Destacamento Territorial da GNR de Santa Comba Dão promoveu peregrinação ciclística a Fátima

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O Destacamento Territorial da GNR de Santa Comba Dão realizou uma ciclo-peregrinação ao santuário mariano de Fátima na passada sexta-feira, 14 de Outubro, participada por 33 agentes dos postos da GNR de Carregal do Sal, Mortágua, Santa Comba Dão e Tondela, dando corpo ao Clube de Ciclismo DTER DÃO, criado nesta sua primeira iniciativa ciclística.

Bem cedo, às 05h00, ainda noite, todos estavam reunidos no quartel do Destacamento para uma jornada de oito horas de pedalada. A voz de partida foi dada, aproximadamente, meia hora depois, após o capitão João Marques, comandante do Destacamento, ter feito as devidas recomendações e o padre Pedro Leitão, pároco “in solidum” no arciprestado de Santa Comba Dão, ter procedido à celebração da bênção desta devota e fraterna peregrinação.

Para surpresa geral, também o sacerdote fez parte do percurso em bicicleta, pedalando durante os quarenta quilómetros iniciais e os cinco quilómetros finais de uma longa romagem de 145 km de extensão. Os ciclistas tiveram acompanhamento de um carro ligeiro à frente da caravana, indicando o caminho e transportando a equipa de reportagem, e de uma carrinha de apoio, funcionando como carro-vassoura e transporte de um mecânico de bicicletas, na retaguarda, seguida de uma ambulância com dois bombeiros da corporação de Santa Comba Dão, em serviço de prevenção de socorro.

Sempre na dianteira do pelotão, logo seguido pelos comandantes dos postos de Santa Comba Dão e Tondela, o comandante do Destacamento foi o primeiro a transportar, às costas, o círio que viria a ser aceso na Capelinha das Aparições, tendo o mesmo passado de corpo em corpo, por etapas, no seu transporte pelos ciclistas.

Percorrendo, sempre que possível, caminhos alternativos às estradas mais movimentadas, por entre campos, matos e aldeias dos vales do Dão e do Mondego, com subidas e descidas, que a maioria desconhecia, de baixa visibilidade no período matinal, todos deram prova de boa resistência física, surpreendendo pelo reduzido número de recaídas.

Às 08h15 deu-se a primeira paragem, no parque de merendas de Marco de Pereiros, à saída de Coimbra, próximo do Hospital Sobral Cid. Estavam concluídas as três primeiras horas de bom andamento e, como tal, o reforço vitamínico e o descanso do corpo já se tornavam bem merecidos. Preparado pela pastelaria Salinas, de Santa Comba Dão, colaborante nesta iniciativa com a oferta de todas as refeições da peregrinação, o abundante pequeno-almoço, abençoado pelos primeiros raios de sol, trouxe novo alento anímico aos ciclistas e deu ocasião para a primeira fotografia de grupo.

Ainda não tinha sido atingida meia hora de paragem quando a caravana se pôs de novo em marcha, dessa vez em direcção a Pombal, com passagem por Cernache e com os acessos a melhorarem cada vez mais, apesar de algumas subidas bem custosas e da intensidade do sol, que mexeram, e muito, com o fôlego e as forças de ciclistas menos habituados ao uso da bicicleta.

Duas horas e alguns minutos mais de andamento, sob um sol abrasador, eram já tempo justificável para nova paragem e novo reforço alimentar e anímico. Foi, pois, com algum sentimento de alívio que surgiu a paragem num parque dos arredores de Pombal, cerca das 11h00, e mais uma vez a pastelaria Salinas brindou a caravana com um fortalecedor repasto matinal.

Pela frente havia ainda algo mais de duas horas de andamento, com o sol a aumentar de intensidade e o alcatrão a queimar, prevendo-se uma caminhada final mais penosa e mais demolidora para os menos resistentes. “Querem-nos matar à força!”, disse um dos primeiros a vencer uma das subidas mais difíceis, ao passar pela equipa de reportagem. “Nem que chegue de rastos, hei-de chegar lá!”, disse outro, este da cauda do pelotão. Foram expressões mais de descompressão do que de desalento, dado que, logo apanhados em plano mais favorável, recobraram as forças e intensificaram a pedalada.

