CARLOS PEIXEIRA MARQUES
O Secretário-Geral do PS visitou uma empresa de sucesso do nosso concelho. Segundo reportagem do Farol, o empresário visitado garantiu que «nada de político aqui transpareceu», mas, como não podia deixar de ser, os media fizeram eco político da visita, designadamente no que parece ser a actual cruzada do PS: o aumento dos salários. «[O empresário] está atento àquilo que se está a passar na nossa vida, isto é, que as pessoas precisam de ter um pouco mais de rendimento […] para poderem consumir e para poderem dinamizar a economia», foram palavras de Seguro.
Não me surpreende que Seguro seja incapaz de compreender que já tivemos décadas de aumento de consumo não suportado pelo aumento da produtividade; que seja incapaz de compreender que, durante esse período, a economia só “dinamizou” quando o investimento privado aumentou; que seja incapaz de compreender que uma economia endividada só poderá “dinamizar” substituindo procura interna por procura externa e que isso implica, necessariamente, uma diminuição dos custos do trabalho relativamente aos nossos parceiros comerciais. O que não acredito é que Rogério Abrantes se deixe embalar pela lengalenga de Seguro. Lembro-me das suas declarações ao Expresso de 18-3-2006, quando, apesar de haver 200 desempregados do Carregal inscritos no Centro de Emprego, não conseguia contratar trabalhadores porque os salários que podia oferecer não eram apelativos «para quem pode levar para casa praticamente o mesmo [dinheiro] sem fazer nada». Isso sim, era estar atento ao que se passava na nossa vida!
Bem sei que para Seguro “As Pessoas Estão Primeiro” e os números são uma maçada. Por isso, sem recorrer a derivadas, apresento aqui dois desenhos que devem ser fáceis de entender. O primeiro representa a evolução dos custos de trabalho em Portugal, comparativamente a todos os países da zona Euro e, em particular, à Alemanha, o elemento central desta zona monetária. De 2000 a 2008, os custos do trabalho no nosso país cresceram mais 20% do que a média da zona Euro e mais 100% do que na Alemanha. É demasiado evidente (bom, talvez nem tanto para os conselheiros de Seguro) que este tipo de evolução, apesar de ter permitido aos portugueses “ter um pouco mais de rendimento”, não pode ter dinamizado a nossa economia!
O segundo desenho mostra a evolução do desemprego até 2010, quando Gaspar nem sonhava ser governante, que é para não haver confusões. O desemprego está em queda na Alemanha desde 2005. Em Portugal é o que se sabe – pelo menos o que sabe quem “está atento àquilo que se está a passar na nossa vida”: não é com o aumento dos custos de trabalho (relativamente aos parceiros) que se cria emprego.
Voltando ao primeiro desenho, há várias formas de tentar inverter a situação. A mais criativa (ou nem tanto, uma vez que já foi sugerida por Krugman) seria obrigar a Alemanha a aumentar os custos de trabalho em 20% – decretar uma semana de trabalho de quatro dias seria fantástico. A mais realista, no entanto, seria Portugal diminui-los. O Governo não teve uma qualidade que se costuma figurar pelos frutos do tomateiro para por em prática a “desvalorização fiscal”. Assim sendo – e admitindo que Krugman não convencerá os alemães a imprimir Euros para a Europa empobrecer solidariamente – isto só lá vai pela via clássica: deixamos o Euro e imprimimos nós a moeda que nos apetecer até regredirmos o suficiente para competir; e/ ou o Estado falido deixa de pagar RSI e subsídio de desemprego e já ninguém «pode levar para casa praticamente o mesmo sem fazer nada». Parafraseando a minha colega Elisabete, ontem foi o primeiro (e o último, em Portugal) Dia Internacional da Felicidade. Espero que o tenham aproveitado.


