Os Refugiados

LUZ CANÁRIO

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Tenho lido nas redes sociais e ouvido em cafés, cabeleireiro, e outros locais, comentários sobre os Refugiados que me espantam, metem medo e envergonham. Fico ainda mais “atordoada” quando os comentários são feitos por pessoas muito jovens e por pessoas que estão emigradas ou que são retornadas das ex-colónias.

O que as pessoas inventam!… Até onde vai a sua xenofobia!

Há milhares de portugueses que nunca passariam de uma pobreza e ignorância profundas se não tivessem sido acolhidas por outros países, não tivessem aprendido as suas línguas, costumes, leis; se não tivessem tido a oportunidade de ter um trabalho e progredir nele; se não tivessem oportunidade de educar os seus filhos e dar-lhes um futuro muito melhor.

O nosso país não estava nem está em guerra, mas é um país onde são dadas muito mais oportunidades para se ser pobre e ignorante do que para se viver com algum nível de vida.

Quem é que já esqueceu o que os Retornados passaram e sofreram quando foram corridos das ex-colónias? Além de terem perdido todos os seus haveres, das famílias ficarem todas retalhadas, ainda eram mal recebidos pelas pessoas do “continente”. Eles vinham tirar-lhes os empregos, ocupar-lhes as casas, etc.

Aqueles Refugiados estão a fugir da guerra, da morte, da miséria, do desmoronar de tudo. Vendem o que têm para comprar as viagens, e muitos largam os empregos, os cursos, os diplomas e vêm à procura de paz, de solidariedade, de vida e, se possível, de trabalho, até os seus países entrarem novamente em paz. Uma paz que pode demorar décadas a ser obtida, porque por trás destes infelizes estão interesses poderosos de grandes potências.

No meio dos Refugiados podem vir criminosos. Pois podem! Mas será que todos os portugueses que vivem em Portugal ou estão emigrados são honestos, bons cidadãos e bons cristãos?

Quem ouve diariamente as notícias sabe que não faltam, cá, lá ou pelo caminho, cidadãos portugueses corruptos, ladrões e assassinos das mais diversas classes e dentro das várias religiões.

Felizmente que estão a surgir muitos portugueses profundamente sensibilizados com esta tragédia, que se põem e põem a sua família no lugar dos Refugiados, e estão a tomar medidas para que seu sofrimento seja minimizado!

Felizmente que estão a surgir dezenas de Autarcas que se dispõem a receber e a apoiar algumas famílias de acordo com as possibilidades da sua Autarquia!

São sempre atitudes destas que nos fazem ter orgulho de sermos portugueses.

Já assim foi o grande Cônsul Aristides de Sousa Mendes, que enviou para Portugal milhares de Refugiados. Estes foram acolhidos, escondidos e apoiados  por tantos vizinhos e antepassados nossos. Muitos partiram para outros países, outros ainda vivem cá, mas todos falam da nossa solidariedade.

Tomemos a atitude mais correcta. Ninguém é obrigado a fazer nada, mas pelo menos que não difamemos, que não julguemos sem conhecer, não marginalizemos, sobretudo os que se dizem católicos, que vão à missa todos os Domingos e que batem com a mão no peito! Que nunca digam “por minha culpa, minha culpa, aquele refugiado foi mal olhado ou mal acolhido no meu meio”!

2 Comments

  1. Caríssima Luz Canário

    Gostei de a ler e só escrevo agora por nos ter dito que iria escrever sobre o tema doloroso e revoltante dos refugiados. E tem toda a razão em quanto agora escreve. Pior do que tudo, é sabermos que estas pessoas fogem de zonas de guerra criadas pelos Estados Unidos e apoiadas pelos maiores Estados da União Europeia, ou provêm do continente africano, que foi deixado na pobreza, na miséria e no subdesenvolvimento pela generalidade dos antigos países colonizadores. E o que isto já indicia sobre o que aí vem…
    Deixo-a, pois, com um grande abraço de amizade e consideração, pedindo-lhe que escreva mais. Um abraço.

    Hélio Bernardo Lopes

  2. Obrigada, Professor Hélio, pelas suas palavras. Deixei de escrever pelos motivos que sabe e também porque comecei a lê-lo com bastante interesse. Eu nunca tive cultura politica nem grande paciência para esses assuntos. O meu marido devora todas as notícias e todos os debates. Mas gosto de estar minimamente informada, apesar de me fazer muito mal o que vou sabendo do mundo. É assustador ver como a humanidade se humaniza tão pouco, e aprende tão pouco, também, com as grandes tragédias que tem provocado. As injustiças espicaçam-me e obrigam-me a alguma intervenção. Quando quero estar informada sobre algum assunto politico procuro os seus artigos. Escreve-os de uma maneira sucinta, esclarecedora, já estão descodificados e dá a sua opinião com que me identifico. Desde que o comecei a ler que deixei essa área toda para si porque consigo aprendo! Mas, claro que posso dar a minha opinião sobre outros assuntos que me são familiares, e sobre os quais tenho alguns conhecimentos ou experiência. Já tenho outro artigo quase concluído e que também provoca algum desconforto! Um abraço

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