Finalmente, às 13h30, deu-se a chegada a Fátima, com paragem junto ao posto da GNR local, onde já se encontravam a camioneta para o transporte de retorno das bicicletas e o autocarro do Centro Social e Paroquial de São João de Areias para o regresso dos ciclistas.

Eram horas de almoço e de um reconfortante banho, mas o testemunho da devoção e a intenção da peregrinação falaram mais alto, seguindo todos de imediato para o santuário mariano. Reunidos debaixo da azinheira onde Nossa Senhora fez a última aparição há 94 anos, a 13 de Outubro, e imbuídos do simbolismo do dia em que o milagre do sol dissipou as dúvidas acerca das aparições, de todos se apoderou uma emoção especial de culto na oração de bênção que o padre Leitão ali celebrou e no comovente cântico de fé “A 13 de Maio na Cova da Iria”, a que se juntou a voz de outros peregrinos, admirados pela forma como o grupo estava vestido, com os vistosos equipamentos que os ciclistas envergavam. Depois da celebração, o capitão João Marques acendeu o círio na Capelinha das Aparições, que ali foi mantido durante alguns momentos de interiorizante prece.

Ainda antes do almoço, fez-se o registo fotográfico da passagem pelo santuário, parecendo, de tão solicitado e demorado, e apesar de passar das 15h00, que a fome se mitigou com o esplendor e o culto divino do santuário. Após regresso ao quartel da GNR de Fátima, os ciclistas tomaram o merecido banho, trocando o equipamento de corrida por roupa de uso pessoal, o que resultou em algo mais de uma hora de espera pelo almoço, iniciado precisamente às 16h30.

Confeccionado pelo cozinheiro do Destacamento com produtos oferecidos pela pastelaria Salinas e servido pelo mesmo, com ajuda de um motorista e da funcionária de limpeza do próprio Destacamento, o farto e apreciado almoço constou de creme de legumes, bifinhos de carne com cogumelos e arroz, e fruta diversa. Quem quis café, o bar daquele posto da GNR esteve à disposição, com um agente destacado para esse serviço, e a preço convidativo.

Ao almoço juntou-se Mário Baudouin, director da Aldeia SOS da Guarda, que se deslocou ali propositadamente para receber um donativo angariado a nível do Destacamento Territorial de Santa Comba Dão. A angariação de donativos a favor de uma instituição de solidariedade social foi sugerida pelo comandante do Destacamento, tendo contemplado este ano aquela Aldeia, com um valor de 250 euros. A entrega do donativo em Fátima teve o intuito de aumentar o simbolismo da peregrinação, associando-lhe uma prática zelosa de caridade.

Depois dos agradecimentos finais por parte do comandante do Destacamento e de algumas considerações sobre a forma como decorreu a peregrinação e o cumprimento do seu objectivo, procedeu-se aos preparativos de regresso a casa, cuja saída se verificou cerca das 18h00. O movimentado trânsito trouxe alguns contratempos à viagem de regresso, sobretudo no atravessamento das pontes em reparação na barragem da Aguieira, mas por volta das 20h00 todos deram por concluída esta aventura, chegando felizes e mais fortalecidos de fé e amizades ao ponto de onde tinham partido quase quinze horas antes.

Lino Dias

1 Comment

  1. Boa tarde,
    Gostava de saber se tem algum track da vossa viagem, ao um mapa com o caminho percorrido ?
    Estou a organizar uma ida Viseu- Fatima de bicicleta,BTT ) a 1º parte é facil vamos fazer a ciclovia do Dão. falta-me Santa Comba Dão – Fatima, embora já tenha visto alguns caminhos queria evitar algumas estradas com mais transito.

    Grato pela atenção
    Carlos Ferreira

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