Onde param os eleitores?

Carlos Peixeira Marques *

Carlos Peixeira Marques.jpgHá duas semanas tive oportunidade de referir na AM de Carregal do Sal que uma parte da “alarmante” abstenção eleitoral se explica pelo sistema de recenseamento eleitoral “automático”, via cartão de cidadão. Os dados provisórios dos Censos 2011 vêm corroborar essa tese. A menos que os recenseadores se tenham esquecido de contar muita gente, é evidente que estão contabilizados muitos eleitores que não residem no concelho. Como disse na altura, creio que a recente vaga de emigração para a área Schengen explica este estranho facto de a população com capacidade eleitoral (i.e. maior de 18 anos) ser superior ao total da população residente.

Residentes (a) Eleitores (b) b/a
Carregal do Sal 9830 10132 1,03
Parada
805 966 1,20
Papízios 677 785 1,16
Sobral 273 315 1,15
Beijós 975 1072 1,10
Cabanas de Viriato 1530 1577 1,03
Oliveira do Conde 3126 3134 1,00
Currelos 2444 2283 0,93

O número de inscritos nos cadernos eleitorais excede em 20% a população residente em Parada e em 10% a população residente em Beijós, por exemplo. No total do concelho, há mais 300 (3%) inscritos do que residentes. Poderemos ter uma ideia mais aproximada da sobrevalorização do número de inscritos quando for conhecida a distribuição dos residentes por grupos etários. No entanto, pode desde já fazer-se uma estimativa: admitindo que os jovens menores de 18 sejam perto de 17% da população concelhia, então há 2070 (20%) eleitores não residentes. Isso significa que, em vez dos 50% oficiais, a real abstenção das últimas eleições legislativas foi cerca de 36%.

Nota: uma estimativa mais precisa deveria ainda ter em conta que alguns dos cerca de 8060 residentes maiores de 18 estimados não têm capacidade eleitoral por motivos legais, nomeadamente nacionalidade; outros não têm capacidade eleitoral de facto por motivos de saúde; no entanto, o meu objectivo de demonstrar a inflação dos cadernos eleitorais é perfeitamente alcançável sem essa informação adicional.

* Professor do Dep.º de Economia, Sociologia e Gestão da UTAD

1 Comment

  1. Pela boca morre o peixe,e não temos agora dúvidas que esta é uma realidade ,e que ninguém consegue explicar.Em tempos chamei à atenção dos leitores,para os censos,mas sem censo,e expliquei porquê.Não se podem culpar quaisquer estruturas Governamentais,seja elas de que orígem forem,pelas pessoas que votem ou não.Todavia,e se o voto tivesse obrigatoridade,há pois,aí teriamos a real verdade…..
    As pessoas estão ausentes,votam ou não votam.Se emigrantes terão um tratamento diferente,e quem o atesta? As pessoas estão acamadas,votarão em consciencia?As pessoas estão no seu estado normal,e aqui só contará o sim ou o não,mas aqueles que acabaram de ter direito ao voto(após a idade de votar),estarão realmente regularizados os seus nomes ,ou foi mesmo nesse próprio dia que o fizeram e por via disso se alterassem as estatísticas das assembleias????
    Será um trabalho que deverá ser feito de forma muito responsável,para que Portugal tenha mesmo a certeza do seu património habitacional

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