Carregal do Sal recebeu primeira conferência da sexta edição do projecto “Empreendedorismo nas Escolas de Viseu Dão Lafões”

No âmbito da sexta edição do projecto “Empreendedorismo nas Escolas de Viseu Dão Lafões”, a Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões (CIMVDL) está a promover, pelo segundo consecutivo, mais um ciclo de “Conferências Teen” nos 14 municípios lhe estão associados, a decorrer de 10 e 17 de Fevereiro.

Coube ao concelho de Carregal do Sal receber a primeira conferência, realizada na tarde de sexta-feira, dia 10, no auditório do Centro Cultural, dirigida a alunos do ensino secundário e profissional do Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal (AECS), para contacto dos mesmos com jovens empreendedores e conhecer as suas histórias e experiências.

Este ciclo de conferências conta sempre a participação de Marta Baeta, uma jovem do Barreiro, fundadora do projecto “From Kibera With Love”, e de um jovem empreendedor local. Neste caso, foi convidado Ricardo Sousa, ex-aluno do AECS, consultor apaixonado por educação, com anos de experiência no mundo web e de startups, fundador da ColorElephant, IMG_0003.JPGempresa de fornecimento de soluções criativas.

Antes das intervenções daqueles jovens empreendedores, José Sousa Batista, vice-presidente da Câmara Municipal, deu as boas-vindas e fez votos de que os alunos colhessem utilidade da sua presença na conferência, salientando que o município de Carregal do Sal, “desde a primeira hora”, se envolveu, “de cabeça, tronco e membros”, no projecto “Empreendedorismo nas Escolas de Viseu Dão Lafões”.

Primeiro palestrante, Ricardo Sousa fez um discurso motivador, referindo que nasceu em Carregal do Sal e não em Lisboa ou Porto e que ter nascido onde nasceu não lhe trouxe qualquer problema para fazer uma coisa diferente de todos os outros nos seus 24 anos de idade. Frisou que o importante é saber-se escolher, optar, apostar, confiar e IMG_0007.JPGconhecer outras realidades, por exemplo Lisboa ou Porto. Afirmou: «Se não saírem daqui, menos acesso têm aos conhecimentos». Acrescentou: «Se não têm dez euros para uma viagem, se calhar, é porque os gastaram noutras opções, mas depois não se podem queixar que não têm condições para fazer aquilo que outros conseguem!». No entanto, sublinhou que o acesso às novas tecnologias permite um conhecimento do mundo, através da internet, bastando ter noção das ferramentas que se podem aproveitar e procurar saber como passar as ideias à prática. Salientou também que é importante os jovens perceberem cedo o que mais gostam de fazer e que seja mais produtivo, não perder as oportunidades, sem preocupação se dá muito trabalho. Concluiu: «Se não experimentarem não ganham experiência de escolha; têm de tentar arriscar; devem aproveitar as ferramentas que vos estão a dar!».

Por sua vez, Marta Baeta contou como se envolveu no voluntariado, criando o “Bazar da Marta” no café de seu pai, no Barreiro, para angariar fundos com que pudesse concretizar o sonho de ser voluntária noutro país, junto de crianças e jovens IMG_0010.JPGcarenciados. Começou por fazer voluntariado com animais, sem abrigo, pessoas com deficiência, e deu explicações a crianças de bairros problemáticos, mas sempre sonhou com voluntariado em África. Depois de frequentar alguns cursos de voluntariado internacional e de fazer parte de grupos de voluntariado, optou por Kibera (Quénia), a maior favela de Nairobi, onde desenvolve o projecto “From Kibera with Love”, que tem como objectivo garantir a educação e uma refeição por dia a dezenas de crianças. Acima de tudo, queria mostrar a condição em que aquelas pessoas sobreviviam, pois achava que só o voluntariado poderia mudar ali alguma coisa. Enumerou as diferenças culturais, de idioma, de clima e a saudade como dificuldades no processo em que, no seu caso particular, o dinheiro não era o que a movia, mas sim o empreendedorismo social. Frisou: «Aceito as diferenças entre pessoas, entre culturas, e ligo menos aos bens materiais. Sou muito grata por tudo o que tenho na vida e por ter tido a sorte de ter nascido no outro lado do mundo e não lá».

O projecto de Marta Baeta na favela de Kibera cresceu, criando até, em 2013, uma escola com 16 meninos. Graças a uma rede de padrinhos que também criou, tem já ao seu cuidado mais de 60 crianças felizes, ao possibilitar-lhes cuidados de saúde, nutrição, higiene e educação, ou seja, como salientou, ajudou crianças a viver uma oportunidade de vida que não teriam sem este seu projecto. A venda de artesanato, feito pelos pais das crianças ou por outras pessoas da Kibera, com materiais comprados pela Marta, é outra forma de ajudar a sustentar o projecto. O apadrinhamento de crianças ainda se mantém, agora mais direccionado para a parte dos cuidados de saúde, assim como os pedidos de ajuda pontuais no facebook.

Após cada conferencista ter terminado a sua palestra, houve debate aberto aos alunos. O projecto de Marta Baeta levantou mais curiosidade aos alunos e até a professores, havendo mesmo uma professora interessada em saber como tornar-se madrinha de uma criança.

Lino Dias

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