ARTUR FONTES
«A política não pode ser um meio de satisfação pessoal»
Drª Maria Belém
«Não se pode ocultar o mal, nem iludirmos com manifestações de união à superfície, com palavras»
(Raul Rêgo, in “ Violência Inútil”, 1975: 165)
«Faz parte da ética dos homens simples a recomendação de que o triunfo deve ser acompanhado de modéstia»
(Adriano Moreira, in “Tempo de Vésperas”, 2009:33)
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Num artigo escrito, pela Drª Maria de Belém, no “D. N.”, (Sábado, 22 Set.), esta ex-Ministra da Saúde, PS, escrevia sobre Hannah Arendt, uma das maiores pensadoras políticas do Sec. passado que, “Para ela [Hannah Arendt] a política não pode ser um meio de satisfação pessoal, individual, mas um meio onde existe a participação ativa dos cidadãos e a deliberação coletiva sobre assuntos que afetam a comunidade”.
Num apelo de António José Seguro, inscrito na sua Moção Política, “O Novo Ciclo”, e apresentada ao XVIII Congresso Nacional do PS, em 2011, avisava que “A política não é um jogo” e acrescentava: «Os políticos devem exercer os respetivos mandatos com total transparência», (pag.8). Para isso, os políticos deveriam assumir «um compromisso: o do exemplo. Agir na política com valores éticos, com transparência e com responsabilidade», (p.7). Estas indicações, faziam parte de um programa, que pretendia alterar os comportamentos dos militantes, para se poder abrir um “Novo Ciclo”: «Uma nova fase, com credibilidade, responsabilidade e criatividade», (p.34) virada para uma “política de futuro”. Avisava, contudo, que não se conseguiria atingir estes objetivos «com praticas obsoletas ou até desprestigiantes, ou formas primitivas de estar na política», (pag.4).
Ora, todas as citações aqui enunciadas, servem para todos aqueles que abraçam a actividade política, independentemente da sua filiação partidária. Poderia ter sido escrita por um outro dirigente de um outro partido que tivesse as mesmas intenções. Julgo, também, que qualquer leitor atento, as aceitará ou se identificará com elas. Penso, até, que todos nós desejávamos que o comportamento das pessoas ligadas à política, tivessem como matriz, aqueles valores! Por isso mesmo, estas linhas orientadoras face à prática desta nobre atividade, são pertença de todos aqueles que servem a causa pública sem outros interesses que não este, e não daqueles que se servem dela, para fins carreiristas, para protagonismo exacerbado ou exercerem influências duvidosas!
Para estes, os sem-vergonha, tudo justifica os meios empregues. Recorrem às práticas obsoletas, as quais desprestigiam a Política e os partidos a que pertencem. De forma alguma aos próprios, pois estes identificam-se com estas praticas, formando uma só vontade! São lobos com peles de cordeiro. Corrompem o sistema democrático e abalam a confiança nas instituições, nos grupos e na amizade de uns com os outros. Não constroem. Destroem. A quem os não aceitar e não os seguir, deixarão de falar e de dialogar. Ou, nalguns casos, apontados como “culpados”. Contudo, não se pense que falarão das intenções que os movem. Pelo contrário: As mensagens são palradas com “boas intenções”, a “olhar para o futuro”; pela “unidade”; pelos “valores”. Pagam quotas de anos a pessoas afastadas, sem assumirem este gesto, pela vergonha de o terem cometido, e não pela alegria de um gesto solidário, por o não ser. Agrupam descontentes, mas falíveis de se tornarem joguetes nas mãos de quem os dirige e que os considera como “a minha gente”, (forma com se referiu, p.ex., um recente dirigente eleito aos seus), desconsiderando-os desta forma arcaica, abusiva e ultrajante (há sempre, também, quem goste de ser assim tratado). Arrastam inocentes e fogem ao confronto de ideias. Calam-se, quando se fala ou se propõe a verdadeira unidade. São perigosos, por conterem vaidades coladas a autoestimas de tudo saber sem necessidade de ouvir, embora os discursos serem em sentido contrário. Como poderão vir a ser, quando “poisarem” nos corredores que os levarão ao poder ?!? Que limites os farão parar perante a ganância do poder, ou a vingança sobre quem se lhes opuser estando numa posição hierárquica inferior?
