionavam que o sonho se tornasse realidade. Agradeceu, então, o empenho do governo, das autarquias e dos “empresários que deram uma mãozinha”, e afirmou: “Depois de 20 anos de autarca, de 70 anos de idade, para mim este é um dia memorável, porque lutámos muito, e se alguma coisa agradável deixa marca é a estrada”. Após referir-se à mais-valia que a estrada representa não só para os concelhos de Carregal do Sal, Santa Comba Dão e Tondela, mas também para toda a Beira Interior, manifestou a esperança de que também a ligação entre Carregal do Sal e Oliveira do Hospital será melhorada. “Faça por essa ligação o mesmo que fez pela estrada Tondela – Carregal do Sal, de forma a que se possa ligar a serra do Caramulo à serra da Estrela, para bem de todos e do turismo desta região!” – pediu Atílio Nunes a Paulo Campos.

“Tínhamos uma promessa para cumprir e hoje estou aqui para registar que foi cumprida essa promessa”, declarou o secretário de estado, em relação à importância da sua presença, acrescentando que “este investimento está a traduzir-se em desenvolvimento económico dos municípios beneficiados e em bem-estar e conforto das pessoas”, e que é “mais uma aposta conseguida no distrito de Viseu”. Para Paulo Campos, “este investimento preenche todas as características daquilo que o governo anda a fazer no Interior do país, nos distritos com maiores taxas de sinistralidade”, avançando então para algumas considerações acerca dessa aposta do governo. Depois de agradecer “a quem contribuiu para que esta obra fosse mais uma realidade”, advertiu que cabe às autarquias rentabilizá-la.

Após agradecer a Hermínio Cunha Marques “a história da obra” e elogiar a forma como ela “consagra bem as aspirações desta gente”, o secretário de estado dirigiu um desafio ao autarca carregalense no sentido de não se poupar na divulgação do livro e de fazer envio do mesmo “aos deputados, às televisões e aos jornalistas que dizem que as obras de estradas não se justificam e a todos aqueles que criticam o governo por as fazer”.

No fim da sessão, Atílio Nunes presenteou Paulo Campos com dois castiçais da arte sacra produzida no concelho e Hermínio Cunha Marques com uma caneta. À saída do salão todos receberam um exemplar do livro, que o autor ia rubricando a quem o solicitava.

Seguiu-se o descerramento das respectivas placas, primeiro a de Carregal e depois a de Tondela, ambas à entrada da estrada. O programa foi concluído com uma viagem, em caravana de automóveis, pela ER 230 e regresso.

Não tendo feito uso da palavra, impunha-se saber a opinião dos autarcas de Santa Comba Dão e Tondela acerca da importância desta estrada. João Lourenço disse ao «Farol da Nossa Terra»: “As acessibilidades, obviamente, são sempre importantes e então esta estrada acaba, ao fim e ao cabo, por permitir que Nagosela tenha uma saída digna para os outros concelhos e até, inclusivamente, para Santa Comba, porque até aqui Nagosela tinha uma estrada de saída, depois havia uma estrada com fracas condições, por Vila Nova da Rainha, para o concelho de Tondela, e agora não, agora tem uma estrada digna”. Adiantou, no entanto, que há ainda alguns problemas para resolver relativamente a Nagosela, que têm a ver com acessibilidades internas. “São questões que têm de ser resolvidas, porque, realmente, a população vive muito da agricultura e da pastorícia e existem ali alguns problemas”, esclareceu. Segundo referiu, esses problemas estão a ser tratados com a empresa Estradas de Portugal, rematando: “Esperamos que quando isto estiver resolvido, então sim, a estrada seja uma mais-valia para Nagosela”.

Carlos Marta disse: “É uma conquista importante, sobretudo das três autarquias, sobretudo dos autarcas, das populações, e é, de facto, uma estrada que é necessária, desejada, reivindicada, que veio, naturalmente, trazer progresso, desenvolvimento e uma grande aproximação entre estes três concelhos e entre a Serra da Estrela a do Caramulo. Com estes problemas económicos que têm surgido, ainda bem que se fez estrada, porque a crise económica e financeira que o país atravessa vai, naturalmente, criar muitas dificuldades para futuros investimentos. Portanto, julgo que foi no tempo certo que os autarcas, sobretudo de Carregal e Tondela, conseguiram este importante investimento”.

Durante o discurso do secretário de estado percebeu-se que algo desagradou ao autarca tondelense. Questionado a esse respeito, Carlos Marta confirmou: “Claro, acho que o Secretário de Estado foi indelicado no seu discurso, na sua intervenção, não é um discurso de um membro do governo, e o desafio que lhe deixo é ele próprio levar o livro e entregá-lo ao Dr. Vítor Constâncio”. Solicitado a esclarecer este recado, acrescentou: “É que o Dr. Vítor Constâncio era defensor das grandes obras públicas e agora, segundo notícias recentes, também já tem dúvidas. Portanto, acho que todos nós temos o direito a ter várias dúvidas sobre este processo e, por isso, aconselho o Sr. Secretário de Estado a fazer-lhe chegar este importante livro”.

