JOÃO FIGUEIREDO *
Participei recentemente, na cidade de Paris, nas jornadas Parlamentares da OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico) em representação da Comissão Parlamentar de Segurança Social e Trabalho.
Os trabalhos, que duraram 3 dias, abordaram, entre outros, temas relativos à situação económica, social e financeira dos diversos países que fazem parte daquele organismo, incluindo Portugal.
Ao nosso país têm sido reconhecidos progressos no sentido de melhorar o grave desequilíbrio entre aquilo que Portugal produzia e as elevadas despesas que foi assumindo.
Bem sabemos que essa evolução positiva tem sido alicerçada no enorme sacrifício que tem vindo a ser pedido aos portugueses, mas nunca é demais lembrar que há dois anos e meio o nosso país não tinha dinheiro para pagar salários e pensões.
O empréstimo então solicitado obrigava a um conjunto de reformas que incluía, por exemplo, o ajustamento dos serviços públicos às necessidades das populações, a redução de autarquias, o aumento do IVA na restauração ou o corte nas prestações sociais.
Com as recentes declarações de António José Seguro parece que tudo isso foi esquecido. Não deixa por isso de serem preocupantes as suas afirmações no sentido de, ultrapassado que esteja o período de assistência financeira e na possibilidade do PS voltar a governar o país, ele querer desbaratar tudo o que até agora foi recuperado com tanto sacrifício.
Aquele responsável político todos os dias aparece a criticar, a maldizer e a desfazer nas medidas que têm de ser tomadas por força das condições negociadas pelo governo do seu partido.
Se essa situação já não fosse, por si só, demasiadamente descarada, ela não se faz acompanhar de qualquer alternativa, de qualquer proposta credível que leve à diminuição da despesa do Estado.
A história lembra-nos que sempre foi assim: O PS no governo gasta à “tripa forra”, a seguir vem o PSD colocar as contas em ordem e organizar o país de forma equilibrada e sustentável.
Mas começa a ser um pouco demais. Em 2011 quase levavam o país à desgraça financeira, agora, que começámos a levantar um pouco a cabeça, lá vem o PS desfazer naquilo que o governo e os portugueses construíram com tanto sacrifício.
Com comportamentos destes, como é que a classe política pode ser valorizada pelo cidadão comum? Com discursos populistas e sem sentido de responsabilidade, como é que os eleitores podem confiar nesta oposição?
A libertação das garras da Troika não significa diminuição da disciplina e do rigor orçamental. Não nos podemos esquecer que, por força do acordado com a União Europeia, o deficit em 2015 terá de ser 2,5%. Não é, por isso, surpresa para ninguém que o ajustamento terá de continuar. Sem decisões titubeantes e hesitações perigosas. O caminho da restruturação, do ajustamento e do rigor começado em Junho de 2011 é longo e tem muito ainda a percorrer.
Embarcar no facilitismo e na ilusão que os responsáveis do PS insistem em prometer é um forte prenúncio de que, num eventual regresso à governação do país, vamos ter a bancarrota de volta a Portugal.
Pensem nisto!
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* Deputado do PSD


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