TEIXEIRA DA SILVA *
Esta é uma história de mouros. Passu-se no tempo em que os mouros andavam à cata dos cristãos. Assim, um mouro havia apanhado um cristão e trazia-o a arar o campo com um burro. À noite, metia-o dentro de uma arca, dormindo o mouro em cima da mesma. O coitado do cristão estava algemado de pés e mãos e o mouro munido de uma espada.
No sítio do Nazo ainda lá se encontram as algemas. Na capela estão os ferros que prendiam os pés e as mãos. Localmente há quem faça fé de que esta história é verdadeira e não lendária.
O cristão rezava imenso a Nossa Senhora, rogando-Lhe que o livrasse das mãos do mouro, pois sofria muito ao andar a lavrar com a besta. Estava também sujeito aos maus tratos inflingidos.
Certa noite, sem saber o motivo, o mouro acordou ao som dos sinos. É conveniente lembrar que na mourama não existiam sinos, pois também não haviam igrejas. Acordando, disse para o cristão:
– ACORDA, CRISTÃO. NA TUA TERRA HÁ CENCERNAS (= SINOS)?
– CLARO QUE HÁ!
Depois de ouvir esta resposta o mouro vira-se para o cristão e logo diz:
– ATÉ AQUI FOSTE TU O MEU ESCRAVO. HOJE SEREI EU O TEU, PORQUE ESTAMOS NA TUA TERRA.
O cristão nas suas preces havia feito a promessa de construir um poço à Virgem de Nazo, tendo ele próprio ajudado à sua construção.
Certo é que esse nicho ainda lá se encontra em nossos dias.
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(Baseado in “Portuguese Folktales in North America”, by FONTES, Manuel da Costa, sem identificação de editora e sem data)
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Pesquisa e adaptação de
TEIXEIRA DA SILVA, AJ
Gondomar, Porto, Portugal

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