SERRA DA ABOBOREIRA

TEIXEIRA DA SILVA *

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A “Serra da ABOBOREIRA” ou da “Abobreira” (em linguagem local) é tida como um contraforte granítico implantado no extremo ocidental do maciço montanhoso Marão/Alvão, encontrando-se localizada no extremo nordeste do distrito do Porto. Abrange terrenos dos concelhos de Amarante, Baião e Marco de Canaveses.

Não é muito acidentada, estendendo-se por longos planaltos – a que chamam de chãs – elevando-se até uma altitude de 1000 metros, sendo de salientar, pela sua importância, três pontos: o da Abogalheira com 962 metros; o de Meninas, com 970 e o da Senhora da Guia com 972 metros.

Os primeiros vestígios de ocupação humana detetados nesta Serra datam de 4500 anos a.C. (período neolítico). A ocupação do planalto superior da Serra estende-se até à idade do Bronze (2500 a.C.). De todos os túmulos inventariados destaca-se o dolmen de Chão da Parada I, Monumento Nacional desde 1910.

NECRÓPOLE MEGALÍTICA DA ABOBOREIRA

Os estudos arqueológicos que têm vindo a ser realizados nesta Serra desde o ano de 1978 revelaram já a existência de uma vasta necrópole megalítica, a única exaustivamente estudada e das maiores que, hoje, se conhecem em território português, com aproximadamente quatro dezenas de mamoas identificadas. Estas estão, por norma, dispostas em gurpos (vide, conjuntos megalíticos de Chã da Parada, Chã de Ante, Chã de Outeiro de Gregos e Chã de Meninas do Crasto), ocupando zonas planas. No seio de uma maioria de mamoas pequenas, ou médias, cuja datação científica sugere serem as mais antigas (muito embora nem todas tenham sido datadas), insere-se uma minoria de dolmens de relativo grande porte, um deles possuindo corredor e átrio (o 1 de Chã da Parada).

Na estrada de Baião para Mesão Frio, ao lugar de Queimada, pode-se seguir por um estradão que sobe para o planalto da Aboboreira e o cruza, dando acesso aos múltiplos monumentos. Não existindo qualquer indicação para os visitantes ao longo de todo o estradão (tornando difícil a localização para quem não conheça o local), é relativamente fácil encontrar os monumentos, visto que o estradão percorre o mesmo caminho da antiga “estrada da liteira”.

ANTA DA ABOBOREIRA

A “ANTA DA ABOBOREIRA”, “ANTA DE CHÃ DE PARADA”, “CASA DA MOURA DE SÃO JOÃO DE OVIL”, “CASA DOS MOUROS”, “COVA DO LADRÃO”, “DOLMEN DA FONTE DO MEL” ou simplesmente “DOLMEN DE CHÃ DA PARADA” é o grande corredor de Chã da Parada, o mais conhecido da Serra da Aboboreira. Está considerado monumento nacional desde 1910 e data do período Neo-Calcolítico.

Este monumento esteve parcialmente – e até Julho de 2006 – coberto por terra para proteção. Nessa altura foram-lhe efetuados trabalhos de preservação e restauro, limpeza da vegetação e liquenes que o cobriam, bem como à sua área envolvente.

Por último, a mamoa que está destruída em grande parte, tem um formato ovóide, com um eixo maior de cerca de 24 metros, no sentido oeste/este, e um eixo menor, de 20 metros, e sentido norte/sul.

CONJUNTO MEGALÍTICO DE MENINAS DO CRASTO

Este conjunto fica junto a uma elevação homónima, que tem um marco geodésico, em plena Serra da Aboboreira, freguesia de Ovil, concelho de Baião. No conjunto foram identificadas seis mamoas do período Neo-Calcolítico, sendo que apenas três foram objeto de estudos já concluídos.

MAMOA 1: Área sepulcral é delimitada por um círculo de pedras fincadas;

MAMOA 2: Com pequenos estragos foi “salva” em 1982, em face de destruições efetuadas para o conserto de um estradão. A análise ao Carbono14 de carvões no solo sob o monumento indiciaram uma data entre 4229 e 3969 a.C. (antes de Cristo as datas decresciam);

MAMOA 3: É um tumulus em terra, revestido por um contraforte de lajes sobrepostas e bem conservadas e imbricadas. Quando foi escavada tinha uma pequena câmara poligonal, com quatro esteios ainda no seu sítio e um tombado;

MAMOA 4: Restos de um pequeno tumulus baixo muito violado. Está relativamente isolada das restantes. Apresenta um anel periférico de contenção constituído por grandes blocos e lajes de granito. A análise ao Carbono 14 de carvões no solo debaixo do saibro indicaram um data entre 3300 e 2041 a.C.

CONJUNTO MEGALÍTICO DE OUTEIRO DE GREGOS

Este conjunto fica numa área de acumulação de sedimentos transportados por águas de escorrência, na Serra da Aboboreira, na freguesia de Ovil, concelho baionense.

Nesta chã encontram-se monumentos de caraterísticas diferentes, que se julga terem sido construídos em datas distintas, nomeadamente:

MAMOA 1: Cista megalítica (2300-1900 a.C.);

MAMOAS 2 e 3: Dolmens fechados (4450-3700 a.C., datas calibradas);

MAMOA 4: Sepulcro ortostático (3200-2700 a.C.);

MAMOA 5: Caim (feita apenas com pedras), depois de 1900 a.C.

CONJUNTO MEGALÍTICO DE OUTEIRO DE ANTE

Neste conjunto foram identificadas quatro mamoas, três das quais já possuem os estudos terminados.

Foi no Outeiro de Ante que em 1978 começaram as escavações na Serra da Aboboreira, investigando-se pela primeira vez a totalidade de um tumulus, ao invés do que era habitual, até aí, a limitação da exploração, em Portugal, à câmara megalítica e respetivo espólio funerário.

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Pesquisa, compilação e adaptação de

TEIXEIRA DA SILVA, AJ

Gondomar, Porto, Portugal

Junho de 2014

1 Comment

  1. Sou proprietário de alguns ha de montanha próximo da Abogalheira e Senhora da guia, tenho reparado em rochas escavadas, com formato de marmita em vários locais, sei que não são produção natural, mas sim humana, o seu propósito desconheço, tenho teorias, estes focos de intervenção antiga, são desconhecidos por qualquer referência histórica, temo que mais tarde estes possam ser destruídos por negligência e ignorância do seu valor e propósito.

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