Dia de todos os Santos, dia dos fiéis defuntos

LUZ CANÁRIO

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No início de Novembro os cristãos consagram dois dias a todas as pessoas que já partiram deste mundo. Há aquele fatalismo, tristeza e inconformidade.

Temos uma grande dificuldade e relutância em aceitar esta grande realidade. Nós não sabemos se tiraremos um curso quando “formos grandes”, se teremos uma casa, se vamos ter um bom emprego, se vamos casar e ser pais, em que país vamos viver, se vamos ter uma vida longa ou curta, mas temos uma grande certeza: nascemos, portanto, um dia vamos morrer; uns atrás dos outros, mas ninguém escapa. O corpo, o invólucro é mortal. Enterrado naquela campa, ou cremado, ele fica por cá e é finito. Só a alma, a Essência, é que é imortal, continua, prossegue o seu caminho.

Muitas pessoas têm medo de enfrentar esta realidade, sobretudo as que não têm fé, ou têm poucos conhecimentos sobre o Cristianismo. O desconhecido assusta sempre.

Por tradição ou convicção as pessoas vão ao cemitério durante estes dois dias. Limpam muito bem as campas, enfeitam-nas com flores, colocam velas e rezam. Algumas fazem-no de coração sincero e acreditam que tudo o que fazem é uma homenagem, um carinho aos espíritos dos familiares que partiram. Outros não sentem tanto, e até querem ver se a campa do vizinho está pior ou melhor do que a sua.

Foi no cemitério da minha freguesia que eu aprendi o significado exacto destas comemorações. Foi lá que eu senti, com o testemunho vivo de alguns cristãos, que estes dias não são de luto nem de tristeza. São de íntima comunhão com aqueles que nos precederam na partida e com todos os que ainda cá permanecem. Aquele colocar uma vela ou uma flor em todas as campas dos nossos familiares, amigos e vizinhos, aquele feliz sussurrar com todos os que vamos cumprimentando, a oração particular ou colectiva pelos nossos ou por todos, tudo sem pressas, com ordem e boas maneiras, faz-me sentir que há uma comunhão muito forte e bela entre todos os vivos e os que partiram. Desaparece o medo e surge uma sensação de paz e felicidade.

Penso que homenagear os nossos entes queridos é aceitarmos a sua partida, é agradecer-lhes tudo o que fizeram por nós, todos os bons exemplos que nos deram, tudo o que nos ensinaram, orar para que possam prosseguir o seu caminho de luz, e ajudá-los a atingir esse caminho fazendo o bem que pudermos.

Depois, se tivermos uma família unida que nos congregue na sua casa para festejarmos a Vida terrena, a Felicidade ainda será muito maior.

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