SÉRIE 2550 DA CP

TEIXEIRA DA SILVA *

Teixeira da Silva.JPG.

A “SÉRIE 2550” foi um tipo de locomotiva elétrica utilizada pela operadora ferroviária “Comboios de Portugal” e pela sua antecessora, “Caminhos de Ferro Portugueses”.

Esta família de locomotivas foi introduzida no decorrer dos anos de 1963 e 1964, com a finalidade de assegurar os serviços nas linhas que haviam sido eletrificadas, no âmbito da segunda fase do respetivo programa. Um exemplo, foi terem passado a rebocar os principais serviços entre as duas maiores cidades do pais, nomeadamente o comboio “Foguete”.

Foram construídas em Portugal, por um consórcio entre o “Groupement d’Étude et Electrification des Chemins de Fer en Monophasé 50 Hz” e as “Sociedades Reunidas de Fabricações Metálicas”. As caixas foram fabricadas em aço inoxidável canelado, nas instalações fabris da Amadora (antiga Porcalhota), da extinta “Sorefame” – com licença Budd Company – a fim de reduzir os pesos mortos e para que o design das locomotivas ficasse semelhante às carruagens metalizadas da “Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses” que haviam sido fabricadas por aquela empresa americana. Estas foram as primeiras locomotivas no mundo a utilizar este método de construção nas caixas (já tardava sermos os pioneiros em algo ferroviário!)

Os bogies foram produzidos em Portugal, mas planeados pela casa alemã “Henschel Werke”. Em conjunto com as locomotivas da Série 2500 (crónica anterior), formavam o parque de locomotivas a tração elétrica da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, em finais do ano de 1965.

Após a entrada da “Série 2600” (a historiar proximamente), em 1974, foram sendo progressivamente, afastadas dos comboios de passageiros, também, em conjunto com a série anterior (2500) e destacadas para rebocar composições de mercadorias. Os derradeiros comboios de passageiros tracionados por estes veículos foram realizados na Década de 1990. Lateralmente, detinham graves problemas de instabilidade na suspensão em velocidades que rondassem os cem quilómetros/hora.

No ano de 1994, as cabinas da locomotiva número 2565 foram pintadas de encarnado, para servir de teste ao novo esquema de cores para aquela operadora; apesar de o esquema requerer que o corpo da locomotiva fosse pintado de cinzento – contrastando com as cabinas encarnadas – ficou decidido que, neste caso, o corpo ficaria sem pintura, com a cobertura em aço inoxidável original, o que viria, mais tarde, a ser aplicado a todas as locomotivas desta mesma série.

Depois da introdução ao serviço, no ano de 2009, das novas locomotivas Série 4700 (serão objeto de uma próxima crónica…), foram todas abatidas ao serviço.

Esta série foi constituída por vinte locomotivas elétricas, do tipo Bo Bo – 2500, para serviço de linha, em vias de bitola ibérica. A configuração dos rodados era em Bo’Bo’, sendo que a tensão usada era de vinte e cinco quilowatts cinquenta hertz.

Os rodados (novos) possuiam mil e trezentos milímetros de diâmetro, sendo a transmissão hidráulica. Cada veículo contava com quatro motores de tração , tipo TAO-645 A1 da “Alsthom” e, cada motor, debitava cento e oitenta sete Cavalos de potência, sendo quinhentos e sessenta disponíveis para utilização. A potência nominal era de dois mil e cinquenta três quilowatts ou dois mil, setecentos e noventa Cavalos; sendo o esforço de tração (aquando do arranque) de cento e oitenta cinco quilonewtons.

Esta série veio a ser numerada de 2551 a 2570, sendo a sua velocidade máxima de cento e vinte quilómetros/hora, correspondente ao regime contínuo de sessenta e dois quilómetros. Finalmente, o peso (em ordem de marcha) era de setenta toneladas e meia.

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(Esta fotografia foi tirada por Pedro Zúquete ao areeiro da Linha do Sul, entre as estações de Vale do Guizo e Grândola. Não mostra a realidade de como eram estas locomotivas, mas sim uma alteração que sofreram em 1993, para circularem em dupla tracção)

 * António Joaquim Teixeira da Silva

Write by “texasselvagem”,

in Gondomar (Oporto), Portugal

April.2013.

3 Comments

  1. Realmente muito bonita…..me lembra uma historinha para criancas que tem como figura mais importante uma locomotiva e cuja mensagem eh…..’sim eu posso’! Historinha que ensina as criancas o valor de perseverarem e insistirem para conseguirem alcancar seus objetivos….Pena que tal potencia foi desmantelada…..estaria em uso por mais uns 100 anos se assim o permitissem! E certamente poderia puxar uns 4 ou 5 carros com turistas que poderiam apreciar as paisagens que outrora participavam de suas rotas…..

  2. Olá amigo João, melhor amigo “el comandante” descobriu-me uma vez mais. Sim, sou eu e a minha mania das “escrivuras”. Continue a consultar este site e vá dando notícias. Como o blogue “texasselvagem” já não aguenta mais textos, as minhas últimas andanças ferroviárias estão descritas no “selvagemtexas”.
    A paciência do ilustre editor, Lino Dias, tem sido inesgotável, permitindo que o “recruta” vá dando “ares” do seu analfabetismo!
    Obrigado aos dois,

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