HELENA ROMÃO
Cresci a pensar que as elites (políticas, económicas, profissionais, etc) eram como as pessoas que conhecia: honestas, cultas, altruístas, trabalhadoras e as mais competentes para o cargo ou função que exerciam sempre e sempre em resultado do seu mérito.
Ao longo dos anos (que coincidiram com a nossa vida democrática) essa perceção foi sendo negada e a desilusão sobreveio, embora uma ilusão teimosa persistisse, num processo de negação da consciência.
Depois, as notícias foram pintando de cores deprimentes as nossas elites financeiras e económicas, as nossas elites profissionais (médicos, professores e outros), as nossas elites desportivas, políticas, filosóficas, etc, etc…
Que são descendentes das velhas elites nobiliárquico-burguesas com escassas intrusões das classes baixas já o sabemos. Ao longo dos séculos, o seu comportamento pautou-se, sempre, por forte endogamia e pela criação feroz de obstáculos à mobilidade social. Estes obstáculos têm tido um impacto especialmente negativo nas áreas da ciência, cultura e das mentalidades.
Ao contrário das elites gregas (Antigas), que aristocratizaram as massas, as nossas elites criaram uma representação de igualdade e democracia e, sem consciência disso, massificaram-se mas, desde Eça, que lhes é apontada uma notória falta de cultura mal disfarçada por sinais exteriores de riqueza, no que são desesperadamente imitadas pelo povo.
A ignorância gera uma série de consequências (ideológicas, económicas, sociais, políticas, científicas, técnicas e educativas, entre outras) que produzem atrasos e resistências, em virtude de respostas ideológicas pouco racionais e conservadoras, fatais para o desenvolvimento e para a resolução dos problemas do país. Há, nas elites, uma incapacidade torpe de compreender que são elite pobre se o país for pobre (isto apesar da grande desigualdade na distribuição do poder e da riqueza).
Depois há a delapidação do património, dos valores e do tempo que é a sua pior herança e a que está a ser transmitida às novas gerações. E o povo? Que faz o povo entretanto? Critica, escreve e articula e fica em cima do muro sem conseguir operar a mudança necessária.
O enredo do Inferno de Dan Brown, que me encontro a ler e constitui com a restante obra do autor um repositório de investigação histórica (de lugares e pessoas), centra-se no problema da sobrepopulação mundial entrelaçado com a obra homónima de Dante Alighieri, aquele mundo inferior (parte da Divina Comédia) onde os pecadores se dividem por nove anéis, concêntricos e hierarquizadores do mal, e é sobre esse mundo que o autor cita Dante referindo que “As regiões mais sombrias do inferno estão reservadas para aqueles que permanecem neutros em tempos de crise moral.” A neutralidade moral é caraterística daqueles que são conhecidos como os que ficam em cima do muro. Na realidade creio que o que existe é apenas passividade moral já que a neutralidade moral absoluta não existirá (mito). Toda a ação implica uma escolha e essa é sempre moral. Ficar em cima do muro será sempre uma opção passiva-agressiva ou de fuga, que implicará tendencialmente o apoio encoberto ao perpetrador do mal.
Portugal parece, assim, o nono círculo de Dante, um poço cheio de gente a afogar-se no relativismo moral. O mesmo relativismo moral que todo o Ocidente optou por ensinar nas escolas, através do famoso método da clarificação moral, como se houvesse valores neutros. Esta neutralidade enche-se de tolerância e é assim que nos enchemos de tolerância pelo erro e de tolerância para com os que quotidianamente violam os nossos direitos. Pelo menos há conceitos que as nossas elites têm sabido usar muito bem.


Cerca de 100 anos, se passaram. No tempo que o cimento era raro.
Os aquadutos deste fertil val de San Joaquin da California, um dos que se encarregava da limpesa
desses mesmos, pois que as ervas cresciam .Eram limpas pela mao do homen.
Hoje o cimento evita essa despesa ano-almente.
Os pagamentos ao pessoal, eram feitos semanalmente.
O contrater, foi levantar dinheiro ao banco, puxa da algibeira, o livo de cheques.
Entrega ao funcionario para preencher o respetivo cheque, com o valor desejado!…
O funcinario , to que nao sabes assinar sequer o cheque. Eu que andei a estudar ainda tenho que estar aqui a guarder o teu?
No local da assinatura pos o dedo depois de o ter passado pala almofada do carimbo.
E, respomde tu se nao sabes deverias saber, que o inteligente trabalha para o esperto
Dra. Helena Romão, gostei muito de ler este seu artigo e fez-me ver ainda melhor a obra de Dan Brown. Sempre, muito obrigada pela partilha do seu saber.
Sra. Dra. (permita-me que, sem a conhecer, me atreva a adivinhar que preferiria dispensar aqui o uso do título académico…) Helena Romão:
Sou ‘avis rara’ nestas visitas, muito rara até, mas, tendo por mero acaso acedido, não posso deixar de a felicitar pelo seu texto, sob pena de incorrer no pecado que tão bem assinala!
Sabe bem, nos tempos que correm, ler coisas tão bem escritas e tão acertadas! Parabéns! Identifico-me totalmente com o que diz! Apenas gostaria de acrescentar aquela afirmação de Ortega e Gasset que diz que “o progresso (desenvolvimento) das nações depende da qualidade das suas elites”… quanto ao nosso Portugal actual…
Vou seguir os seus textos com toda a atenção!
Cumprimentos