O DIA MAIS PORTUGUÊS DO MUNDO

HELENA ROMÃO

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Não. Desta vez não foi o défice, o rating, a austeridade, nem tampouco as sansões. Desta vez foi uma vitória sobre os melhores da Europa, no futebol, com ecos numa série de modalidades, do atletismo ao ciclismo.

Mas, o mais interessante foi a mobilização geral, global, por todos os cantos do mundo onde se fala a língua lusa. Em comum: todos acreditavam que era possível. Este contágio emocional tornou-se um fenómeno que decerto virá a produzir estudos científicos e teses. Foi igualitário, interclassista, portuguesmente universal e ninguém ficou de fora: povo, elites e políticos. Os próprios franceses dizem hoje que o país de Cristiano Ronaldo não voltará a ser o mesmo. Esta é uma questão curiosa porque, desta vez, não houve euforias, nem prognósticos otimistas. Desta vez houve realismo, sensatez e preparação. Talvez também aquele tiquinho de sorte que faltou das outras vezes e lá nos desenrascámos depois da saída de Ronaldo. Mas o desenrascanço, vimo-lo, só serve o que foi bem preparado.Dia mais portugues.JPG

Ontem foi o dia de uma geração que muito admiro. Admiro-os porque cada vez têm maior consciência do mundo, estudam, trabalham à exaustão e querem resultados. Sabem que não basta fazer coisas bonitas e serem talentosos sem resultados.

Hoje em dia, os nossos atletas e, neste caso, os futebolistas, estudam, falam bem, são educados e revelam inteligência e maturidade intelectual e emocional.

Há coisas importantíssimas a serem feitas por jovens cientistas portugueses e portuguesas. Se estes rapazes vão trazer 27 milhões de euros para a FPF, os nossos jovens cientistas ganharam 10 milhões de euros em prémios. E todos os contributos são poucos para que a economia cresça.

Também na área das tecnologias começamos a dar passos significativos. Dizia, no início deste ano, Sara Ribeiro no Jornal de Negócios que “o ranking global das 500 tecnológicas com maior crescimento elaborado pela Deloitte conta com o nome de cinco empresas portuguesas. A Wdmi entrou diretamente para o 18º lugar”.

Pode ser também que este valor, assim exposto, alerte as consciências dos líderes europeus para o facto de haver várias formas de crescimento, de trabalho e de valor.

E, se é boa esta contemporaneidade, boas são também as memórias de momentos-chave da nossa História em que também nos superámos: conquistámos um território com a intenção deliberada de sermos país, quisemos a língua de Camões, passámos mares e temores, batemo-nos contra exércitos desmesurados, reerguemo-nos do maior terramoto que alguma vez ocorreu na Europa e não nos deixámos incorporar no sonho napoleónico. Fizemos revoluções sem guerra e a paz entre povos, espalhámos uma língua e também perdemos oportunidades, quando não acreditámos. Ontem foi diferente. O país chorou com a queda do guerreiro mas ele, como nas antigas batalhas passou o estandarte e a vontade e nunca desistiu. E o país reergueu-se e lutou.

É importante, agora, que os políticos vejam o que são e como são as lideranças mobilizadoras e motivadoras. Desta história, esperemos que fique, para memória futura, que foi a vitória do trabalho de equipa dita pelos Amor Electro no lema “Juntos somos mais fortes”.

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Ilustração – Vitórias lusas do 10 de julho

Fonte: https://www.facebook.com/RadioComercial/?rc=p

1 Comment

  1. Dra Helena Romão, é sempre um prazer enorme ler os seus artigos. E este está fantástico por tudo o que nos faz reviver da nossa história passada e recente. Obrigada pela partilha que faz do seu conhecimento e pelo entusiasmo que deixa nos seus leitores.
    Um abraço e BOM ANO

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