Apresentação do Livro

Livro Estrda Tondela.jpgA apresentação do livro «A Estrada 230 Tondela – Carregal do Sal: História Fascinante Dum Sonho de Gerações» está bem expressa numa nota que Hermínio Cunha Marques subscreve:

«Este modesto trabalho constitui o meu tributo a todos quantos lutaram, com os meios que tinham para a construção da estrada Tondela-Carregal do Sal; é também uma homenagem simbólica às gentes que acalentaram um sonho, em várias gerações, e a memória que fica de todos aqueles que partiram já, sem o ver materializado; e, em síntese, não deixa de ser, por tudo que dele ressalta, o desencanto, desabafo e também protesto ante o exemplo fecundo de como são adiados ou simplesmente esquecidos e marginalizados os legítimos anseios das populações das terras isoladas do interior do nosso País. Finalmente, é uma lição de persistência e coragem dos representantes das pequenas ou menos visíveis autarquias, bem acentuada nas últimas duas décadas, e dela se ergue um vibrante manifesto de regozijo e grande contentamento pela concretização de uma obra já prevista e suplicada no tempo d’El-Rei D. Luís.

“Quem espera, desespera” mas “Quem tem esperança sempre alcança” e “Vale mais tarde que nunca”. Mas quase século e meio de espera … que outro adágio terá o Povo?!…».

Convirá acrescentar que a narração desta “história empolgante” se reparte por cinco capítulos específicos, designadamente: Nos Tempos da Monarquia (II Capítulo); No Decorrer da I República (III Capítulo); Na II República Com o Estado Novo (IV Capítulo); No Pós 25 de Abril de 1974 (V Capítulo); E Por Fim Chegou o Dia (VI Capítulo).

Complementando esta apresentação, torna-se também interessante transcrever o discurso de Hermínio Cunha Marques na sessão solene:

Imagem 009.jpg«Eliminadas as hesitações iniciais, foi com grande entusiasmo, misto de certa emoção que levei em frente este modesto trabalho que mais não é que um memorial das legítimas aspirações e da consequente luta travada ao longo de 147 anos, custa a acreditar, mas é verdade, 147 anos de anseios e esperanças, sempre baldadas com tantas frustrações que alimentaram e viram cair os sonhos dos povos das duas margens do Rio Dão, entre concelhos vizinhos, tão perto e tão longe, como se um estranho enguiço pairasse sobre esta obra tão relevante e de tanto interesse para esta região beirã, desfavorecida como tantas outras do interior deste País.

Foi como que uma viagem através dos tempos, com avanços e recuos, luzes resplandecentes que se acendiam, mas depressa se apagavam como pirilampos, e assim foi desde o tempo d’El-Rei D. Luís, quando, na Tabela nº 2, anexa à Carta de Lei, de 15 de Julho de 1862, figurava a Estrada Real transversal Aveiro-Covilhã, que, obviamente, incluía o troço Tondela-Carregal, e tanto assim que 5 anos depois já a Comissão de Viação Municipal do Distrito de Viseu eliminava a feitura de uma estrada camarária de 1ª classe prevista para o concelho do Carregal, pelo facto de o seu traçado estar compreendido na dita Estrada Real. Mas a obra tardava e 26 anos depois e ainda no Reinado de D. Luís, surgiram as primeiras representações conjuntas das Câmaras do Carregal e Tondela e das Juntas de Paróquia de Currelos, Sobral, Ferreirós e Tonda, apelando a concretização de tão grande melhoramento para os seus povos. Renova-se o pedido, com mais representações das duas Câmaras, Tondela e Carregal, agora ao Rei D. Carlos, suplicando a construção do troço da Estrada referida. Mas a Monarquia não conseguiu dar ouvidos aos apelos destes povos. E implantada a República e em tempo de euforia, reacende-se a esperança, fazem-se démarches, estabelecem-se contactos, forjam-se planos que, todavia, vão caindo ao longo dos anos como os governos de então. A 1ª República também não fez vingar os anseios das terras carentes de tal melhoramento.

