ANTÓNIO ABRANTES *
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«Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra, que nos sustenta e governa e produz variados frutos com flores coloridas e verduras».
“Esta irmã clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos a pensar que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la.”
Ver, na net, “CARTA ENCÍCLICA LAUDATO SI’ DO SANTO PADRE FRANCISCO SOBRE O CUIDADO DA CASA COMUM”, de que faço aqui citações dos primeiros parágrafos.
Também aqui, neste rincão da Beira Alta, nesta pequena parcela da nossa “boa mãe que nos acolhe nos braços”, há pessoas que abusam “dos bens que Deus” aqui colocou.
A poluição química que a empresa Borgstena tem lançado para a Ribeira de Beijós e, por essa via, nas bacias hidrográficas do Dão e do Mondego, é um exemplo gritante do “abuso” e do “saque” bem denunciados pelo Papa Francisco nesta grandiosa Encíclica publicada este mês de junho pelo Vaticano e que devemos ler com atenção.
É verdade, alguns pensam que são “proprietários”, não só dos portões da sua casa para dentro, mas das ribeiras, dos rios, das várzeas que os circundam. Acham-se donos de tudo isso (está na moda, alguns acharem-se donos de tudo), podendo aí deitar o lixo que lhes sobra, lançar os efluentes tóxicos que produzem.
Para essas pessoas e empresas as ribeiras, rios e prados, tudo pertence ao seu domínio e desse domínio pensam poder fazer o que bem entendem.
A defesa da qualidade da água, quer da água superficial (ribeiras, rios e lagos) quer da água subterrânea é, hoje e sempre, uma questão crucial.
Além disso, verifica-se uma evidente e crescente escassez deste recurso, com diminuição dos caudais naturais, o que leva organismos internacionais e nacionais a aconselhar tecnologias mais poupadoras do precioso liquido.
Qual o futuro de empresas como a Borgstena que, além de não tratarem devidamente os seus efluentes confessam que, segundo o Presidente de Câmara de Nelas, podiam usar tecnologias mais modernas e poupadoras de água (essa empresa gasta cerca de 500 000 litros de água por dia. Leram bem?).
Impõe-se, por isso, dar continuidade a este combate, também denunciado pelo Papa, em defesa “da nossa boa mãe”, “da nossa boa irmã”, da nossa “casa comum” que nos dá os bons frutos, as flores, as ribeiras por onde circula a água que nos devia “vivificar” e “restaurar” (palavras do Papa) se fosse limpa como fora e pode continuar a ser.
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* Economista, professor aposentado do IPV


O mais triste na maioria dos empresários, sem particularizar ninguém, é que só pensam no lucro e não têm NENHUM RESPEITO NEM NENHUM AMOR PELOS FILHOS E NETOS. Receberam dos seus antepassados uma mãe terra com qualidade, mas já deficitária desse bem maravilhoso e imprescindível, mas com tanta ganância e burrice vão deixar doenças e morte aos seus descendentes. Grande herança, grandes pais e avós! Só por aí se vê o nível destas pessoas. Muito dinheiro, mas nada de valores e educação.
Sr. António Abrantes, gosto demais de vossas considerações, muito valiosas.As belíssimas poesias que nos escreveram nossa gente na época em que não havia destes maus tratos com a nossa terra mereciam mais consideração.Eugénio de Castro nos descreveu a beleza desta região e esperamos que esta, bem respeitada nos traga mais belas poesias de novas mentes no futuro bem próximo possível