HÉLIO BERNARDO LOPES *
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Teve lugar, finalmente, a segunda grande manifestação dos elementos das forças de segurança e ordem pública que a atual Maioria-Governo-Presidente levou a que tivesse lugar. Foi, como pôde ver-se, uma manifestação gigantesca, bem maior que a anterior e repleta de significado político. Vejamos alguns dos seus aspetos.
Em primeiro lugar, Portugal está hoje transformado num autêntico barco à deriva, onde a governação, fortemente suportada pelo Presidente Cavaco Silva e pelo silêncio da Igreja Católica, não tem outra direção que não seja ir criando progressivamente mais pobreza à generalidade dos portugueses.
Em segundo lugar, esta manifestação terá concitado entre uma dezena e meia e as duas dezenas de milhares de manifestantes. Se a cada um destes juntarmos descendentes e ascendentes, torna-se muito simples perceber a real dimensão do que aqui esteve em jogo e o que a mesma realmente significa.
Em terceiro lugar, aos manifestantes é necessário juntar os seus colegas, da PSP e da GNR, que foram escalados para fazer cumprir as injustas diretivas da atual Maioria-Governo-Presidente. Nunca se terá visto em Portugal, na II ou na III República, algo de similar.
Em quarto lugar, todos nós sabemos que esta manifestação gigantesca só teve lugar por via dos laços fortes de natureza corporativa entre os seus elementos, porque o que deveria ter lugar em Portugal, e a um ritmo semanal, seria algo de proporcional, mas a uma escala nacional. Os portugueses estão hoje desejosos da saída dos atuais detentores políticos da soberania minguante que ainda nos resta.
Em quinto lugar, esta manifestação mostrou que Miguel Macedo, tal como Paula Teixeira da Cruz, terão já ultrapassado, em desprestígio político, o próprio José Pedro Aguiar-Branco. É um Portugal à deriva por via da perda de comando e controlo do próprio Governo, lamentavelmente mantido pelo Presidente Cavaco Silva, e com o infeliz e condenável silêncio da Igreja Católica.
Em sexto lugar, a lamentável ausência das associações militares, de praças, sargentos e oficiais, embora tenham manifestado o seu pleno apoio aos objetivos da mesma. É por esta ausência, em minha opinião, que deverão ser interpretadas os dois apelos de Vasco Lourenço ao seus colegas militares, no sentido de nunca se voltarem contra o nosso povo…
E, em sétimo lugar, este meu convite ao leitor: deite-se a pensar, e mesmo a dialogar com gente conhecida ou amiga, e veja se consegue deduzir o mais importante – e repleto de riscos – significado desta gigantesca manifestação. É muito fácil deduzir o que está em causa, mas entendo não dever referir tal conclusão no plano público. Hoje, com a atual Maioria-Governo-Presidente, à beira dos quarenta anos da Revolução de 25 de Abril, Portugal já não tem leme, com uma soberania fortemente minguada, comportando-se como um autêntico barco à deriva.
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* Antigo professor e membro do Conselho Científico da Escola Superior da Polícia


Professor Hélio
Não pude deixar de assistir a essa grandiosa manifestação (Ai a minha saúde, mas uma pessoa não é de ferro!). Admirei aquela gente e senti uma raiva infinita contra este governo. Tornou-se perito em virar polícias contra polícias, hospitais públicos contra hospitais privados, ensino público contra ensino oficial…São uns “bandalhos” a dividir e enfraquecer.
Mas penso que aqui ficou bem demonstrado que a polícia de serviço e a que estava em manifestação estavam muito unidas: só não fizeram o que não quiseram. Agora ridiculamente vêm com ameaças de castigos, porque tudo foi filmado, etc. etc. mas eles sabem que o povo não é cego nem burro.
Lamento muito que o exército não se tenha juntado. Já vimos que o governo o tem mantido sossegado com aumentos e privilégios, mas tenho esperança que um dia façam aquilo que fizeram em Abril de 1974, porque devem existir no seu meio amigos de Portugal e dos Portugueses.
Um abraço
Caríssima Luz Canário
Hoje é que temos uma verdadeira brigada do reumático, com a soberania nacional a ser despedaçada a pataco e com a nossa grande comunicação social preocupada, e em peso, com a bola nossa de cada dia. Sabe o que lhe digo? Temos a democracia! E um grande abraço de amizade e consideração.
Hélio Bernardo Lopes