LENDA DOS ANIMAIS COM LUZES NOS GALHOS (CHIFRES OU CORNOS) – CINFÃES

TEIXEIRA DA SILVA *

Teixeira da Silva.JPG. 

Esta vai com uma dedicatória muito especial para o amigo Laurentino Alves Pinto, um cinfanense dos sete costados, esperando que acrescente algo mais à “estória”.

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Está junto dum regato, que tem por nome Conchada e que lhe banha as fraldas, um monte cercado por um socalco no cume. Os mais antigos dizem que lá existiu um Castelo dos Mouros. O cume desse monte chama-se hoje, precisamente, “Castelo de S. Paio”, embora este Paio pareça uma palavra estropiada, mas é como diz o nosso povo. Existem por lá umas pedras em montões, mas de tamanho pequeno, que contam ser as ruínas do dito castelo. Tanto as pedras em montões, como as do socalco não são lavradas. Diz a tradição local que ali estiveram os mouros e defronte os cristãos numa pequena planície – hoje com a denominação de Chãos – para batalharem no dia seguinte.

Os cristãos eram poucos e temiam ser derrotados, mas tiveram a feliz ideia de, à noite, arranjarem pequenos molhos de colmo que postos um pouco distantes uns dos outros, e andando os cristãos com luzes no seu meio, pareciam homens à vista dos mouros, pelo que estes, julgando estarem na presença de um grande exército, fugiram nessa mesma noite.

Perto de Chãos, a uma distância de meio quilómetro, há um campo que ainda mantem algumas pias das muitas que dantes haviam. Dizem que eram as sepulturas dos mouros (!) Essas pias eram feitas de uma só pedra. A parte da pia onde devia ficar a cabeça do cadáver está voltada para poente. Mais uma vez, os habitantes mais antigos, arranjaram um nome, que é o “campo dos Momentos”, talvez uma corruptela de monumentos.

Parte do monte de S. Paio foi arruinado por um homem que se quis aproveitar da pedra; daí que só o cume manteve o nome de “Castelo de S. Paio, passando o resto a ser designado por Cabriz.  

A lenda termina dizendo que por ali fica uma mina defendida por um preto que é de ferro e de engonços, matando todos os que lá forem. Verdade é que já lá aconteceram escavações, mas que são interrompidas  por via do medo em serem mortos.

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(Baseado in “Contos Populares e Lendas, tomo II”, by VASCONCELLOS, J. Leite de, por ordem da universidade de Coimbra, ano de 1966, página 624)

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Pesquisa e adaptação de

TEIXEIRA DA SILVA, AJ

Gondomar, Porto, Portugal

1 Comment

  1. Boa noite. Meus avós, habitantes de Vilar do Peso, sempre contavam esta lenda, mas diziam que o colmo estava atado aos cornos de cabras.
    Obrigada.

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