Farol da Nossa Terra – Descobertos vestígios arqueológicos de uma antiga ponte sobre o rio Mondego no concelho de Carregal do Sal
quinta-feira, 17 agosto 2017

Património — Sexta-feira, 19 Setembro 2014 — 0 Comentários

Descobertos vestígios arqueológicos de uma antiga ponte sobre o rio Mondego no concelho de Carregal do Sal

2.jpgForam descobertos vestígios de uma antiga ponte de travessia do rio Mondego no lugar das Barcas, da freguesia de Oliveira do Conde, que faria a ligação dos actuais territórios dos concelhos de Carregal do Sal e de Oliveira do Hospital.

O achado foi comunicado pelo munícipe José Ribeiro, de Vila Meã, ao arqueólogo do Município de Carregal do Sal, Evaristo Pinto, que o acompanhou ao local para identificação de um amontoado de pedras aparelhadas que despertaram a atenção daquele munícipe.

Depois de o arqueólogo ter efectuado uma análise exaustiva às pedras, algumas delas em forma de aduela, achou fundamental passar à identificação dos vestígios de três estruturas que eram visíveis e a toda a área envolvente, cujos resultados preliminares indicam que se poderá estar perante as bases (alicerces) de suporte de dois arcos de uma antiga ponte, provavelmente da época romana.

Na descrição daquele achado, Evaristo Pinto realça: “A base do lado sul, de duplas paredes e a mais conservada, apresenta a forma quadrangular com cerca de 7,5 metros de lado, podendo ver-se, a montante, e no prosseguimento desta, os alicerces em forma de vértice que corresponderão ao talha-mar. Da estrutura central de apoio aos dois arcos da possível ponte, permanecem ainda visíveis algumas pedras paralelepipédicas de grandes dimensões, assentes sobre o leito do rio, verificando-se que a maior parte desta estrutura deveria assentar sobre a rocha original, como poderá ser confirmado, sendo também este o local onde se concentra o maior volume de pedras tombadas. Na base estrutural de apoio ao arco do lado norte, é perfeitamente visível a disposição, ainda consolidada, das pedras dispostas longitudinalmente, no sentido de montante para jusante, cuja estrutura, menos conservada que a primeira, se apresenta da mesma forma quadrangular. Por seu turno, é também visível no prosseguimento e contígua àquela, a base estrutural do talha-mar virada para montante”.

Refere ainda aquele técnico que imediatamente a seguir àqueles vestígios, já no extremo da margem do rio e em terreno seco, pode também ser confirmada a existência de um conjunto de pedras aparelhadas justapostas, que terão feito parte da estrutura de apoio e da saída do tabuleiro da ponte.

Evaristo Pinto dá conta de que esta nova descoberta arqueológica fica localizada a cerca de 250 metros, para sul, do sítio arqueológico do Vale do Rio e da quinta das Barcas e, a norte, pelo enquadramento das povoações de Vila Meã e de Albergaria, assim como de Oliveira do Conde e Azenha, em cujas povoações se confirma a existência de marcos miliários, alguns deles posicionados no possível antigo troço romano que passava por Currelos e Oliveira do Conde, bifurcando-se para Azenha, seguindo depois para Póvoa de Midões.

Neste contexto, o arqueólogo aponta a necessidade de uma confirmação e investigação mais profunda daqueles vestígios arqueológicos, considerando a hipótese de se estar perante o que resta de uma das importantes travessias que ligavam o território da Civitas de Viseu ao território da Civitas de Bobadela, cujo troço, referido por vários investigadores, passaria pelo actual território do concelho de Carregal do Sal. A propósito, faz ainda referência à existência da uma epígrafe na vizinha povoação de Póvoa de Midões, que, segundo vários autores, poderá tratar-se da menção a uma antiga ponte mandada construir pelo Imperador Tito, entre 80 e 81 dC. (Século I dC.).

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