CARLOS PEIXEIRA MARQUES
Na sequência do meu artigo anterior, venho agora demonstrar a relação positiva entre liberalismo económico e desenvolvimento humano, esperando que se perceba que, ao invés de gerar pobreza, a liberdade económica está associada, não só ao crescimento económico como ao desenvolvimento das sociedades.
No gráfico abaixo podemos ver a posição de cada país em dois eixos: no horizontal está representado o liberalismo económico – quanto mais para a direita, mais liberdade económica existe; no vertical representa-se o desenvolvimento humano – quanto mais para cima, mais desenvolvido é o país. O índice de liberalismo varia entre 0 e 100, sendo a média (dos 175 países para os quais foi possível obter valores de ambas variáveis) 60; o índice de desenvolvimento varia entre 0 e 1, sendo a média 0,67. Considerando as médias, é possível dividir o gráfico em quatro áreas, de acordo com a posição dos países abaixo ou acima da média em cada índice.
A maioria dos países agrupa-se no quadrante superior direito (elevados liberalismo e desenvolvimento) ou no inferior esquerdo (baixos liberalismo e desenvolvimento). São raros os casos de países com grande liberdade económica e desenvolvimento inferior à média. Já no quadrante superior esquerdo, agrupam-se países menos liberais mas com desenvolvimento superior à média (embora consideravelmente inferior aos países liberais mais desenvolvidos) – para além dos socialistas Cuba e Venezuela, aparecem neste grupo vários países da América do Sul, países da ex-URSS e… a Grécia. Para os leitores que tenham noções básicas de estatística, informo que o coeficiente de correlação de Pearson entre os dois índices é de 0,653, o que significa que, não havendo outra explicação, o liberalismo económico pode explicar 43% da variação do IDH entre países.
Note-se que há dois casos extremos de liberalismo económico em países que não têm tão elevado liberalismo político – Hong Kong e Singapura. Logo de seguida, surgem no topo do ordenamento quatro dos países mais democráticos do mundo, que conseguem exibir também bom índice de desenvolvimento – Austrália, Nova Zelândia, Suíça e Canadá. Portugal surge no 65.º lugar, com uma pontuação de liberdade económica ligeiramente inferior a Cabo Verde e com valores semelhantes ao Kuwait e à Turquia.
Em resumo, com esta informação quantitativa pretendo demonstrar que: (1) os países economicamente liberais apresentam valores médios de desenvolvimento superiores aos não liberais; (2) Portugal está muito longe de ser um exemplo de liberalismo económico, ocupando apenas o 65.º lugar no respectivo ranking. A conclusão fica a cargo do leitor…


Caro Peixeira
Quanto a liberalismo estamos elucidados com a performance dos actuais governantes, e creio que ficaremos curados dessa doença, deixo aqui uma pequena anedota relativa ao grande líder que tão denodadamente nos aponta o caminho e a salvação. E por aqui me fico
“Enquanto costurava um corte na mão de um ancião, o médico e o paciente começaram a conversar sobre o país, o governo e, fatalmente, sobre a Passos coelho.link
O velhinho disse:
– Bom, o senhor sabe, a Coelho é como uma tartaruga em cima do poste…
Sem saber o que o ancião quis dizer, o médico perguntou o que significava uma tartaruga num poste.
E o ancião respondeu:
– É quando o senhor vai indo por uma estrada, vê um poste e lá em cima tem uma tartaruga tentando se equilibrar. Isso é uma tartaruga num poste.
Diante da cara de interrogação do médico, o velho acrescentou:
– Você não entende como ele chegou lá;
– Você não acredita que ele esteja lá;
– Você sabe que ele não subiu lá sozinho;
– Você sabe que ele não deveria nem poderia estar lá;
– Você sabe que ele não vai fazer absolutamente nada enquanto estiver lá;
– Você não entende porque o colocaram lá;
Então tudo o que temos a fazer é ajudá-lo a descer de lá, e providenciar para que nunca mais suba, pois lá em cima definitivamente não é o seu lugar!
Bom dia.
Como disse no artigo anterior, «Liberalismo é coisa que nunca passou por aqui, nem no séc. XIX, quando tivemos um regime constitucionalmente liberal, muito menos hoje, que temos uma Constituição alegoricamente socialista.»
O ponto inicial dessa crónica é mesmo esse – chamar liberal ao nosso sistema económico só pode ser mesmo confusão!