HÉLDER AMARAL *
Não é a primeira vez, e temo não ser a última, que tento, mas sem sucesso, chamar a atenção para a necessidade de a classe dirigente do Distrito de Viseu, sem exceções, deixar de reagir e passar a agir na defesa do interior. Percebo, pelo caminho que vou fazendo regularmente pelo Distrito, que há quem já tenha percebido que é preciso antecipar problemas e encontrar soluções. Há outros que preferem reagir, porque tomar posição é má para a popularidade e é melhor ser demagógico do que coerente.
A última “pancada” é o encerramento de Escolas, mais um recorde lamentável para o Distrito de Viseu. Problema? A falta de alunos. O anterior governo do PS identificou o problema, a solução não difere do atual governo, por isso permitam-me concordar com Augusto Santos Silva, que lembrou, e bem, que o PSD e CDS criticaram a medida que agora aplicam, como não se percebe como o PS, que no passado inventou a medida, venha agora criticar a maioria. É isto que convém erradicar da política, mas tenho quase a certeza que o próximo artigo do Deputado Acácio Pinto ou José Junqueiro sejam sobre o tema e cheios de críticas ao governo.
No mesmo sentido, que dizer do Presidente da Câmara de Viseu que não consegue perceber que há uma contradição insanável entre a “cidade região”, ou “a melhor cidade para Viver”, as “festas e circo de fim de semana” e os vários indicadores que põem Viseu nos últimos lugares? Se tudo o que diz é verdade, então em Viseu estariam a abrir escolas e não a encerrar, mas, como é óbvio, o problema é mais profundo que isso, e por isso não se resolve com uma posição demagógica ou com tiradas do género “Não deixo fechar a escola, eu não falho aos meus munícipes”. Espera-se mais de um líder de uma Cidade Região e de um ex- governante. Eu daria prioridades a políticas amigas da família, garantiria transporte em qualidade e regularidade aos alunos afetados, exigiria do governo e garantiria que as escolas permaneçam abertas, tenham qualidade de instalações, corpo docente e funcionários de qualidade.
O problema é complexo, desde a ausência de uma política que valorize a família, que volte a colocar a família no centro das políticas governativas, em vez das ditas modernices de esquerda, que destroem a família, passando pela crise, por problemas culturais do mundo ocidental, uma vez que o envelhecimento da população é um problema de muitos dos países desenvolvidos. Portugal, segundo os estudos, perderá 55 mil alunos nos próximos dez anos. O Instituto Nacional de Estatística regista que, entre mortos e emigrantes, Portugal perdeu 59,988 habitantes, entre 2012 e 2013. Esta tendência vem já desde 2010. Os números de nascimentos em 2013 reduziu-se 7,9%. Há dez anos que o número de filhos por mulher baixa, ou seja, o problema não surgiu do nada, tem-se feito ouvir a plenos pulmões, mas os dirigentes políticos preferem outras soluções mais mediáticas. É evidente que no país todo, e não só no interior, seja necessário encerrar escolas, mas é evidente que o interior sofre sempre mais porque “pão de pobre quando cai ao chão cai sempre com a manteiga virada para baixo”.
A ilusão de um novo ciclo nas políticas autárquicas ou da reforma do estado, tentando manter o mínimo de qualidade e proximidade de serviços públicos, admito estar errado. Não é possível ter tudo em todo o lado, mas é possível uma rede de serviços complementar, um município com um Hospital, outros com Tribunal, outros com finanças, outros com ensino superior. À falta de solidariedade e complementaridade, resta o fecha no concelho gerido pelo partido da Oposição e o abre no do meu partido, como parece acontecer com os Tribunais. Por isso mesmo farei seguir esta semana uma pergunta à ministra da Justiça para saber por que razão a reforma Judicial apanha essencialmente os municípios geridos pelo PS. O Interior devia antecipar o inevitável, definir que Distrito queremos daqui a 10 anos, em vez dos investimentos em obra de fachada, ou pior, enredados em chavões e iniciativas para jornalista ver. Termino com um exemplo: Viseu vai ter o “Vê Portugal” – 1.º Fórum Turismo Interno, que irá ocorrer no Montebelo. Pago um euro por cada orador que tenha investido no sector, que tenha camas para vender, ou seja pura teoria. É por isso que em fóruns e congressos o país é fantástico. O problema é quando saímos à rua.
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* Deputado do CDS


Não podia deixar de concordar, até porque sinto isso na “pele”.
1- Onde está o emprego em Viseu?
2- O que se faz para cativar e incentivar os empresários a investir em Viseu?
Tenho uma pessoa na minha família que foi Mãe há cerca de 1 ano, quando foi para trabalhar, como era paga a recibo verde, foi dispensada.
Hoje com 2 filhos para criar, não tem posto de trabalho e mora em Viseu.
Sem dúvida que temos a melhor cidade para morar, calma, sem grandes alaridos, pessoas pacificas , limpa etc,etc.
Mas também era importante, que Viseu fosse a melhor cidade para poder criar os filhos, estudar, trabalhar, etc,etc.
Acredito que um dia as coisas possam mudar.