HÉLIO BERNARDO LOPES *
Como todos recordamos bem, desde aquele tempo já distante em que o Governo deu o dito por não dito face às promessas que fizera durante a campanha eleitoral, e em que suspendeu durante este ano de 2012 os dois subsídios – de Verão e do Natal –, que surgiu a ideia de diluir os correspondentes valores, quando tal viesse a ser possível, pelos doze meses do ano.
Tal como pude então escrever, o objetivo era, nem mais nem menos, extinguir esses mesmos subsídios, mas no seu valor. Para tal, eram essenciais duas fases. Numa primeira, fazê-los desaparecer da zona de controlo social, feito pelos cidadãos, à luz da ideia de os distribuir pelos doze meses do ano. E, numa segunda fase, por jogos adequados ao nível dos escalões do IRS, acabar por retirar o valor aparentementeredistribuído. Assim se conseguiria, como agora vai ter lugar, retirar para sempre o valor dos dois subsídios, para tal invocando facilidades acrescidas de tesouraria, tanto no Estado como nas empresas privadas.
Para os cidadãos, porém, trata-se de uma perda a várias dimensões, porque a concentração dos mesmos em dois momentos do ano, para lá de permitir um controlo da devolução dos mesmos, permitia, por igual, sobretudo com o subsídio de Verão, dispor, concentradamente, de uma verba a ser usada no descanso anual, mas também servir de apoio ao início do ano letivo seguinte para os descentes.
Em contrapartida, a mudança no de Natal talvez até ajudasse a uma vivência menos pagã e material da época natalícia. Mas o anterior, serviria mesmo de apoio a uma retoma do turismo interno, como se sabe muitíssimo bem.
Sem um ínfimo de espanto, lá nos surgiu a UGT de João Proença a dar o seu apoio a esta medida, assim voltando a confirmar o seu aparentemente forte alinhamento com a política da atual Maioria-Governo-Presidente. Tal como se deu recentemente com a greve geral, em que a UGT alinhou objetivamente ao lado daquele terno, afastada do movimento sindical que se mostrou – e de que modo! – portodo este cancro político de hoje, que é a União Europeia. É sempre essencial estar-se atento aos falsos milagres…
* Antigo professor e membro do Conselho Científico da Escola Superior da Polícia


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