Farol da Nossa Terra – Colecção arqueológica do Museu Municipal de Carregal do Sal enriquecida com a oferta de um marco miliário anepígrafo
segunda-feira, 24 abril 2017

Património — Quinta-feira, 16 Julho 2015 — 0 Comentários

Colecção arqueológica do Museu Municipal de Carregal do Sal enriquecida com a oferta de um marco miliário anepígrafo

3 - Marco miliário.JPGO Museu Municipal de Carregal do Sal viu a sua colecção arqueológica enriquecida com a oferta de um marco miliário que Augusto Vaz Serra possuía no interior do átrio da sua residência, em Vila da Cal, concelho de Carregal do Sal, e que tinha sido recolhido pelo seu avô, José Antunes Vaz Serra, nos anos de 1930-1932, próximo do lugar de S. Sebastião, aquando do arranjo da antiga via, que ajudou a financiar, depois transformada na actual estrada que atravessa o Rio Mondego.

Desloquei-me, a pedido do Eng.º Augusto Vaz Serra, à sua residência, verificando então que não existiam dúvidas de que se tratava de um miliário anepígrafo da época romana, razoavelmente conservado, e tudo leva a crer que tenha estado posicionado junto à antiga via, possível antigo traçado romano, que seguia para o rio Mondego”, informou o arqueólogo Evaristo Pinto, director do museu.

Esculpido em granito de grão grosseiro, bem afeiçoado, com cerca de 1m de altura e 45cm de diâmetro, o marco não apresenta qualquer tipo de inscrição. Refere o arqueólogo que, apesar de “não apresentar campo epigráfico”, trata-se de um “valioso documento histórico para o estudo das antigas vias romanas no território do município” e de um testemunho “de indiscutível valor patrimonial”. Como tal, encontra-se em exposição permanente no museu.

Evaristo Pinto considera pertinente salientar uma possível ligação deste miliário à recente descoberta dos antigos vestígios da ponte romana, no lugar das Barcas, no rio Mondego, localizada a cerca de 250 metros para sul do sítio arqueológico do Vale do Rio e da quinta das Barcas e enquadrada, a norte, com as povoações de Vila Meã, Albergaria, Oliveira do Conde e Azenha, em cujas povoações se confirma a existência de marcos miliários, alguns deles posicionados no possível antigo troço romano que passava por Currelos e Oliveira do Conde, bifurcando-se para Azenha e seguindo depois para Póvoa de Midões.

Conforme esclarece o director do museu, os miliários (miliarium) eram colunas em pedra de altura variável, com ou sem inscrição, colocadas ao longo das estradas do Império Romano para marcar as distâncias em milhas. Os que continham inscrição mencionavam o nome do imperador ou governador de província, ou a distância da cidade (civitas) mais próxima.

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Lino Dias

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