O Grupo Recreativo e Cultural “Os Zés Pereiras”, de Oliveira do Conde, também este ano festejou o 1.º de Maio com um convívio comemorativo do Dia do Trabalhador, mantendo esta tradição popular como uma das suas principais actividades.
Como tem sido costume, esta “festa do trabalhador” foi assinalada com um almoço de confraternização, registando uma adesão bastante positiva, de 180 participantes, acima do habitual. Certamente que para isso contribuiu também a exposição comemorativa dos 25 anos das marchas populares organizadas pelos “Zés Pereiras”.
Constituída por fotografias que Aureliano Simões Fernandes, fotógrafo amador, captou, ininterruptamente, desde a primeira edição daquelas marchas, a exposição incluiu também dois gigantones do extinto Carnaval de Oliveira do Conde, então igualmente organizado pelos “Zés Pereiras”. O autor da exposição deu-lhe o sugestivo título «Recordar é Viver».
Disse Aureliano Fernandes a esta reportagem que nunca falhou, sempre acompanhou as marchas, desde 1990, ano em que foram criadas por José Manuel Reis, actual coordenador e ensaiador das mesmas, função retomada desde há cinco anos. “Se não fosse amante da fotografia, não havia este registo”, afirmou o fotógrafo.
Apresentando-se o dia chuvoso e tendo a exposição sido instalada ao ar livre, à entrada do salão onde o convívio decorreu, houve necessidade de montar uma tenda para abrigá-la da chuva. Foi também ali que as entradas da refeição foram servidas, dando ao mesmo tempo ocasião a que as pessoas fossem apreciando aquele valioso registo fotográfico. O grupo popular “Caldo e Broa”, da própria povoação, animou o ambiente.
Porco assado no espeto, acompanhado por arroz de feijão e salada de alface, foi o prato principal da refeição, complementada com sobremesa de doçaria diversa e salada de fruta. Entre as individualidades convidadas, contavam-se Jorge Gomes, presidente da Assembleia Municipal de Carregal do Sal, Atílio Nunes, anterior presidente da Câmara Municipal, Elsa Figueiredo, presidente da direcção da Delegação da Cruz Vermelha de Oliveira do Conde, e José Castanheira, presidente da direcção da Associação Recreativa e Cultural de Alvarelhos, tomando lugar na mesa de honra. Também a Sociedade de Educação e Recreio de Oliveira do Conde, a Associação do Rancho Infantil Cravos e Rosas de Vila Meã e a Associação Para o Progresso de Travanca de São Tomé estiveram representadas.
Em momento dos habituais discursos, José Vasco, presidente da direcção do grupo “Zés Pereiras”, agradeceu as presenças e lamentou a ausência de representação da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia, referindo, no entanto, que lhe foi dado conhecimento por parte destas autarquias que não poderiam estar representadas. Agradeceu também a colaboração de Aureliano Fernandes na comemoração dos 25 anos das marchas e o trabalho de José Manuel Reis como ensaiador, prestando-lhe reconhecimento pelos “esforços incansáveis” na organização das mesmas. Dirigiu ainda agradecimentos aos antigos directores, ao pessoal da cozinha e a toda a gente que ajuda nas marchas e no próprio grupo. “Sem vocês nada disto era possível”, frisou. Terminou com o pedido a todos para ajudarem nas tradicionais festas do Buçaquito, a realizar nos dias 14, 15 e 16 do corrente mês de Maio.
Convidado a usar da palavra, Atílio Nunes começou por pedir palmas para José Matias, um dos fundadores do grupo, recentemente falecido. Expressou depois a sua alegria por estar presente, sublinhando que se trata de uma festa a que não pode faltar. Ao agradecer o convite, incentivou: “Isto não pode parar, não falte força a esta gente!”.
Orador seguinte, Jorge Gomes deu os parabéns aos “Zés Pereiras” por manterem as marchas durante tanto tempo, elogiou a exposição e o almoço, felicitou a direcção por proporcionar “bons momentos de convívio como este” e deu os parabéns a todos os envolvidos na organização do convívio. Referiu depois que “é extremamente positivo comemorar os 25 anos das marchas no dia do trabalhador”, numa alusão ao muito trabalho que as mesmas envolvem, e terminou com os parabéns e o incentivo para que mantenham as marchas e a festa do Buçaquito.
“25 anos não é uma data qualquer”, começou por dizer José Vasco ao voltar a usar da palavra, para encerramento dos discursos. Apesar de notar a falta de marchantes, manifestou confiança de que haverá marchas por mais outros 25 anos. Por fim, deu a saber que este ano haverá três dias de desfile, portanto um a mais que nas habituais noites de São João e São Pedro. Previsto para a noite de 27 de Junho, esse desfile será feito por uma marcha composta por 25 pares de dançarinos, exibindo trajes diferentes, respeitantes à marcha de cada um dos 25 anos comemorados. Nesse desfile participarão também as marchas de Santa Clara e da Barqueira, ambas de Coimbra, convidadas a juntarem-se à comemoração dos 25 anos de marchas em Oliveira do Conde.
O habitual sorteio da “festa do trabalhador” contemplou dez premiados, cabendo um borrego a cada um dos dois primeiros prémios e um queijo ao terceiro premiado. Os restantes premiados tiveram direito a um candeeiro (4.º), duas garrafas de vinho e uma chouriça (5.º), uma garrafa de vinho do Porto (6.º), uma t-shirt (7.º), e surpresa para os três últimos prémios.
As atenções viram-se agora para a festa do Buçaquito da Azenha, a iniciar na quinta-feira da Ascensão (14 de Maio), dia em que a tasquinha (febras, frango de churrasco, peixe frito, caldo verde) abrirá às 14h00 e a animação nocturna começará às 21h00, com o Grupo de Cantares Tradicionais “O Torreão”, do Centro Cultural de Currelos, e o Grupo de Cavaquinhos da Associação Cravos e Rosas de Vila Meã. Nos dias seguintes actuarão, a partir das 22h00, o grupo musical Oxygenius (sexta-feira) e o grupo musical Paulo Dias (sábado).
Lino Dias

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