ANTÓNIO ABRANTES *
.
Em notícias vindas a público (ver Jornal do Centro de 22/8) que davam conta de algumas propostas apresentadas à Câmara Municipal de Viseu no âmbito da elaboração do “orçamento participativo” que agora, também por estas bandas, pegou moda, alguém sugeria que Viseu precisava de um casino com slot machines, roleta, e outros mecanismos de “enriquecimento” fácil.
Argumentava-se que isso traria mais turistas a Viseu que é o que a cidade (capital de distrito) precisa.
Esta do “casino” trouxe-me à memória uma preocupação propalada há uns dez anos de um presidente dos estudantes de Viseu que reclamava não da falta de salas de estudo, não da falta de residências para estudantes mais necessitados, não da falta de meios para melhores resultados nos estudos, mas tão só da falta de discotecas e outros centros de diversão nocturna na cidade.
Receio bem que esse “dirigente associativo estudantil” ainda ande por lá a ver se acaba o curso e a estorricar o dinheiro dos paizinhos.
Já foi tempo (década de 90) em que Viseu era falada como região de alguma atractividade industrial, que recebia grupos de potenciais investidores estrangeiros, chineses, coreanos, alemães, ao mesmo tempo que universidades nacionais (o caso da Universidade de Aveiro) propunham a criação de um Parque Científico e Tecnológico para Viseu.
Recordo também a luta que foi (e que agora parece ter esmorecido) para a criação de uma Universidade Pública em Viseu (que ainda não tem, embora disponha de um Instituto Politécnico público de grande valor e reconhecimento).
Viseu, e podemos aqui incluir todo o distrito, teve alguma expansão industrial, apesar do desaparecimento de muitas unidades, em particular na área têxtil, na área do mobiliário , etc. mas também houve reconversões.
Depois desse “período mais industrial” a cidade propriamente virou-se muito para os grandes “centros comerciais”. Resultado: uma boa parte deles estão fechados ou ás moscas, enquanto o comércio tradicional de rua agoniza, cada vez mais.
De indústrias, de indústrias modernas, de mãos dadas com a ciência, avançadas tecnologicamente, viradas para os mercados internacionais pouco se fala e parece não passar pela cabeça de autarcas e seus seguidores que respondem ao desafio do dito “orçamento participativo”.
Afinal, para esses, o que Viseu precisa é de algo menos prosaico, nem mais nem menos que um CASINO para chamar um certo tipo de turistas e talvez endireitar a vidinha daqueles que acreditam mais na sorte (ou no azar) que no trabalho sério, duro e talvez um pouco mais honesto.
Com um casino, esses zelosos viseenses esperam que a cidade resolva “a apagada e vil tristeza” em que vive.
.
* Economista, professor aposentado do IPV


Que argumentação patetica deste senhor professor aposentado.
Concordo plenamente, é uma argumentação patética e sem cabimento…