JOÃO FIGUEIREDO *
Nos próximos dias a Europa vai a votos.
Podemos ser, inicialmente, tentados a pensar que serão só mais umas eleições que irão levar 21 deputados portugueses para um exílio dourado repartido entre Bruxelas e Estrasburgo.
Acreditem que o que está em causa neste ato eleitoral é muito mais do que isso.
Nascido depois de uma sangrenta II Guerra Mundial, o projecto da União Europeia assentava os seus princípios em valores de solidariedade, de fraternidade e humanismo.
Hoje, sabemos que o projecto europeu está dominado por um perigoso sentimento de apego aos cifrões, onde o equilíbrio orçamental é o objectivo principal e a austuridade a causa que move os burocratas e os políticos.
É verdade que não foram os dirigentes europeus que governaram o nosso país até 2011, tomando a decisão de gastar aquilo que tínhamos, que não tínhamos, que nos deram ou que nos emprestaram, mas Portugal precisa muito da solidariedade europeia, pelo que importa incutir nos seus dirigentes os princípios que estiveram na génese da criação desta União.
Num período onde grassa o desemprego e a crise teima em não acabar, a descrença no sistema político é um passo perigoso no agravar da situação, já por si bastante difícil.
Temos de estar atentos à demagogia e a todos aqueles que apregoam atitudes xenófobas, racistas ou ultranacionalistas.
A Europa não pode repetir desgraças do passado, onde o nazismo foi talvez o seu expoente máximo.
Estas eleições são demasiado importantes, no contexto em que as mesmas ocorrem, para que fiquemos em casa.
Do nosso voto depende a eleição do próximo presidente da Comissão Europeia. Do nosso voto dependem as opções que têm de ser tomadas num futuro imediato e acredito que todos gostaríamos que elas fossem mais direccionadas para o ser humano do que para o dinheiro.
Pelo que tenho constatado até agora, aqueles que ouço falar da Europa com paixão são os seus maiores inimigos e isso, para mim, por si só, já é um sinal mais do que suficiente para que nas próximas eleições europeias tenhamos de ir exercer o nosso direito de voto. No próximo domingo não fique em casa. Vote!
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* Deputado do PSD


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