Instaurado o Estado Novo, lançam-se novas achas, chega a haver projectos que vão ficando inertes até à Era Marcelista com o então Ministro das Obras Públicas, Engenheiro Rui Sanches, um beirão como nós, que muito se interessava pela nossa região e deixou nela obras notáveis como a Ponte sobre o Mondego, que tem o seu nome, na ligação da estrada para Midões e Oliveira do Hospital, que, na realidade, e já então se dizia, era um complemento da que hoje aqui nos junta, também um caso arrastado no tempo ao longo de muitas décadas. Este antigo Ministro, que faleceu em Junho do ano findo e ficou sepultado em Pombeiro da Beira, no Concelho de Arganil, sensibilizado perante uma campanha intensa e invulgar para a materialização do grande sonho e que este livro narra com muito pormenor, autorizou então a construção da Estrada Tondela-Carregal do Sal, com projecto já dotado dos meios necessários para a sua execução urgente. Foi em Janeiro de 1974, na Câmara Municipal de Tondela, então presidida pelo Dr. António Manuel Tenreiro da Cruz, onde eu também estava, com alguns Carregalenses ali deslocados, que o Ministro deu a feliz notícia, perante uma multidão eufórica, e a música e foguetes ouviam-se depois nas ruas, numa onda de entusiasmo que se estendeu aos povos dos dois concelhos. Mas com o 25 de Abril desse mesmo ano, os processos pendentes ficaram como que congelados e apesar de remexidos alguns anos depois, houve que esperar mais 35 anos, para que, após muita luta, mormente na última década, o sonho se tornasse realidade, com a construção da Estrada, cujo traçado, sendo curto e bom, já não é o mesmo que tanto fez vibrar fervorosos lutadores pelo bem das suas terras, de que foi exemplo ímpar o saudoso José Lopes Carreira, de Ferreirós do Dão.

O historial que hoje aqui se apresenta, é, grosso modo, a compilação dos documentos que, zelosamente, fui guardando ao longo dos tempos, com dezenas de crónicas minhas e de outros defensores da mesma causa, dando conta de uma luta secular em que também estive tenazmente envolvido nestes últimos quarenta anos, ao lado de tantos outros combatentes, e quantos já partiram, envoltos em funda saudade, sem ver o sonho realizado. É muito por eles este trabalho e no qual procurei, de uma forma singela, prestar-lhes a minha homenagem. Mas é também, todo ele, um veemente protesto e um grito de alerta pela marginalização a que são votadas as terras do interior deste País. E não deixa de ser, também, com o final feliz, o vibrante manifesto de contentamento e regozijo que veio culminar a persistência e coragem dos representantes das nossas autarquias e que os governos da última década souberam reconhecer e dar vida aos seus anseios. Honra, pois, lhes seja feita. Assim o disse também na nota de abertura deste trabalho.

Há na história desta Estrada, agora tornada uma realidade, algo que nos choca, mas também que nos fascina e daí a razão do título que lhe dei. Com ela nos transportamos ao passado, gerações decorridas, com gente generosa que lutava denodadamente pelo bem-estar dos povos esquecidos e marginalizados do interior e foram partindo sem verem o seu sonho realizado. E se todo o historial posto nestas linhas, e tal já referi, é uma homenagem, como que um tributo em memória dos que já partiram, ele é também, e não é demais repeti-lo, um reconhecimento bem vivo àqueles que, em novos campos de batalha e com outras armas, conseguiram ver a obra finalmente realizada. E foi em boa hora, podemos hoje dizê-lo, ante a crise que, possivelmente, nos traria um novo enguiço. Neles estão, em primeira linha os presidentes dos municípios e os governantes que, na última década, conseguiram ultrapassar barreiras e ver a estrada construída com os muitos utentes circulando, os quais, talvez, quem sabe, ao atravessarem o Rio Dão, sintam vontade de cantar, como aconteceu na referida Ponte do Mondego, da estrada Carregal-Póvoa de Midões, mas agora para a nova via, aquela emblemática e saborosa quadra do poema primoroso, depois bem musicado, que nos legou Monsenhor Moreira das Neves:

A ‘strada quem a atravesse,

Pelo menos uma vez,

Que rogue a Deus uma prece

Por quem a sonhou e fez!…

As placas que vão ser descerradas nos dois extremos da Estrada, completam, pela sua bem funda expressão de reconhecimento e justa homenagem, o muito que escrevi e as palavras que ousei aqui proferir.

Mas este livro está hoje aqui patente porque as Câmaras de Carregal do Sal e Tondela me apoiaram e incentivaram para que o fizesse, e com a de Santa Comba Dão, os três Municípios servidos pela Estrada, tiveram a gentileza e me deram a honra de serem elas a editá-lo. A estas Câmaras, portanto, muito se deve, sendo justo realçar o trabalho desenvolvido pelo Município do meu concelho que dispôs dos meios informáticos e também documentais com elevada capacidade dos seus técnicos. A todas as referidas Câmaras, o meu Bem-Haja.

