Não à poluição química da Borgstena!

ANTÓNIO ABRANTES  *

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O caso da Borgstena, em Nelas, é o caso típico de alguém que quer ter lucros, bons lucros, à custa dos agricultores, pequenas parcelas agrícolas, muitas delas com hortas de subsistência, de muitas centenas ou milhares de pessoas que estão na bacia hidrográfica da Ribeira de Travassos, que inclui os campos férteis de Beijós mas que prossegue para o Rio Dão, onde desagua, a própria barragem da Aguieira, o Rio Mondego, até ao mar.

A poluição química provocada pela Borgstena é um crime de lesa propriedade mas é, também, um crime de saúde pública, contra os mais elementares direitos de milhares de pessoas em toda a bacia hidrográfica, e de defesa da qualidade da água até aqui excelente, da Ribeira de Beijós.

Os postos de trabalho da Borgstena não têm que ficar em causa. Aliás eles só terão futuro, as pessoas que lá trabalham só se podem sentir minimamente seguras, se a empresa fizer os investimentos que tem de fazer para deixar de poluir os cursos de água públicos.

E enquanto não for construída uma solução definitiva para os seus efluentes, estes têm que ser levados para estações de tratamento, noutros locais, que as há. Custa dinheiro? Pois custa. Mas tem que ser a empresa a assumir esses custos e não os milhares de utilizadores da água pública das ribeiras e rios.

Os autarcas dos municípios de Nelas, de Carregal do Sal e Santa Comba Dão não podem ficar de braços cruzados à “espera que a tempestade passe”. Também eles são responsáveis. Não é contemporizar com este desmando que defendem os interesses dos seus munícipes, mesmo que sejam trabalhadores destas empresas poluentes.

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* Economista, professor aposentado do IPV

1 Comment

  1. Completamente de acordo, Senhor Doutor. Infelizmente a experiência diz-nos que é mais fácil acabar com uma empresa mesmo que seja lucrativa, do que fazer investimentos que reduzam os fortes lucros, pois estes são o único objetivo! Os pequenos agricultores não possuem quem os defenda, sendo eles sózinhos as principais vítimas da inércia de algumas das nossas autarquias.

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