HÉLIO BERNARDO LOPES *
A recente tomada de posição do Governo da Austrália, ao redor do que o Reino Unido, a Suécia e os Estados Unidos, pretendem fazer ao seu nacional, Julian Assange, tem um nome: esterco. Um esterco político, moral e social.
Nenhum Estado com real dignidade pode deixar um seu nacional entregue às forças do arbítrio, já levadas ao ponto de se admitir a violação de convenções internacionais de importância crucial e estratégica para o funcionamento normal da Comunidade Internacional.
Esta posição do Governo da Austrália mostra que, ainda hoje, a sua atitude é a de marginais, que escutam e obedecem ao seu suserano. Continua, no fundo, a estar presente o suporte que levou as primeiras vagas de gente para ali deportada pelas autoridades inglesas a cometer os crimes que hoje se conhecem contra povos indefesos.
O comportamento do Governo da Austrália é idêntico, neste caso de Julian Assange, ao assumido para com o povo de Timor-Leste, depois da invasão indonésia: primeiro uma suposta segurança geostratégica, depois o petróleo, e só por fim, e se valesse a pena por razões materiais, os Direitos Humanos. Naquele tempo, os do povo timorense, hoje os de um seu nacional.
Objetivamente, a Austrália porta-se, ao nível cultural, como uma colónia do Reino Unido, e no plano geostratégico como terra de gestão dos interesses dos Estados Unidos. Por ali passam o Sistema Echelon ou as novas bases que os Estados Unidos, hoje acagaçados com a China, começaram a montar no grande continente do Sul da Terra. Tudo isto, em minha opinião, tem um só nome: esterco.
* Antigo professor e membro do Conselho científico da Escola Superior da Polícia


Seja o primeiro a comentar