MINISTROS DA COMUNHÃO – VIVER O CRISTIANISMO

LUZ CANÁRIO

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Os leigos são convidados, ou oferecem-se, para cooperar com as suas Igrejas, de acordo com a sua vocação ou o seu gosto, segundo as exigências da mesma e do mundo de hoje.

Há caminhos para se viver a fé que nos merecem muito respeito e admiração, porque são difíceis e exigem muita preparação e “jogo de cintura”.

O Catequista tem de amar imenso as crianças, adolescentes e jovens; mais do que isso, tem de ter a capacidade de lhes fazer sentir que são muito amados por ele, tem de estar muito próximo, e ter pedagogia e sabedoria  para lhes fazer passar a mensagem do Amor de Jesus através do seu próprio amor. Até fazerem a primeira Comunhão não é muito difícil, porque os move e move muitos dos seus familiares a tradicional festa de família. A partir daí, ou o Catequista é um líder e um artista interessante, ou então fica muito abandonado. Mas há bons Catequistas, que até conseguem captar mais facilmente os adolescentes e jovens para a catequese do que os párocos conseguem para participarem nas Celebrações Eucarísticas.

Os Casais que hoje em dia preparam os noivos, que querem casar pela Igreja apenas porque é tradição (e os pais teriam um grande desgosto se assim não fosse), têm de ter uma mentalidade bastante aberta, e possuírem bastante cultura religiosa para saberem combater os argumentos que os noivos trazem para desvalorizar aquilo que a Igreja tem como sagrado.

Ninguém imagina o que estas pessoas, na sombra e gratuitamente, se esforçam e se sacrificam para Evangelizar.

Não alongando mais sobre outras formas de apostolado, menciono o de Ministros da Comunhão.

Os Ministros da  Comunhão têm de ser pessoas muito especiais, formadas e preparadas em valores muito sólidos e, sobretudo, que os fiéis lhe reconheçam dignidade para exercer esse ministério. Mas a maior parte de nós não os valoriza, e algumas pessoas  nem aceitam receber a comunhão das suas mãos. O Senhor Padre pode ter as “faltas” que tiver que nós damos-lhe sempre o poder de nos dar a comunhão. Um Ministro da Comunhão tem de ser imaculado para que lhe reconheçamos esse poder. Para nós, ele está ali, na Celebração, e não faz nada que mereça o nosso reconhecimento, a não ser despacharmo-nos mais depressa para casa!

Mas a opinião e o preconceito foram derrubado numa reunião, em que participei, e onde nos foi dado a conhecer o trabalho extraordinário de algumas Ministras da Comunhão. Penso que deve ser divulgado por isso mesmo.

Uma Católica, habitante de uma zona serrana, possuidora de meio de transporte que lhe permitia frequentar as Celebrações, numa das reuniões formativas, chamou a atenção do seu pároco para o abandono em que se encontravam várias pessoas pela serra fora: uns abandonados pelos familiares (que partiram para longe), outros afastados de vizinhos, mas todos eles abandonados pelo seu pastor.

– “Senhor Padre, porque é que não vamos fazer uma visita a todas essas pessoas, levamos  as Ministras da Comunhão, que não fazem falta aqui na Igreja, e começamos a levar a palavra de Deus a quem não pode vir até ao templo?”

A filha de uma dessas pessoas “abandonadas” testemunhou:

– “É extraordinário o trabalho que estão a fazer.”

O Senhor Padre foi sensível ao desafio daquela paroquiana, escolheu e convidou algumas Ministras, preparou outras, foi com elas às aldeias, apresentou-as às pessoas e familiares que estavam interessadas, e iniciaram o seu apostolado.

Está a superar tudo o que se imaginava. Andam em grupos de três por localidades. Têm hora marcada para serem recebidos e cumprem-na. Para sua própria segurança, só entram nas casas na presença de uma vizinha ou familiar. Cada uma entra na casa que lhe calhou a cantar os cânticos da Celebração. E, em linhas gerais, transmite a mensagem das leituras e do Evangelho, que o Sr. Padre preparou,  e depois dá a comunhão. Em  algumas casas fazem mais do que isso: à minha mãe, uma dá a sopa enquanto transmite a mensagem, porque é um “castigo” para ela comer; na vizinha de cima a outra Ministra dá uma “ajeitadela” à louça e à roupa porque ela vive com muitas limitações.

Com estes exemplos, já há outras pessoas das aldeias que se juntaram para ajudar os que têm mais dificuldades.

Admiramos muito o que estão a fazer, porque assumir o compromisso de dispor de 3 horas, todos os Domingos, para levar o Amor de Jesus aos outros, não é fácil.

Só são pagas pela alegria de viverem verdadeiramente o “Amai-vos uns aos outros como EU vos amei”.

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