A LENDA DO CONDE DE ARIÃES – CASTRO DE AVELÃS

TEIXEIRA DA SILVA *

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Antigamente, na descida do cabeço para Bragança, havia um castelo, situado numas terras de campo, no qual vivia o Conde de Ariães. Nenhum vestígio desse castelo chegou até aos nossos dias. O tal Conde lá vivia com a sua mãe e também com uma moça que se chamava Alcina, de quem ele gostava muito e com quem pensava em casar.

Por essa altura, na Serra da Nogueira, que não é muito longe deste lugar, havia outro castelo e também outro Conde. Era o Conde Redemiro, que ra mau … tão mau que até exigia umas sete ou oito donzelas todos os anos para o seu castelo, só para as lá ter ao seu dispor. Além disso, morria de ciúmes pela moça do Conde de Ariães.

Um dia, organizou uma batalha entre eles. O Conde de Ariães foi para a batalha, mas perdeu-a, pois os seus homens eram em número muito inferior. Pior, foi que enquanto o Conde de Ariães andava na peleja, Redemiro raptou-lhe a Alcina. Levou-a para o seu castelo. A mãe apercebeu-se, mas coitada, era uma velha e nada podia fazer.

Perdida a batalha, o Conde de Ariães regressa a casa e sua mãe logo lhe diz:

– MEU FILHO, VENS MUITO TRISTE, POIS PERDESTE A BATALHA! MAS OLHA AINDA TENS UM DESGOSTO MAIOR, PORQUE TE ROUBARAM A TUA ALCINA.

Ele ficou fulo de raiva! Ficou tão desnorteado que, para se vingar da mãe, atirou-a à gruta dos leões, por a ter culpado de deixar raptar a sua amada. Dois leões, de imediato, mataram a pobre coitada da velha. * Posteriormente ele arrependeu-se, mas era demasiado tarde. Pegou novamente na espada e matou todos os leões. A um cortou-lhe logo a cabeça, daí o facto de lá haver duas estátuas com dois leões, um deles sem cabeça.

Mas ainda assim não ficou em paz. Os remorsos eram mais do que muitos. Foi então pedir aos monges do Mosteiro de Castro de Avelãs (freguesia do concelho e distrito de Bragança) que lhe dissessem qual o castigo que deveria receber para obter o perdão por ter morto a própria mãe. Eles apenas lhe disseram para que construisse um túmulo e criasse uma serpente para que esta o devorasse também. E ele assim o fez! Criou uma serpente e sepultou-se com ela no túmulo.

Entretanto no decorrer destas andanças e quando o conde já estava no seu túmulo de morte, travou-se uma batalha na Serra da Nogueira, entre cristãos e mouros, na qual foi morto o conde Redemiro. Ainda mal morto, logo Alcina sentiu-se livre e fugiu para o outro lado. Só que quando cá chegou, o conde já estava sufocado. A lenda dia que eles ainda trocaram umas breves palavras, em que Alcina lhe diz que se mantivera casta para ele.

* Depois disto, a serpente acabou por devorá-lo. E Alcina com o desgosto e os “ais” que deu, tombou junto ao túmulo dele, morrendo!

Diz o povo que os “ais” da Alcina eram tão grandes que se ouviam nas terras em redor. E uma dessas terras ficou com o nome de GRANDAIS, por via dos grandes ais que se ouviam.

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(Baseado em “A Mitologia dos Mouros: Lendas, Mitos e Serpentes”, by PARAFITA, Alexandre, Edições Galivro, ano de 2006, páginas 218 a 220)

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Pesquisa e adaptação de

TEIXEIRA DA SILVA, AJ

Gondomar, Porto, Portugal

1 Comment

  1. Muito boa tarde.

    Qual era a família que penitencia o Conde, qual era o seu nome?

    Muito obrigado.

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