Segunda, 21 Mai 2012

Artur Fontes, Opinião — Terça-feira, 31 Agosto 2010 — 0 Comentários

Sem eles seríamos ignorantes

ARTUR FONTES

Artur. Fontes.jpg«A desigualdade é o absolutismo. A igualdade é a liberdade. A democracia é a igualdade, a liberdade, a fraternidade»

José Estêvão, 22.9.1851

Movido pelos ideais da Liberdade, da Justiça e da Igualdade, José Estêvão pertence aos muitos portugueses que sempre souberam levantar a voz contra os opressores e que sempre souberam colocar os interesses superiores da Nação acima dos interesses pessoais. Pertence aos muitos que nos deixaram a HONRA para dela nos alimentarmos, na sequência daqueles que, como diz o Prof. Amadeu Carvalho Homem (Univ. Coimbra), «na galeria dos respeitáveis avoengos republicanos, encontram guarida os nomes de Manuel Fernandes Tomás, Mousinho da Silveira, Joaquim António de Aguiar, Manuel Passos [penso que se refere ao Passos Manuel?!] e todos aqueles que, preconizando ou insinuando a necessidade do alargamento do sufrágio, pudessem ser apresentados como iniciadores do projecto demo – liberal», (cit. in “Aveiro – Roteiros Republicanos”, 2010:13).

Aquele importante vulto é, nas palavras do Prof. José Manuel Tengarrinha, (Lisboa), «um dos símbolos mais vivos das lutas pela liberdade na primeira metade do século XIX» (in “Obra Política de José Estêvão,” Vol.I). Foi ele quem em sinal de alerta e de aviso, escreveu no “Revolução de Setembro”, em 1891, acerca da necessidade e importância da instrução pública. Quando: «Não se quer a instrução pública, não se protege, não se promove, não se lhe paga; e depois os povos não podem ter liberdade porque não têm instrução e não devem ter instrução para não poderem ter nunca liberdade» ( “Aveiro…, p.19).

Efectivamente, hoje temos todos a noção da importância de uma escola pública com qualidade, com exigência onde possam labutar quadros profissionais motivados. Todos temos conhecimento da importância que têm os professores na vida de uma Nação: Sem eles seríamos ignorantes!

Por isso, deveremos voltar aprender a saber respeitar os que se dedicam a esta nobre e altruísta profissão! Deveremos, por conseguinte, exigir dos professores rigor e qualidade na arte de bem leccionar. Com brio. Só desta forma, Portugal e as suas escolas estarão a contribuir para um futuro melhor e profícuo. Só assim, os jovens de hoje estarão a ser devidamente preparados para poderem enfrentar um mundo globalizado, onde o saber nunca se extingue e o conhecimento se avoluma. Contudo, o respeito que os professores nos merecem não bastará se os sucessivos governos e ministérios da educação não implementarem condições para que a autoridade nas escolas seja uma mais-valia neste processo comum de aprendizagem, englobando toda a comunidade escolar, responsabilizando-a.

Aos professores o que é dos professores! São eles os mestres! São eles que ensinam! São eles que aparecem aos olhos da maioria dos jovens, como o exemplo a seguir, o modelo de adulto a ter em conta! São eles que ajudam a crescer e acompanham na memória futura, pela vida fora, os homens e as mulheres deste País!

Por outro lado, não basta existirem representantes dos diversos elementos que constituem essa comunidade escolar, para que a escola, como um todo, seja um foco de desenvolvimento, seja um centro vivo comunitário! Necessário será que cada elemento, sobretudo, aqueles que não pertencem directamente à escola, saibam “o que fazem e o porquê?” Saibam que não podem ser, como em muitíssimos casos, infelizmente, um “peão e um joguete” de forças político-partidárias e contarem, apenas, para fazer número a acrescentar aos outros numa votação!!! Nem muito menos, servirem para “policiamento” sobre os educadores, neste caso, sobre os professores! O projecto e o objectivo de uma comunidade escolar é grandioso e arrojado. Não pode ser uma mesa de baralho para trocar cartas! Também os representantes directos dos professores, terão que ser, a meu ver, os directamente votados pelos próprios professores!!!

As escolas precisam de certezas, não as absolutas, mas das que ajudam na planificação das vidas dos mestres, das que ajudam à mudança de mentalidades e das que projectam o presente no futuro. Elas precisam de “sossego”para que os alunos sintam alegria e confiança. São eles e para eles que elas existem.

Num equilíbrio dialogante, hierarquizado, inteligente, elas cumprirão a sua finalidade. Assim, mais e melhores cidadãos se formarão. Melhor será a qualidade delas saídas. Só pela criação de hábitos de trabalho, de vontades pelo cumprimento do dever, antes da exigência de direitos, se formarão cidadãos e não súbditos os quais ao mais pequeno espirro se amedrontam e se vendem.

Só assim, se poderá compreender homens que por nós lutaram e que «nunca tremera nos tempos da propaganda democrática e jamais se temera de quaisquer represálias ou ataques do regime decaído. Algumas dessas represálias e ataques sofrera resignado sem quebrantamento da sua fé inabalável na República em que sempre divisara o levantamento do edifício da nossa regeneração política e social» palavras do Dr. André dos Reis, no acto de posse da Câmara Municipal Administrativa Republicana em Aveiro, Outubro de 1010, ( in “Aveiro,…, p. 55/56).

É que, o que está em causa é a defesa da República que se quer culta, democrática, pluralista. Sem instrução ela não será livre, mas sim uma mancha nas nossas consciências!

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