Regresso da viagem da “Catrela” ao continente africano acolhida em festa pela empresa Ribadão

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Foi em ambiente de festa e alargado convívio de amigos, clientes e convidados que a Ribadão – Indústria de Madeiras S.A., empresa portuguesa que produz soalho em madeira exótica maciça, recebeu nas suas instalações em Guarita, povoação da freguesia de São João de Areias, concelho de Santa Comba Dão, os dois aventureiros que deram uma volta ao continente africano numa carrinha Renault 4L “Catrela” (diminutivo de 4L), detentora de uma vida singular e de muitas histórias para contar.

Na vida daquela viatura consta uma doação aos bombeiros de Palmela, em 1993. Depois rifada numa festa de angariação de fundos, foi parar às mãos do dono de um café, que a viria a vender à Quinta da Bacalhôa, antiga propriedade da Casa Real Portuguesa, situada em Azeitão. Conheceu, então, um período áureo de oito anos na recolha de amostras pelas vinhas de Portugal. Passou depois para as mãos dos tractoristas, para levar diesel aos tractores no monte, até que chegou a altura em que acabou enfiada numa valeta e foi colocada à venda num stand virtual. Com 270.000 quilómetros, problemas nos vidros, nas portas, na tampa do depósito e ferrugem no capô, foi adquirida para esta volta a África, que não recusou apesar de custar a pegar e ter chumbado três vezes de seguida na inspecção.

Após visita a cerca de vinte países num percurso de 40 mil quilómetros, com partida de Azeitão no dia 05 de Junho de 2011, a chegada daquela viatura às instalações da Ribadão deu-se pouco depois do meio-dia de sábado último, 12 de Maio, acompanhada por uma caravana de carros antigos, incluindo algumas “catrelas” com aspecto de lhe criar inveja, assim como outras que faziam parte da exposição de carros antigos ali ocasionada. A razão da recepção naquelas instalações deve-se ao conhecimento travado pelos viajantes com o fundador e administrador da Ribadão, Rogério Tavares, em pleno Congo Kinshasa. O entusiasmo deste empresário por carros antigos e o agrado de ter encontrado ali aqueles viajantes juntaram-nos numa amizade criada ao longo do mês que estiveram naquela cidade, resultando daí o patrocínio da Ribadão para a viagem de pai e filho, ambos de nome Carlos Carneiro, geradora do projecto “Nunca é Tarde”.

Além da honrosa presença de diversas individualidades, entre as quais se destacavam João Lourenço, Carlos Alexandrino e Mário Loureiro, respectivamente, presidentes das câmaras municipais de Santa Comba Dão, Oliveira do Hospital e Tábua, a chegada foi saudada musicalmente pela Banda Filarmónica de São João de Areias, acentuado o ambiente festivo que ali reinava, a que se juntou, pouco depois, a primeira parte da actuação da Tuna de Cantares de Avô, terra natal do administrador da Ribadão. Ao mesmo tempo, por perto, iam sendo assados dois porcos no espeto, para o almoço oferecido por aquela empresa, que incluiu ainda acompanhamento de arroz com feijão e caldo verde, além de pão e bebidas à descrição.

Antes do almoço, houve lugar aos discursos de circunstância por parte dos autarcas dos três concelhos representados e por parte de Carlos Carneiro (pai), assim como à entrega de algumas lembranças. Depois do almoço, a festa prosseguiu com um concerto da banda filarmónica, finalizando com nova actuação da tuna.

Para lá de tudo aquilo que a missão da viagem ao continente africano possa ter provado, desde logo que é possível fazer-se uma grande viagem num carro simples, em família e a baixo custo, a criação de laços e amizades é algo que também sobressai da confraternização proporcionada, o que ficou bem vincado na simpatia e na cortesia com que o administrador da Ribadão e sua esposa acolheram todos quantos ali se reuniram, sentindo-se certamente retribuídos em admiração, apreço e amizade.

Lino Dias

3 Comments

  1. Desde ja quero expressar o meu obrigado, pela comparencia na nossa festa, e o meu reconhecimento pela amizade e simpatia.

    Abraços
    Rogerio Tavares

  2. Como um dos meus maiores prazeres é viajar, o livro «Nunca é tarde» chamou-me a atenção, resolvi por isso compra-lo e lê-lo, gostei imenso. Achei incrível como conseguiram fazer tamanha viagem com meios tão escassos e tão poucos apoios. Quero por isso dar os parabéns aos corajosos viajantes e a todos aqueles que os apoiaram. Por último gostaria que me tirassem uma dúvida que não ficou completamente esclarecida: O que é que fizeram à »Catrela»? Venderam-na? Ficou num local em exposição? Ou foi simplesmente abatida? Obrigado!

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