JOÃO FIGUEIREDO *
A 17 de Maio de 2011 o governo português assinava um programa de socorro financeiro com o Fundo Monetário Internacional, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu.
Estes credores internacionais disponibilizaram-se para emprestar dinheiro a Portugal durante 3 anos, com determinadas condições e imposições.
Essas particularidades do empréstimo foram negociadas pelo primeiro-ministro de então, José Sócrates.
Três semanas depois, Portugal foi a eleições e pela primeira vez, desde o 25 de Abril, os portugueses sabiam qual era o caderno de encargos que o próximo governo tinha de assumir. Fosse quem fosse que tivesse ganho as eleições, sabiamos que durante três anos os tempos seriam duros e difíceis. Basta pensar que de 3 em 3 meses tínhamos a visita dos credores para apurar da nossa seriedade no cumprimento daquilo que tinha sido acordado. Seriam feitas 12 avaliações.
Passados três anos e depois de um longo e difícil caminho, as 12 avaliações foram positivamente cumpridas e Portugal vai libertar-se dos credores sem pedir mais dinheiro. É um feito que tem de ser atribuído, em primeiro lugar, ao enorme esforço dos Portugueses, logo seguido da determinação, coragem e enorme sentido de estado revelado pelo Primeiro Ministro.
Ao deixar o Programa de Assistência sem mais nenhum apoio, sabendo que as dificuldades não acabaram, foi dado um passo importante na credibilidade e seriedade do nosso país, ao mesmo tempo que toda a oposição tentava desvalorizar esta “saída limpa” com argumentos verdadeiramente encardidos.
A forma como a oposição se comportou ao longo destes 3 anos, vividos num clima de emergência nacional, denota bem o cuidado que os portugueses devem ter aquando da escolha daqueles a quem devem confiar o seu futuro.
Permitam-me que me refira apenas ao Partido Socialista.
No inicio do Programa começaram por afirmar que era preciso mais tempo e mais dinheiro (como se não tivessem sido eles a negociar o plano de assistência!). Depois, quando se aperceberam que o governo estava determinado em cumprir o acordado, mesmo perante a forma pouco cuidada como os socialistas tinham negociado o acordo, lá iam acenando com a vinda (no seu ponto de vista) inevitável de um 2º resgate. Como o governo não vacilava, e perante os sinais ténues mas encorajadores da economia, lá mudaram o registo e passaram a afirmar que o cumprimento do memorando só teria sucesso se Portugal saísse de forma limpa.
O que eles anunciavam que iria ser mau não aconteceu e o que afirmavam ser bom (mas na sua ótica impossível de atingir) concretizou-se, com muito sacrifício dos portugueses, é certo.
Perante este cenário, diz hoje José Sócrates, o pai da pré bancarrota a que Portugal tinha chegado em 2011: “Fiquei naturalmente satisfeito porque é melhor viver sem do que com programa cautelar. Para quem, como eu, sempre defendeu que Portugal nunca deveria ter pedido ajuda externa, fico naturalmente satisfeito por ver o país sem “troika”.
Fantástico! Eu só acrescentaria: Se a falta de vergonha dos socialistas pagasse imposto, a Troika nunca tinha sido chamada a Portugal.
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* Deputado do PSD


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