PORTUGAL É UM DOS PAÍSES COM BAIXO ÍNDICE DE IGUALDADE (de género)

Helena Romão.jpgHELENA ROMÃO

.

Portugal é um dos países com baixo índice de igualdade entre homens e mulheres,
a par de França e Ruanda, apesar de ultrapassar as médias europeia e mundial,
revela o ‘ranking’ 2012 de igualdade de género da rede internacional Social Watch.
Numa escala de 0 a 100 pontos, o Índice de Igualdade de Género 2012
da Social Watch mede o fosso entre homens e mulheres na educação
(alfabetização e escolarização), na participação económica (salários e emprego)
e no poder político (altos cargos, assentos parlamentares).
Os pontos são reagrupados em cinco níveis:
Crítico (0-40), Muito Baixo (41-60), Baixo (61-80), Médio (81-90) e Aceitável (91-100).
(por Lusa 06 março 2012, in http://www.dn.pt/inicio/portugal

Este artigo, que apenas vem confirmar o que sabemos de forma tanto empírica quanto experiencial, quis constituir-se ponto de partida para algumas reflexões que gostaria de tecer, por altura do Dia Internacional da Mulher, e que seriam entretanto silenciadas pela mordaça de um trabalho teimoso e absorvente.

Mas eis-me de novo motivada pelos artigos do Prof. Massano Cardoso com quem tenho de concordar quando, com Hawkins, nos coloca no top dos mistérios do universo e por uma série de índices e estatísticas que, por esses dias, sempre informam os mais interessados da situação das mulheres no nosso país e no mundo.

Julgo, até, ter lido a opinião, que já defendi, de serem as mulheres as primeiras a afiançar não existir no país coisa que, mesmo de forma longínqua, seja apelidável de discriminação de género.

Tenho que reconhecer que percecionar formas de discriminação por quem vive incluída e adaptada, num mundo tradicional em que não existem barreiras porque não se sai do seu perímetro, não será tarefa fácil. É a história do elefante preso com a corda frágil mas que não faz qualquer esforço por se soltar.

Para vivenciar e experienciar, de forma consciente, qualquer situação de desigualdade é preciso adotar uma postura de dúvida racional e crítica, colocar essa hipótese e, no mínimo, estar-se ativa. Significa que uma mulher passiva rodeada de ambiente masculino, também passivo, não sentirá grande diferença. Por outro lado, ela só será discriminada ou excluída, em virtude do género, se estiver de forma ativa a tentar aceder a direitos, prerrogativas ou tarefas tipicamente masculinas (e só o facto de o ter que dizer assim é já prova de que existem) ou não o sendo, porque aparentemente “acessíveis” a escolhas femininas, aparecem rodeadas de barreiras e obstáculos invisíveis perante os quais a mulher tem que provar, muitas vezes, dispor da competências e, se conseguir, superar tudo e todos numa espécie de via-sacra ou calvário que em nada se compara com o que se exige ao seu parceiro de mundo.

Este tipo de desigualdade será praticamente impossível de provar e deverá assemelhar-se muito aos obstáculos à promoção nas empresas, onde acredito que boicote, pressão, bullying, assédio, chantagem, ou outros, podem infernizar a vida de homens e mulheres mas destas em particular. Também muito haverá a fazer relativamente à divisão de tarefas e responsabilidades e relativamente à igualdade na retribuição, estímulo e reforço positivo.

E termino reformulando a frase do Professor Massano Cardoso: E quanto à desigualdade? Vai continuar, seja na família ou na arena pública e política. É impossível dominá-la, talvez se consiga domesticar, desde que se ensine e estude a natureza da mesma e se consiga a implementação de regras, hábitos, condutas, normativos, códigos e se acabe com muitas outras formas de discriminação. 