Antes de terminar, e sem querer meter foice em seara alheia, como sói dizer-se, seja-me permitido referir aqui o motivo que me levou a introduzir uma pequena adenda ao livro já então concluído e hoje aqui apresentado. Trata-se do surgimento de alguns protestos e manifestações de condutores e transeuntes, residentes nas povoações atravessadas ou vizinhas da nova via e com o seu eco reproduzido em colunas dos jornais. São como que as sombras de algumas nuvens dispersas no céu luminoso que acompanha todo o bom percurso da Estrada já aberta ao trânsito desde Novembro do ano findo, e formadas por algumas mazelas que afectam ou resultam dos cruzamentos e caminhos de acesso ligados à nova via. Não serão de grande expressão em termos estruturais, mas constituem espinhos algo perigosos na circulação por tão bom traçado, certamente, fáceis de eliminar e que podem salvar vidas. Urge a atenção dos governantes e o empenho das autarquias. Perdoem a ousadia, mas fala o coração de quem ama este recanto beirão e só quer o bem dos seus concidadãos.

E agora, sim, vou concluir, agradecendo a atenção que me foi dispensada, envolta na alegria aqui vivida ao inaugurar-se oficialmente, digna e festivamente, como merecia uma obra tão importante, com a mui elevada e honrosa presença em tão feliz evento, de Sua Excelência o Secretário de Estado Adjunto, das Obras Públicas e das Comunicações, Engenheiro, Dr. Paulo Campos, também ele um homem da nossa região e que muito conhece os problemas do interior, a que acresce o brilho dado pela vinda do Senhor Governador Civil deste distrito, Dr. Miguel Ginestal, e que vem mais realçar o apoio e carinho dos representantes dos três Municípios envolvidos, Carregal do Sal, Santa Comba Dão e Tondela, os Presidentes Atílio dos Santos Nunes, Engenheiro João Lourenço e Dr. Carlos Marta, respectivamente.

E, finalmente, com apelo à paciência e boa vontade de todos os presentes, resta-me a poesia, por mim usada, quase sempre, em acontecimentos relevantes e momentos inolvidáveis, agora com a leitura do soneto com que encerrei no livro a “História Fascinante Dum Sonho de Gerações”:

Abriu-se Estrada Em Flor, Estou Feliz!…

.

De várias gerações sonho embalado

Por gente deste chão que eu amo e louvo,

Mas que, sem o poder, eu não removo

As teias com que foi sempre “enguiçado”!…

Foi dos últimos Reis, troço marcado,

República, depois o Estado Novo,

Marcelo ainda ouviu a voz do Povo,

Mas c’os Cravos d’Abril, tudo adiado!…

.

Foram mais trinta e cinco anos d’espera,

E o Sol raiou, chegou a Primavera,

Abriu-se Estrada em flor, estou feliz!…

.

E por todos que nela acreditaram

- E já partiram tantos que lutaram -

Remiu-se, finalmente, o meu País!…

Hermínio Cunha Marques»

3 Comentários

  1. Adelino Borges diz:

    Como muito bem diz o autor, nosso admirável Herminio Cunha ,esta obra vai ter grande impacto,principalmente para os naturais dos Concelhos em referencia.
    Todavia,algumas conclusões se poderão analisar:
    Se éra sonho da Monarquia,que ao tempo não tinha oposição,e não fora realizada,que Deus lá tenha em descanso;se no fim do Estado Novo tambem não se realizou ,tambem já não lembra aos habitantes.
    Mas, se agora depois destes anos decorridos a obra está realmente concluida,só há duas coisas a ter em conta:
    Dar os parabens a todos aqueles que por ventura lutaram porque vêem finalmente o seu sonho realizado.
    Sublinhar o empenho de todos,quer a nivel Autárquico quer dos actuais Governantes ,que ,se embora tarde,deixam honrrada a sua contribuição em prol destes ditos concelhos.(mais val tarde ,de que nunca),
    E quem espera sempre alcança!….

  2. Luiz Diaz diz:

    Os cravos de Abril, tinham razao! Antes dos cravos de Abril, no tempo estado novo, poucos automoveis existiam em Carregal do Sal ou Tondela! Entao no tempo da monarquia, o caminho ideal era pelo mato, com mula ou junta de bois!
    Os cravos de Abril tinham razao, porque se inaugurou uma estrada, sem estar realmente preparada para os dias de hoje:
    Seguranca, Ambiente e respeito para com o povo!*!

  3. C. Peixeira Marques diz:

    Caro Adelino Borges,
    mais vale tarde do que nunca e, não fora agora, muito haveria de tardar, dado o contexto.
    Desculpe, não sei se me poderá esclarecer o que pretende dizer com: «Monarquia, que ao tempo não tinha oposição»?

    Cumprimentos.

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