HÉLIO BERNARDO LOPES *
Os dois mais recentes passos sofridos pelo caso Marquês vieram colocar o que vinha estando em causa num patamar completamente diferente daquele em que estava até aqui. Recordando as palavras de Mário Soares em Évora, sobre o (suposto) facto de nunca o caso ter sido tratado por um tribunal, desta vez – e já são duas – o caso mudou completamente de figura.
Além do mais, o recente acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa deitou por terra a doutrina a cuja luz, da atual detenção eram completamente desconhecidas as causas. E também o facto de que os tais indícios eram desconhecidos, uma vez que aquele tribunal garantiu que os mesmos eram completamente claros.
Cai assim por terra, e de um modo cabalíssimo, a teoria de que tudo não havia passado de mero arbítrio dos condutores da investigação em causa, bem como do juiz de instrução criminal. E sai completa e naturalmente vencedora a doutrina do académico Manuel da Costa Andrade, a cuja luz o Supremo Tribunal de Justiça é para tratar dos casos de quem está a exercer funções.
De tudo isto, porém, o que mais me causou admiração foram as mil e uma tentativas de torcer uma realidade que sempre foi evidente. E também as disfarçadas tentativas de abater o juiz Carlos Alexandre e o procurador Rosário Teixeira. Enfim, dois desaires repletos de significado e de muito grandes efeitos estratégicos no desenrolar do processo. Esperemos, pois, pelo final do mesmo. E já agora: que historieta será a do académico conimbricense gostar muito de andar de avião, brandida pelo causídico João Araújo?
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* Antigo professor e membro do Conselho Científico da Escola Superior da Polícia


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