Travanca de São Tomé reviveu a tradição da desfolhada à moda antiga

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O Rancho Folclórico Flores da Beira de Travanca de São Tomé, aldeia do concelho de Carregal do Sal, realizou a sua quinta edição da desfolhada à moda antiga na noite de sábado, 19 de Setembro, relembrando aos mais velhos e mostrando aos mais novos esta arreigada tradição das lides rurais.

Como tem sido costume, a iniciativa foi abrilhantada com animação folclórica, tendo desta vez sido convidado o Rancho Folclórico “Os Alegres” de Treixedo a juntar-se a esta bonita e louvável iniciativa. Depois da concentração junto à Associação Para o Progresso de Travanca de São Tomé, os dois ranchos partiram dali em desfile etnográfico até à Laje Grande, também conhecida por Laje da Carreirinha, superfície plana de uma rocha de grandes dimensões, verdadeira preciosidade patrimonial da aldeia e de invulgar tipologia urbana.

Este ano, além do carro de burra com os milheiros para a desfolhada, também uma charrete de cavalo seguiu no desfile, conduzida pelo seu proprietário, Carlos Rolo, transportando os elementos que recreavam antigos e abastados donos dos campos de cultivo do milho.

À chegada à laje, os dois ranchos apresentaram-se ao público, seguindo-se a saudação e agradecimentos por parte do grupo anfitrião, a colocação das fitas nos estandartes e a entrega de lembranças alusivas ao evento. Ainda antes da desfolhada, os ranchos fizeram a sua actuação folclórica, que decorreu bastante agradável, merecedora dos calorosos e sucessivos aplausos da numerosa assistência.

Terminada a actuação dos ranchos, o carro com os milheiros avançou para o centro da laje, onde foram descarregados em monte, que imediatamente foi cercado por dançarinos e populares para descamisarem as espigas, numa recriação do espírito de entreajuda que estes trabalhos rurais envolviam e também dos usos e costumes de outros tempos, em que o aparecimento da espiga vermelha (milho-rei) dava direito ao sortudo de beijar ou abraçar a namorada ou quem ele quisesse. Assim aconteceu ali, com a disputa da primeira espiga vermelha a dar ainda mais entusiasmo à concretização dessa tradição… E caras bonitas para beijar era o que não faltava lá!

Seguiram-se, em ambiente de participativa e alegre animação, outras fases de preparação do milho, designadamente, a malhada, a medida do mesmo ao alqueire e a sua recolha em sacos de ráfia. Na malhada das espigas também mulheres rivalizaram com os homens no maneio dos manguais, num atrevimento de apreciado divertimento.

Por fim, todos foram convidados a partilhar da abastada e apetitosa degustação gastronómica, recordando os tempos em que o patrão dava a merenda aos trabalhadores com a toalha estendida na laje.

No geral, os organizadores da iniciativa bem se podem sentir satisfeitos e felizes como tudo correu, deixando ali o seu rancho um bom retrato dos usos e costumes que se propõe reavivar e preservar.

Lino Dias

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