HÉLIO BERNARDO LOPES *
.
Há uns bons meses atrás, já desde o início de Dezembro último, o Mundo começou a assistir ao início de um verdadeiro golpe de estado que acabou por concluir-se com a perseguição a Yanukovitch, que havia sido eleito pela tal metodologia democrática. Simplesmente, e tal como em tempos pude explicar a um adepto do nosso PS, que se mostrava exaltado por certa ação política do Governo de Cavaco Silva, a chamada democracia só é aceite pelos que detêm o poder no Mundo se for a direita a ganhar a eleição. Não faltam exemplos na História do Mundo, incluindo os do momento que passa.
Depois do golpe de estado consumado, e perante a natural fuga de Yanukovitch para a Rússia, teve lugar a 28 de Fevereiro último a chegada de tropas russas à Crimeia, espaço absolutamente estratégico para a Rússia e desde sempre. Tal como há dias explicou Seguei Lavrov, a Crimeia é mais importante para a Rússia que as Malvinas para a Inglaterra. E, como se vê, com as Malvinas vai tudo na melhor das boas.
Uns dias depois, a 04 de Março, Vladimir Putin recebeu autorização do Parlamento Russo para enviar tropas para a Crimeia. E assim se tem dado, de acordo com as necessidades consideradas essenciais para o panorama em causa.
Sucederam-se as conversações entre mil e um, mas que logo se percebeu não serem mais que um diálogo múltiplo de surdos. Admite-se, naturalmente, que a paz no Mundo não irá ser posta em causa pelo facto da população da Crimeia vir a optar por aderir à Federação Russa. Já se deu o mesmo com as Malvinas e também com Gibraltar, pelo que o mesmo pode perfeitamente ter lugar na Crimeia.
Ora, no passado dia 08 de Março deu-se o designado desaparecimento de um avião das linhas aéreas da Malásia. Têm-se vindo a operar buscas e análises diversas, mas a verdade é que se continua a noticiar nada se concluir de capaz.
Pois, ontem mesmo – 15 de Março – surgiu um suposto dado novo, a cuja luz o avião foi realmente desviado, depois de desligados os contactos com o exterior, admitindo-se agora, hipoteticamente, duas rotas possíveis: uma para Sul, em direção ao Índico, outra para Norte, na direção do Cazaquistão ou do Turcomenistão.
Ao ouvir esta notícia, parei de imediato o que tinha em mãos e deitei-me a escrever o presente texto, certo de que, mais uns dias, e aí surgirá a resposta: o avião terá sido desviado para o Cazaquistão, onde a antiga União Soviética teve o Polígono Nuclear de Semipalatinsk e onde continua a dispor do Cosmódromo de Baikonur, cujo contrato de exploração começou a ser renegociado em Março de 2013.
Este cosmódromo é o lugar onde a Rússia opera o lançamento dos seus foguetões para o espaço, mas também onde realiza os testes com os novos tipos de mísseis que vai criando para as suas forças armadas. Deitando mão da tal ideia de ter o avião sido desviado para o Cazaquistão – é a versão que deve vir a ser vendida internacionalmente…–, para lá de introduzir uma nova equação de perturbação na posição da Rússia no caso da Crimeia, porventura da Ucrânia, cria uma pressão muito forte sobre as autoridades cazaques, que pode fazer gorar as conversações ao redor do contrato sobre Baikonur, que se pretende fazer durar até 2050.
Reconheço que se trata de um modelo explicativo forte, embora suscetível de logo ser catalogado pela comunicação social ocidental – acefalamente pró-americana – como uma teoria da conspiração. Um dado é certo: veremos se os Estados Unidos acabarão por vir vender-nos a tal teoria hipotética de que o avião foi desviado para o Cazaquistão. Estando Baikonur no Sul do Cazaquistão, nada mais conveniente do que vir a contar ao Mundo a historieta de que o avião foi para aqui desviado… Teoria da conspiração? Veremos.
Um dado é certo: vivemos o tempo do DESPERTAR DOS MÁGICOS, completamente ligado à MANIPULAÇÂO DO ESPÍRITO, duas obras que, se forem lidas, permitem perceber como é fácil, nos dias que passam, vender gato por lebre e reconhecer o excelente paladar da iguaria. Vamos, pois, esperar. Para já, aposto na teoria historiêtica do Cazaquistão.
.
* Antigo professor e membro do Conselho Científico da Escola Superior da Polícia


Seja o primeiro a comentar