Para quem gosta de numeros!
http://observatorio-das-desigualdades.cies.iscte.pt/index.jsp?page=indicators&id=243
Muito obrigado, Zé. Verifique no Quadro 2 o mesmo tipo de informação que eu apresento aqui no 1.º desenho. Atenção: o mesmo tipo, mas não rigorosamente os mesmos dados, porque os “meus” excluem os trabalhadores da administração pública, i.e. têm, de modo geral, a parte da economia que pode competir (em rigor, também devia excluir a produção de bens não transaccionáveis, mas isso é mais difícil de fazer).
Como sabe, na última década as remunerações da administração pública em Portugal diminuíram em termos reais. Se excluir este sector, tem rigorosamente o desenho que eu apresentei (pode acrescentar mais curvas de outros países).
Cumprimentos.
Caro Carlos Peixeira Marques,
Como primeiro ponto, admito que não li este texto seu, a minha paciência esgotou-se com as “politiquices” dos vários cidadãos com background político, pois porque caso não saiba todos os seres humanos, já que são imbuídos de inteligência, são “animais políticos”. E porquê que a minha paciência esgotou-se? Pois, porque os senhores não sabem o que é atividade política, utilizam o poder como mera vaidade, e isso viu-se em 2009 na eleição da mesa de Assembleia Municipal de Carregal do Sal. A política feita pelos senhores não passa de discursos ocos, uma mera retórica vazia e acusações sem olhar pelo Bem Comum.
Segundo ponto, sei de fonte segura que o PSD de Carregal do Sal está a “dar voltas” com a estrondosa derrota que irá chegar com as eleições autárquicas. Como antigo militante do PSD nada me poderia deixar mais satisfeito, apesar de não ser munícipe do concelho de Carregal do Sal, mas os meus concidadãos deste concelho merecem outras valências políticas e com outras alternativas, pois já como afirmava Abraham Lincoln: “A Democracia é feita para os cidadãos e pelos cidadãos”. O PSD está a tornar-se perigoso, já dizia um fundador, António Capucho, deste partido de pendor reformista, liberal nos valores, republicano e feito por activistas que nunca dependeram do “establishment”, não de novos-ricos e de saloios empertigados.
Terceiro ponto, sabe porquê que o PSD (pseudo-PSD de Carregal do Sal) se tornou dominante no seu concelho? Não tendo o mesmo nível de IDH do meu concelho, orgulhosamente pertenço ao Concelho de Nelas e que espero numa reforma de ordenamento do poder local agregue o concelho de Carregal do Sal, porque tivemos industrialização, escolarização e ótimas vias de comunicação. E já agora, a verdadeira elite do concelho de Carregal do Sal abandonou-vos, não me refiro aos senhores que governam desde 1989 a CMCS, que se não fosse a limitação de mandatos, só saíam se a cadeira corroesse e assim ficaram personalidades que se alimentaram pelo ódio a essas elites.
Quarto e último ponto, acha que pessoas que acusam jovens de 17 anos de idade de “vira-casacas” e “socialistas chupistas”, e que receberam ameaças violentas por parte dessas pessoas, por acaso a família desse jovem nunca trabalhou diretamente para o Estado, os únicos familiares são altos funcionários do Estado, reconhecidos até na União Europeia pela sua competência, pela sua cultura e pelo seu sentido de abnegação, devem representar os seus concidadãos? Para além disso, era um jovem e por isso, estava em formação.
Deixo o mote, apesar de ser antigo militante do Partido Social Democrata, que vença o Partido Socialista as eleições autárquicas no Carregal do Sal em Outubro 2013, que será com certeza um projeto de rutura com a continuidade do projeto que perfilha o cabeça de lista do PSD, “Vasquinho da Anatomia”, não designado por mim, mas sim por um senhor em o “Defesa da Beira” de 1989.
Com os melhores cumprimentos,
Caro Francisco Martinho:
Como já lhe disse repetidas vezes, via os múltiplos nicks que utilizou no passado, não alimento trolls. Julguei que, ao utilizar o seu verdadeiro nome, quisesse ultrapassar essa sua tendência para a provocação – mas julguei mal.