HELENA ROMÃO
Temos uma ministra das finanças. Não querendo nem conseguindo, por falta de informação e outros pré-requisitos, opinar sobre a sua competência para o cargo fico-me por um congratular-me pela oportunidade dada ao género e devo dizer que gostaria (a bem de todos) que fizesse um bom trabalho.
Esta é talvez uma prova de que as mulheres lusas estão, como no restante mundo ocidental, a assumir maior protagonismo decerto por terem mais qualificações e estarem mais bem preparadas.
No nosso país, as mulheres, como se refere no relatório do INE “Estatística no feminino: ser mulher em Portugal 2001-2011”, “(…) Estão em maioria no ensino secundário e superior. Têm vindo a aderir às novas tecnologias. Integram o mercado de trabalho, mas têm taxas de desemprego mais elevadas. (…)” sendo maior o seu risco de pobreza.
Esta aparente contradição significa que falta algo, talvez o desenvolvimento de competências que poderão não estar a ser treinadas pelos curricula e atrever-me-ia a referir o raciocínio crítico e criativo e o empreendedorismo, entre outras.
Às vezes impõe-se-nos a seguinte questão: ao longo dos séculos, que terão feito os nossos políticos com o trabalho dos intelectuais e cientistas? Que importância lhes terá dado o país? É que, por vezes, verificamos que se fossem ouvidos e seguidos tudo estaria melhor.
Ocorre-me, com frequência, ouvir falar de estudos estrangeiros sobre a produção crítica ou científica de portugueses que por cá são ignorados ou perfeitos desconhecidos.
Um exemplo notável é o de Luís António Verney autor de “O Verdadeiro Método de Estudar” (que poderão ler nos livros do Google) que dedica um capítulo ao “Estudo das Molheres” (grafia da época) defendendo-o com dois argumentos de peso: o da capacidade e o da necessidade (a partir da página 291).
Assim, diz ele: “Pelo que toca à capacidade, é loucura persuadir-se, que as Mulheres tenham menos, que os Homens. Elas não são de outra espécie no que toca a alma: e a diferença do sexo não tem parentesco, com a diferença do entendimento.
A experiência podia, e devia desenganar estes homens. Nós ouvimos todos os dias mulheres, que discorrem tão bem, como os homens: e achamos nas estórias mulheres que souberam as Ciências muito melhor, que alguns grandes leitores, que nós ambos conhecemos. Se o acharem-se muitas, que discorrem mal, fosse argumento bastante para dizer, que não são capazes com mais razão o podíamos dizer, de muitos homens. Compare V. P. uma Freira moça da Corte, com um Galego de meses e verá quem leva vantagem.(…)
Quanto à necessidade, eu acho-a grande, que as mulheres estudem. Elas, principalmente as mães de família, são as nossas mestras, nos-primeiros anos da nossa vida: elas nos ensinam a língua e elas nos dão, as primeiras ideias das coisas. E que coisa boa nos hão de dar, se elas não sabem o que dizem?
Certamente, que os prejuízos que nos metem na cabeça, na nossa primeira meninice são sumamente prejudiciais, em todos os estados da vida: e quer se um grande estudo e reflexão, para se despir deles. Alem disso, elas governam a casa; e a direção do económico, fica na esfera da sua jurisdição. E que coisa boa pode fazer uma mulher, que não tem alguma ideia da-economia. Alem disso, o estudo pode formar os costumes, dando belíssimos ditames, para a vida: e uma mulher que tem, alguma noticia deles, pode nas oras ociosas, empregar-se em coisa útil (…)” (excerto transcrito da obra citada).
Pois bem, se o argumento da capacidade não nos será estranho já poderá sê-lo o da necessidade. Verney fundamenta muito bem essa necessidade de mulheres boas educadoras nos primeiros anos de vida das crianças e convém que seja conhecida e reconhecida a importância do vocabulário (riqueza conceptual) e se reforce a ideia de educação racional desde os primeiros anos de vida das crianças.
Recordo-me de uma senhora que me contava, um dia, que a mãe a tinha educado com provérbios. Pois acredito que fossem provérbios, estereótipos, preconceitos, crenças e ideias feitas que por, muito práticas que sejam no dia a dia, não resolvem problemas de uma realidade complexa que necessitem de formulações racionais ou até científicas.
Consciente da mesma necessidade estaria Antero de Quental que em “A Educação das Mulheres”, ensaio que seria incluído nas “Prosas da Época de Coimbra” (1859-1861) defenderia a necessidade de se garantirem os direitos femininos à educação.
