Carlos Peixeira Marques
Por motivos profissionais, calhou-me, há uns meses, entrevistar alguns Presidentes de Junta de freguesias do Interior Norte e Centro. Uma das referências comuns dessas conversas, que me deixou a pensar durante algum tempo, é que todos eles gostariam de deixar como principal legado da sua gestão autárquica… um lar de terceira idade! Confesso que recordei a imagem do cemitério de Sucupira: Odorico Paraguaçu queria que os seus mortos não tivessem de ser sepultados em cidade alheia; os Presidentes de Junta desejam que os seus velhos não tenham de ir morrer a outra freguesia.
No passado dia 7, o INE publicou novos dados provisórios dos Censos 2011, ventilados por grupo etário e nível de escolaridade, desagregados ao nível de freguesia. Ao analisá-los, percebi a importância dos lares de terceira idade para a fixação de população nas freguesias envelhecidas. O concelho de Carregal do Sal perdeu, nos últimos 10 anos, 6% dos residentes. Tal como aconteceu na generalidade do território interior, apenas a freguesia sede do município registou acréscimo populacional, todas as restantes estão em regressão demográfica. No entanto, a freguesia de Beijós destaca-se por ter perdido um quinto dos seus habitantes. Não obstante Beijós ter perdido quase metade da sua população infantil e ter registado um decréscimo de população em idade activa (entre os 25 e os 64 anos) consideravelmente superior à média, o resultado mais relevante, diria até chocante, é o decréscimo de 9% na população idosa, facto irrepetível nas outras freguesias do concelho. Não tendo conhecimento de moléstia ou cataclismo responsáveis pela dizimação de velhos beijosenses, resta a hipótese da emigração – alguns juntaram-se aos filhos noutros lugares, outros residem em lares em freguesias vizinhas.


A realidade do interior é dramática desde há muito. Ainda assim… do meu ponto de vista, e no caso específico da população idosa, que bom seria se os mais velhos contribuíssem para a perda à custa da sua saída para junto dos seus familiares!
Pois ,seria ótimo!Mas será que os familiares se aguentarão económicamente?Há alguns que sim ,certamente,pois eu até conheço pessoalmente quem não necessita de ajuda dos lares,mas está a tê-la.Todavia ,e em muitos casos,é muito difícil que isso aconteça,pois já descendem de fraca bonânça económica.Mas que essa ideia não seria desajustada à sociedade ,isso não!
A migração na terceira idade é quase fatal porque a agricultura foi abandonada, os filhos foram estudar ou procuraram zonas onde houvesse industrias. Praticamente ninguém voltou às suas origens durante o periodo laboral ,que cada vez se prolonga por mais anos. Assim os idosos ou ficam abandonados nas suas aldeias( muitos recusam-se mesmo a abandonar as suas casas) ou acabam por ir para casa dos filhos ou para lares que ficam próximos dos filhos. Há filhos que não querem ter os pais com eles, há filhos que não têm condições para os ter com eles e há filhos que não têm lares disponíveis perto das suas residências. Tem sido triste e dramático para os idosos.Mas as grandes crises também trazem algumas vantagens: tenho verificado que ultimamente vários filhos vão buscar os pais aos lares porque não os podem pagar ou para se governarem com a pequena mas importante reforma que eles recebem
É realmente complicado,porque como diz a nossa prezada professora , Luz Canário ,nem todos poderão pagar os lares,e assim alguns internados estão voltando a casa de alguns dos filhos ,porque nem todos os poderão auxiliar.
A certa altura ,refere o prof. Carlos Peixeira o decréscimo bem visível em Beijós.Ora se já estamos com um problema migratório desta natureza,o que acontecerá daqui a mais alguns anos?E quem irá tomar conta também das crianças ,que embora poucas ,mas ,felizmente que ainda se vão vendo.Bem vistas as coisas,só com grade esforço das populações se poderá encontrar alguma solução,porque quem tem criânças em idades de escola,em especial pré,ou mesmo primária ,e porque as faltas ao emprego agora são menos toleráveis ,encontra,em alguns casos refúgio nos avós!Mas até quando se eles cada vez terão menos capacidade de assumir?.Um problema muito sério ,conforme já me tinha manifestado.
.