TEIXEIRA DA SILVA *
O “FAROL DO CABO DE SÃO VICENTE”, cuja designação oficial é “Farol de Dom Fernando”, localiza-se no Cabo homónimo, no interior da fortaleza, na freguesia de Sagres do concelho de Vila do Bispo, em terras algarvias.
Trata-se de uma torre cilíndrica em cantaria, com edifício anexo. A lanterna e o varandim são vermelhos. A sua altura é de 28 metros, para uma altitude de 86 metros acima do nível médio das águas do mar.
Este farol foi mandado edificar por Dona Maria II, tendo entrado em funcionamento em outubro de 1846. A iluminação foi efetuada por azeite e a caraterística da luz constava de dois clarões de dois segundos a cada dois minutos, atingindo um alcance que rondaria as seis milhas náuticas.
Poucos anos passados, o farol foi votado ao abandono, atingindo um estado de pré-ruína.
No ano de 1897, derivado do estado precário e do pouco rendimento da sua luz, iniciaram-se trabalhos de remodelação. A torre cresceu em altura 5,70 metros e o aparelho ótico inicial foi trocado por um novo, mais avançado. As obras (…pareciam as de Santa Engrácia…) demoraram onze anos, recomeçando a trabalhar em 1908 com um novo aparelho hiper-radiante, por lhe ter sido instalado um aparelho lenticular de Fresnel de 1330 milímetros de distância focal. Nesta altura, o farol passou a ter um período de 15 segundos e 5 relâmpagos e o alcance luminoso passou para as 33 milhas.
Em 1914 foi instalado um sinal sonoro e em 1926 foram colocados motores-geradores para possibilitar a substituição da lanterna a vapor de petróleo por uma lâmpada elétrica. Atendendo às condicionantes da Segunda Guerra Mundial – em 1947 – foram-lhe instalados painéis defletores, tornando-o um farol aeromarítimo, tendo, no ano de 1949 sido ligado à rede pública de energia elétrica. Um ano depois foi instalado um radiofarol que esteve em funcionamento até 2001.
Pode ser visitado pelo público em geral, às quartas-feiras, no período da tarde, entre as 14,00 e as 17h00.
Recuando no tempo, temos que no ano de 1520 foram descobertos indícios da existência de um farol rudimentar numa torre especial do convento, que entretanto virou fortaleza. Entre 1521 a 1557 foi ordenada a construção de outra torre mais avantajada por Dom João II para defesa de ataques de soldados e marujos luteranos. Em 1587 a torre foi destruída no ataque do corsário Francis Drake. Em 1606 deu-se o reacendimento do farol, depois da restauração da torre, a mando de Dom Filipe II de Portugal.
O restante foi já descrito até aos nossos tempos, sendo que a missão se mantém como ajuda à navegação.
* Pesquisa, compilação e adaptação de
TEIXEIRA DA SILVA, AJ.
Gondomar (Porto), Portugal
Agosto.2013.


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