Mais tarde seriam as próprias mulheres, como Maria Amália Vaz de Carvalho (1847-1921), nas suas “Cartas a Luiza”, a reconhecer a necessidade e a importância da educação feminina – tema recorrente nas suas obras – contestando as ideias frequentes de que deveriam manter-se ignorantes, pois a instrução poderia levá-las a um destino de “tristes aberrações”.
Ana de Castro Osório (1872-1935), mais conhecida como uma das mais brilhantes teóricas do Feminismo, questionou também as limitações dos direitos das mulheres à igualdade civil e política no mundo e em Portugal, neles incluindo o direito à educação e o direito de voto.
Enfim, a educação das mulheres seria algo que deveria ter merecido a atenção dos políticos muito mais cedo, quanto mais não fosse por razões de utilidade para a geração seguinte, como pretendia Verney. Com as gerações que já se sucederam estaríamos decerto muito melhor.


Um artigo muito repleto de efeitos que se referem à mulher!Ora ,tudo isto ,e desde que se deu a tal mudança do ,quase esquecido Abril,foi matéria muito debatida nas lutas a que assisti,e recordo-me de em uma noite ,num plenário dentro de uma certa Igreja na cidade,que era discutida a inclusão de uma mulher,ao tempo solteira,para ocupar um simples trabalho,na Empresa de ajudante de analista,isto onde só era ocupado por homens,,,Então,os senhores daquela secção ,não aceitavam a senhora no seu meio porque ,(naturalmente o vocabolário era outro..)Pois bem ,a minha voz ergueu-se:Quem aqui não tem ,ou teve uma mãe?Quem aqui não tem filhas noras ,ou mesmo netas?E prezada amiga,o silencio fez-se notar durante alguns segundos!Então a jovem “Constança”,que hoje ,naturalmente ,.além de ter um filho e uma filha ,até já tem netos,dias depois passou para o Laboratório e mais tarde para Telefonista da Empresa Ora ,tudo quanto aqui é dito,e felizmente que foca uma das teses que também já falei,é orgulho para a mulher ocupar certos cargos,sim ,porque foi dela que partiram os primeiros passos ,quer como mãe ensinando comportamentos,quer mesmo como professora orientando pelo seu saber aquilo que de melhor também lhe teria sido ensinado,mesmo que fosse por partes de ensino masculino,porque o que está em causa é a igualdade de oportunidades desde o ensino às Empresas pela ocupação de competividade que muitos anos esteve esquecida.
Sr. Adelino, obrigada pela partilha de mais essa estória, pela ética das suas posições e assertividade do seu comentário.
É com muita satisfação que ,sempre compartilho,porque ,já aqui me referí,e por várias vezes,ter sido criado num ambiente familiar pouco aceitável,pelo comportamento do meu falecido pai,e perante ,alem da minha mãe,também os filhos não escapavam,e que para os de fora ,era simpático.Bom mas ambos já lá estão no sítio de repouso.Pois bem, por não me sentir realizado na minha adolescência,iria completar os dezoito anos ao barreiro,onde um tio meu ,para onde fui residir ,também mal tratava a minha tia ,ou seja a irmã mais nova de minha mãe,que daqui a dias terá noventa e três anos,calcule,e o meu tio já partiu há perto de vinte.Um dia o todo poderoso ,pegou num chapéu da chuva e queria atirar à minha tia,só que eu o impedi,e lhe disse:saí da casa dos meus pais pelos maus tratos a que assistia,mas ,não é justo que um homem por isto ou aquilo bata na sua mulher!O meu tio ouviu,e depois de ter partido o chapéu nas minhas costas,porque eu não o deixei bater na minha tia,nunca mais lhe tocou.Ora , como poderá deduzir,e pela minha conduta de humanismo ,sou contra a violência .Depois de algum tempo ,porque fiz o serviço militar em Coimbra em mil nove e cinquenta e nove,vinha de quando em vez aqui a Parada passar o fim de semana ,e o meu pai já me ouvia e aceitava as chamadas de atenção,porque eu lhe dizia que tinha morrido quando saí,mas resçussitei noutra pessoa,e como tal ,perto de mim não admitia que alguém mal tratasse as mulheres.
e ,depois de ter ficado viúvo ,uma criança,quer com o primeiro quer com o do egundo casamento sempre tem imperado a paz no meu lar.
Obrigado Drª Helena,e desculpe-me este desabafo.