Os valores apontam «sempre para “um bem” e é igualmente uma referência, uma “coisa que vale”, (General Themudo Barata, in “o Futuro de Quatro Valores Essenciais de Hoje no Portugal do Século XXI”, Conferências, 1999: 8).
As eleições aproximam-se. As clientelas formar-se-ão. As calúnias, as mentiras, a irracionalidade já começaram a saltar para a praça pública. Contudo, dirijo-me a todos aqueles que fazem parte do lote dos que se enquadram nas palavras deste General, independentemente da sua opção política.
Vale a pena ser-se honesto e fazer da Política o bom senso, a qualidade e a alegria de saber servir o próximo sem se servir dele!
Nota: Os sublinhados e negritos são meus.

Oh Sr. Artur Fontes, a inveja é uma coisa muito feia!!! Aliás, é um pecado capital!!.
Ficaria-lhe muito melhor, não ter este tipo de comentários… neste seu texto só demonstra quem anda a fazer da política um jogo !!! E com esta me calo….
Aceito o seu reparo, embora tenha outra opinião diferente da sua. Julgo, que identifica este meu texto com as eleições havidas no PS local. O que é falso. Os meus artigos, não são dirigidos a este ou aquele em especial. Se o ler bem, verificará que falo para todos os que fazem ou se aproximam da política. Aliás, deve ter lido o que eu escrevi :”todas as citações aqui enunciadas, servem para todos aqueles que abraçam a actividade política, independentemente da sua filiação partidária”. Mas, leia por si só!
Quanto à inveja, não a percebo! Inveja de quê? Ou de quem? Saiba que fui convidado por ambos os candidatos, para fazer parte das listas. E, a Senhora, a criticar negativamente, então, deveria criticar todos os pensadores políticos, pois são eles que nos dão os avisos e os alertas. É neles que eu procuro encontar ajudas para o meu caminho de cidadão. Para terminar, penso que lhe devem ter entregue (ou não), um exemplar onde exprimia as minhas razões de ter dado o meu nome a uma das listas aconselhando-a a ler para me perceber.
Agora, repito que se este artigo incomodar alguém, esse não será o meu problema. Interessa-me mais a filosofia da política do que a “politiquice”. Por outro lado, informo-a de que andei a leste destas eleições, por não concordar co o que ouvia e via, tendo apenas feito uma proposta de união (informe-se sobre quem não a aceitou) e feito um comentário a quem se reclamou de “representar os carregalenses”, na medida em que alguns destes se revoltaram por isso mesmo e me confundiram pelo nome! A senhora não me ofende por não ter percebido o meu artigo. Defendo a liberdade de pensamento, mesmo que pensem diferentemente do que eu penso, ao contrário de alguns, que só aceitam quem lhes diz sempre “sim”.
Eu percebi muito bem o seu artigo, e concluo o mesmo que conclui la atras: o sr não quis entrar inicialmente em nenhuma lista porque o que o sr queria era encabeçar uma. Se estou certa, e não tenho duvidas que estou, então porque não se chegou a frente quando em abril apareceram os 2 candidatos???. E so depois de tanto tempo quis a unificação das listas?? So acho de mau tom da sua parte, vir com estes comentarios e ainda por cima fazer-se de vitima!!! Não acredito que haja alguem no Carregal que tenha levado a mal que um candidato tenha dito que representava os Carregalenses. Por amor de Deus!!! Talvez seja so imaginação sua!!A ter este tipo de atitudes o sr não ajuda em nada o partido, muito menos o Carregal!!! Faça as pazes consigo mesmo, porque a sua conversa, apenas e filosofia que depois de espremida, não tem sumo menhum!!! Tambem aceito que se queira defender, mas existem atitudes que não têm defesa possivel.