Ao iniciar o Advento (tempo que nos prepara para a Celebração do Natal), é preciso recordar a Esperança. Sem ela não poderíamos perceber um futuro positivo e desejável. Afundar-nos-íamos num pessimismo de quem sente ter fracassado na vida. Sem um futuro realmente luminoso, perdemo-nos no caminho. O futuro fixa em nós a humilde lâmpada da Esperança.
Todos necessitamos de esperar algo. Aguardamos a hora feliz de conseguir o que ansiamos. Mas o que esperamos não cai das nuvens, há-de ser preparado com o nosso empenho e dedicação. As coisas podem oferecer satisfações, mas não trazem felicidade. Não basta pois esperar algo, é preciso esperar alguém. Isto o sabem os jovens, que aguardam a pessoa com quem possam partilhar o seu amor. Sabem-no os esposos, que esperam a chagada dos filhos. Viver em ‘estado de Esperança’, é a imagem de toda a existência humana.
Além de esperarmos alguém, precisamos de esperar em alguém. Pôr na outra pessoa a nossa confiança. Repousar nela. Isto é o que aproxima a Esperança à fé humana e ao amor interpessoal. Existe o risco de que esperar no outro nos possa defraudar. Temos de ascender a outro nível, de esperar no Outro, maior do que nós. Queremos que nos acolha com alegria e generosidade, que nos ame até nos perdoar e que nos ajude em cada dia, como se fosse o primeiro da nossa vida. Desta maneira, só podemos esperar em Deus.
Por fim, necessitamos que alguém espere algo bom de nós. Que espere em nós! Necessitamos de nos sentir necessitados. Todos agradecemos que os outros confiem em nós e se fiem de nós. Queremos que estejam seguros de que podemos fazer algo de significativo na nossa vida e para a vida dos outros. Pois bem, uma Esperança tão firme e tão motivada, tão amada e fiel, só Deus no-la pode demonstrar.
O grande desafio do Avento é este: “Sejamos luzes de Esperança!” É desajustado querer substituir a Esperança última e verdadeira pela transitoriedade das esperanças imediatas. É isto que nos recorda o tempo do Advento!

Pe. Virgílio

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