ANTÓNIO ABRANTES *
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Passados alguns meses sobre as últimas eleições autárquicas talvez não seja despropositado tecer algumas considerações sobre aspectos da actividade dos novos órgãos municipais de Carregal do Sal e, se me é permitido, dar algumas sugestões.
1 – Sobre o jornal “Uvas e Romãs” – é uma boa iniciativa esta de mostrar empresas, actividades e deliberações aos munícipes e demais interessados.
A “gazeta” trimestral é simpática. Pelo menos não cai na velha tentação de “endeusar” o presidente da Câmara como é muito frequente ver-se por aí em que as “revistas” camarárias não passam de propaganda eleitoral do presidente, mesmo que fora de tempo, em comezainas com amigos (à custa do erário público), a cortar a fita ou a lançar a primeira pedra de obras banais, públicas ou dos seus correligionários privados.
2 – A Assembleia Municipal acaba de estipular sessões ao fim do dia, segundo dizem, para permitir uma maior presença e participação dos munícipes, o que é de louvar. Penso que o mesmo poderia ser feito para as reuniões do executivo camarário, no que respeita às reuniões abertas ao público. O caso do alto preço da água ao domicílio fora apresentado numa destas reuniões da Câmara. É muito saudável que se facilite a participação dos munícipes, dar-lhes a possibilidade de exporem os seus problemas e sugestões. Com isso todos temos a ganhar.
3 – Não ficaria mal que a Câmara Municipal e a Assembleia Municipal estabelecessem um calendário de debates, devidamente programados, sobre temas que interessem ao município para os quais importa mobilizar os munícipes mas também as mais diversas instituições privadas como empresas, associações culturais, instituições de solidariedade, bombeiros, etc., fazendo-as participar activamente nesses debates.
Dois temas, a título de exemplo: 1) cuidados a ter na manutenção da floresta e no uso do fogo na época estival ou sempre que haja risco de incêndio florestal – nunca é de demais falar sobre isto; 2) o uso (e abuso) de herbicidas e pesticidas por parte de todos, de juntas de freguesia, de privados, etc., muitas vezes sem critério e desconhecendo os reais efeitos nocivos desses produtos.
Mas podíamos falar noutros temas: a indústria no concelho, a formação e a obtenção de qualificações profissionais; a preservação do património histórico-cultural do concelho e sua promoção turística, etc.
A abordagem de cada um destes temas poderia culminar numa conferência com a participação de especialistas e formas práticas (não dispendiosas) de divulgação e sensibilização públicas.
Mas tudo isto não tem que ser à custa de grandes orçamentos porque também não tem que haver jantares ou grandes festanças para o pagode…e novas eleições ainda estão longe.
Servir a população, o município e o seu desenvolvimento, sim. Bem precisamos!
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Janeiro, 2014.
* Professor aposentado do ISPV


Caro Professor,
Uma das reuniões do executivo camarário, a que se realiza na 4ª sexta-feira de cada mês é aberta ao público e inicia-se às 20:00 horas.
Cumprimentos