QUEM NÃO ACOMPANHOU, PERDEU

HÉLIO BERNARDO LOPES * 

HÉLIO BERNARDO LOPES.jpg.

Pois é verdade, caro leitor: quem não acompanhou, pela uma da madrugada deste domingo, o excelente documentário da TVI 24 sobre o caso Julian Assange, ficou a perder. Perdeu a oportunidade de perceber a objetiva armadilha que foi montada contra o criador da WikiLeaks, que levou ao Mundo a realidade da hipocrisia, da mentira e da violação dos Direitos Humanos pelos Estados Unidos, um pouco por toda a parte.

Para os mais esquecidos, penso dever recordar o meu texto, FAZENDO O PONTO DA SITUAÇÃO, onde exponho, com base nos dados então conhecidos, e que pouco terão mudado desde aí para cá, o que, com elevada probabilidade, se poderá ter passado com Julian Assange e com o seu WikiLeaks. Ainda hoje penso não ter estado longe da realidade.

Mas o que mais me impressionou neste documentário foram dois dados essenciais e do mesmo tipo. Por um lado, o modo canalha, revelador de uma baixíssima estirpe moral, social e patriótica, da atual Primeira-Ministra da Austrália, ao alinhar incondicionalmente com os Estados Unidos, desprezando completamente a defesa de um seu concidadão australiano. Por outro lado, e na peugada do que escrevi no meu texto atrás referido, o facto do Governo sueco ter entregadodois nacionais seus, a pedido dos Estados Unidos, para fins de tortura em países árabes ou islâmicos.

Quem se determinar a reler o meu texto antes referido, lá encontrará o que poderá ver numa das repetições deste documentário de sábado: a Suécia, desde há algumas décadas, mesmo já do tempo da URSS, funcionou como um verdadeiro lago para a espionagem incondicional dos Estados Unidos, mormente ao redor dos Estados do Báltico, que eram, então, parte da União Soviética.

Incentivo, pois, na medida das possibilidades do valor de uma sugestão minha, que visionem, e com silêncio, este documentário da TVI 24, porque perceberão o real valor propagandístico dos Direitos Humanos, sobretudo, quando praticado pelos Estados Unidos, ou pelos seus países lacaios. E chamo a atenção do leitor para o silêncio cúmplice da enormíssima generalidade dos políticos portugueses face aos voos da CIA, às torturas sobre o soldado norte-americano, Bradley Manning, e face ao que se vem passando com Julian Assange. Estejam os Estados Unidos em causa, e já nenhum deles se determina a defender os Direitos Humanos…

  * Antigo professor e membro do Conselho Científico da Escola Superior da Polícia

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