ALUNOS DIFERENTES

LUZ CANÁRIO

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Nesta altura do ano deparamos com algumas insatisfações, reflexões e questões acerca de alunos “diferentes”.

Regra geral, consideram-se alunos diferentes aqueles que não veem ou não ouvem bem, têm problemas de dislexia, paralisia física ou mental, autistas…

Também podem ser considerados diferentes os alunos pertencentes a outras culturas (ciganos) ou que não falam a nossa língua, mas pretendem frequentar as nossas escolas (chineses, ucranianos…). E ainda há os alunos com dificuldades de aprendizagem e aqueles que faltam às aulas, ou as passam na conversa ou agarrados “sorrateiramente” às mensagens enviadas pelos telemóveis.

Para todos esses alunos “diferentes” o Ministério tem uma série de apoios (que muitas vezes são apoios de faz-de-conta, porque não apoiam nada por falta de tempo para se dedicarem a esses alunos como deve ser), aulas suplementares a que os alunos continuam a faltar, psicólogos, terapeutas e mais uma série de técnicos. É verdade que, com os cortes que têm havido na educação, muitas crianças e adolescentes perderam esses apoios.

Mas existe outro tipo de alunos diferentes: aqueles que mal entram na escola não querem saber quanto é 2 mais 5, mas sim quanto é 20 mais 50, que no final do ano têm o programa do segundo ano dado e…por aí fora. São alunos excepcionalmente inteligentes, curiosos, que confundem e perturbam o professor, que têm uma capacidade de trabalho que dá muito que fazer ao professor. Às vezes resolvem os problemas de uma forma completamente diferente daquela que o professor pensava; quando o professor está a explicar o movimento de rotação da terra, ele já quer saber como é que os foguetões chegam à lua; alunos que ao verem a professora grávida lhe perguntam como é que o bebé entrou na sua barriga e como é que vai sair. Alunos para quem é preciso ter a humildade de dizer “vamos descobrir juntos”, porque naquele momento nem se sabe o que dizer. Alunos que dão uma “pica” diferente e que exigem uns minutos a sós, como qualquer outro aluno diferente. Alunos que, muitas vezes, são considerados mal educados e irrequietos, porque o professor se esquece que ele tem de ter um programa adaptado e com livros e fichas adaptados; alunos que se desinteressam porque são obrigados a seguir o ritmo da maioria dos colegas; alunos a quem o professor não dá o 5 no final do primeiro período porque “não o conhece”, não o dá no segundo porque ele depois “não se aguenta”, e no terceiro não tem hipótese de o recompensar. Contudo, esse mesmo professor teve de dar notas suficientes, para transitar de ano, ao aluno que tirou uma “carrada” de negativas no primeiro e no segundo período.

É injusto, muito injusto.

Todos estes alunos diferentes são uma minoria, mas a verdade é que a injustiça da avaliação entre maus alunos (que têm de passar para as estatísticas de sucesso) e os bons alunos está a ser revoltante. Disseram alguns pais numa reunião com professores: “Passa-se a mão pela cabeça e premeia-se quem é malandro, quem falta, quem não estuda e penaliza-se quem trabalha, quem não falta, quem se esforça. É o mundo do facilitismo. Isto não é educativo, porque a vida não é assim.”

Houve uma mãe, senhora atenta e esclarecida, que disse: “Eu nunca permiti que um professor prejudicasse os meus filhos nas notas. Vejo todos os testes, venho a todas as reuniões com os diretores de turma, informo-me acerca do seu comportamento para premiar ou corrigir, e antes do fim de cada período aviso-o de que exijo as notas justas para eles. Vou avisando que, se os professores têm de inflacionar, no terceiro período, as notas dos alunos que não trabalham, será bom que deem aos bons alunos as notas que eles merecem em cada período.

Aconselho todos os Encarregados de Educação dos bons alunos a fazerem o mesmo, porque os Encarregados de Educação dos maus alunos nunca põem cá os pés, e o resultado é sempre garantido”.

Não vale a pena concluir este artigo com outras reflexões. Penso que a atitude desta mãe dá os melhores conselhos.

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