3 Comments

  1. Dra Helena Romão,
    Percebi muito bem o artigo que desenvolveu e este tema é muitas vezes tratado por mim na formação aos jovens, embora tenha de o abordar de uma forma muito menos erudita.
    As desigualdades entre homens e mulheres não têm o mesmo peso em todos os sítios, mas elas ainda existem em grande escala em quase todo o país. Mas hoje muitas mulheres têm muita culpa em ainda serem tão exploradas. Hoje eu vejo que muitas jovens têm oportunidades de se valorizarem, de se formarem a todos os nivéis, que as suas mães nunca tiveram. Mas elas desperdiçam a vida com futilidades, têm boas escolas e não estudam, têm acesso a todo o tipo de informação e comportam-se como umas ignorantes e incultas. Eu falo-lhes constantemente disto, elas acham que tenho razão ,mas depois não têm força de vontade para se empenharem. Vejo jovens que tinham tantas capacidades com um futuro pior do o das suas mães. O DESNIVEL ENTRE AS DESIGUALDADES ENTRE HOMENS E MULHERES É EXTREMAMENTE LENTO.

  2. ´HÁ REALMENTE UM FATOR QUE É NESTE MOMENTO MUITO IMPORTANTE:AINDA TEMOS PAIS COM O MAIOR ENTERESSE EM QUE OS SEUS FILHOS SE VALORIZEM,E FAZEM GRANDES SACRIFÍCIOS PARA ISSO,SOU ,ALIÁS TESTEMUNHA DA ALGUNS CASOS ONDE JÁ DEIXEI DE ME MANIFESTAR,PARA NÃO TER DE OUVIR:”LÁ ESTÁ O CHATO”!POIS BÉM ,OS ANOS PASSAM A VIDA MUDA,.E TAMBÉM OS HABITUAIS ENCONTROS DE LAZER NOTURNO ,ATÉ MUDAM DE SÍTIO E GERÊNCIA,MAS ,INFELIZMENTE AINDA ALGUNS JÓVENS OS PROCURAM….NÃO,NÃO PODEREMOS IR POR AÍ.OS JÓVENS,E QUE ME PERDOEM ESTE REPARO ,DEVERÃO PERCEBER QUE OS PAIS COMEÇAM A ESTAR VELHOS,SATURADOS ,GASTOS,FALIDOS,E CARENTES DE ALGUM AFETO DOS SEUS FILHOS.PORQÊ? SE ELES LHES DÃO O QUE NÃO PODEM ,PORQUE QUERERÃO O SEU MELOR;E PORQUE NÃO SE DEDICAREM AOS TRABALHOS NÃO SÓ DA ESCOLA,QUE SERÁ A VONTADE DOS PAIS ,COMO A OUTRAS TAREFAS ,MESMO CASEIRAS.?….
    TEM MUITA RAZÃO,LUZ CANÁRIO,OS JOVENS ESTÃO MAL HABITUADOS E POR ESTE ANDAR SERÁ MUITO DIFÍCIL A SUA MUDÂNÇA! SÓ MESMO UMA GRANDE VONTADE PODERÁ ALTERAR OS HÁBITOS QUE SE INFILTRARAM EM CERTAS CAMADAS,PORQUE ELES SÃO QUÉM ESTÁ MAIS CERTO .

  3. O meu comentário não tem que ver com o texto, mas apenas com o título e o excerto da notícia da LUSA. É impossível um país estar acima das médias europeia e mundial no índice de igualdade e ser ao mesmo tempo «um dos países com baixo índice de igualdade». Este título só é possível graças a um outro índice em que Portugal se tem destacado, sem sinais de melhoria – a inumeracia, a qual parece afectar homens e mulheres por igual.

    No índice de igualdade, Portugal tem, como se diz, valores superiores à média. Numa escala cujo valor máximo é 100, Portugal tem 77 pontos, superior às médias da Europa e da América do Norte, ambas com 73. Significativamente superior à região que é um modelo de virtude para a organização que produziu este índice – a América Latina, que tem média de 68; bastante superior à média mundial de 56 pontos; incomensuravelmente superior à pontuação média dos países árabes, 31. Esses sim, seguidos dos países da Ásia do Sul, são «dos países com baixo índice de igualdade».

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*


Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.