ANTÓNIO ABRANTES *
.
1 – A Câmara Municipal de Carregal do Sal vai retomar as feiras de gado.
Como tem sido anunciado, a próxima terá lugar a 26 deste mês (setembro) no histórico e formidável recinto de “Carvalhais”, freguesia de Oliveira do Conde.
Retomar as feiras de gado é uma iniciativa que merece aplausos.
No passado, alguns problemas sanitários, a par de alterações profundas na criação pecuária familiar e na utilização dos animais para apoio da actividade agrícola, levaram ao abandono deste tipo de feiras.
A actividade económica local e regional mudou muito nestas últimas décadas.
Já não se compram juntas de bois para o amanho da terra ou para transporte. Diria que até os burros, agora, (parece) são menos mas ainda os há. Porém ovelhas, cabras, porcos, galináceos, etc. ainda têm muito para dar.
Se se tomarem os devidos cuidados, sanitários e outros, certamente ninguém terá nada a apontar e ganha a economia local e regional.
2 – Uma outra área que talvez pudesse ser dinamizada, retomando tradições não muito antigas, é a mostra e venda de produtos agrícolas de origem local.
Por exemplo: onde mostrar e vender maçãs, marmelos, castanhas, jeropiga, alhos, cebolas, azeite e tantos outros produtos de qualidade super mas que não encontram os canais adequados para chegar ao consumidor citadino, já um tanto farto do império dos hipermercados?
O pequeno produtor tem as portas do mercado fechadas, e é pena. Quantos produtos agrícolas se perdem por ser difícil fazê-los chegar ao conhecimento de potenciais compradores?
As feiras locais dantes eram, para os residentes da região, locais de compra mas também de venda. Ou seja, as feiras eram uma fonte de rendimento para muitas famílias que vendiam aí os excedentes do que produziam: produtos agrícolas, hortícolas, animais. Com isso muito ganhava e economia local.
Agora transformaram-se em locais de venda de produtos fabricados, quantas vezes de origem (e mesmo de qualidade) duvidosa ou importados, sabe-se lá como e sob que regras. Isso tem contribuído para o afastamento de clientes.
Mas penso que é possível inverter essa tendência se estas feiras, as mostras e exposições forem bem organizadas, respeitarem preceitos sanitários e de segurança alimentar e os visitantes sentirem que a qualidade dos produtos locais vale bem uma deslocação à feira, ao mesmo tempo que revivem tradições, revêem amigos e podem fazer boas compras.
.
* Economista, professor aposentado do IPV


Seja o primeiro a comentar