JOÃO FIGUEIREDO *
O fim-de-semana passado foi dedicado quase por inteiro à Serra do Caramulo.
No Sábado estivemos presentes no seminário “Caramulo, pensar o presente, planear o futuro.”
Neste importante momento de reflexão para que a Serra do Caramulo possa renascer das cinzas, ficámos a saber, entre outras importantes informações, que na tragédia que assolou a “mais linda serra” arderam 10.000 hectares, na sua grande maioria de pinheiro bravo. Uma área impressionante, que incidiu maioritariamente no município e Tondela mas que afetou também os de Vouzela, Oliveira de Frades e Águeda.
No final da tarde de Domingo decorreu uma reunião de trabalho entre autarcas, responsáveis pela Proteção Civil e o grupo de trabalho de deputados da Assembleia da República que está encarregue de averiguar as causas e as consequências da desgraça que anualmente assola o nosso país.
Foi possível perceber a preocupação que as autarquias estão a colocar não só na reflorestação da área afetada, mas também o empenho na recuperação de infraestruturas destruídas.
A Assembleia da República não ficou indiferente à tragédia dos fogos florestais e por iniciativa da Sra. Presidente foi criado um grupo de trabalho que visa, entre outras, apresentar propostas legislativas que levem a ultrapassar constrangimentos, ao mesmo tempo que recomenda medidas ao Governo que sejam optimizadoras de prevenção e combate a este flagelo, equacionando os recursos para esta problemática.
Na Segunda-feira visitámos algumas áreas ardidas. Umas onde predomina o eucalipto, a zona de Mosteirinho e São João do Monte, e outras onde predomina o pinheiro, as freguesias de Guardão e Santiago de Besteiros.
No local podemos verificar as dificuldades que os bravos soldados da paz tiveram de enfrentar para deter o gigante de fogo que andou à solta pelos encantos da serra, ao mesmo tempo que tomámos consciência da devastação provocada ao redor das aldeias serranas, onde, ao cenário negro do Verão, se juntaram as derrocadas e aluviões ocorridas neste Inverno rigoroso, que arrastaram muito material para o vale, destruindo levadas e açudes.
Constatámos que, após estes acontecimentos trágicos, importa tomar medidas e decisões que proporcionem o renascer das cinzas de um dos espaços mais emblemáticos da nossa região: o vasto território da Serra do Caramulo.
Que a reflorestação e todas as iniciativas a ela associadas que venham a ser tomadas contribuam não só para que este cenário não se volte a repetir, mas, essencialmente, que todo aquele território volte a ter o esplendor do passado, acompanhado de infraestruturas e equipamentos que captem a visita de turistas, que potenciem a venda de produtos locais, que promovam a nossa cultura e gastronomia e assim contribuam para o desenvolvimento económico de toda esta região.
É verdade que saímos do Caramulo de coração apertado pelo cenário sombrio que ainda hoje cobre aquela Serra, mas também fortemente convictos que há um conjunto de instituições (Câmaras Municipais, diversos organismos governamentais e associações de desenvolvimento), a par da sociedade civil, que estão empenhadas na sua rápida e plena recuperação.
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* Deputado do PSD


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