DESCOBERTA SENSACIONAL!

HÉLIO BERNARDO LOPES *

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Na edição de ontem do PÚBLICO podia ler-se, numa local, logo na capa, que a fiscalização das secretas era feita com pré-aviso e de forma burocrática. E logo completava que havia sido um membro do Conselho de Fiscalização que admitira tal em tribunal. Desconhecendo, de facto, a realidade, facto é que nem por um segundo duvidei do valor de verdade da notícia.

No desenvolvimento da mesma referia-se que a referida informação consta no recurso do ex-director dos serviços de informação, Jorge Silva Carvalho, que cita  (um) membro do Conselho de Fiscalização que depôs no julgamento deste caso. Como se perceberá facilmente, custa-me acreditar que se possa noticiar tal sem o mesmo se suportar em factos reais.

Esta notícia, porém, trouxe-me ao pensamento uma entrevista antiga de José Alberto Carvalho, ainda na SIC, ao atual Provedor de Justiça, José Francisco de Faria Costa, ao tempo apenas professor da Faculdade de Direito da Univeersidade de Coimbra, e então indigitado para presidir à Comissão de Fiscalização dos Serviços de Informações, o que acabou por não vir a dar-se.

Um pouco nas aflitinhas, José Alberto Carvalho não percebia, e com razão, como se procederia para operar a respetiva fiscalização. Simplesmente, o entrevistado, lá em Coimbra, apercebeu-se dessa afliçãozinha, e foi ele mesmo que colocou a questão: quer dizer, não percebe como se opera a fiscalização? Em face da confirmação do entrevistador, o entrevistado respondeu lá de longe: repare, temos de basear-nos no princípio da boa-fé! Bom caro leitor, perdi-me a rir, assim continuando nessa noite, no café, já na companhia dos amigos da bica do pós-jantar.

De então para cá, e sobretudo agora, desde que Donald Trump venceu a eleição presidencial, foi possível perceber esta realidade simples: os serviços de informações são sempre um Estado dentro do Estado. De resto, isso é assim, de um modo geral, com as polícias, para o que basta recordar certo protesto de agentes da PSP, mesmo em frente da Assembleia da República, onde um dos guardas que protestava gritou que se eles quisessem parava tudo. Ou algo equivalente.

Muito para lá desta notícia do PÚBLICO, nós sabemos que as coisas são como ali se noticia. E é por ser assim que Donald Trump, com razão mas sem modos, apontou as vigarices da CIA contra si e a sua campanha. E foi interessante e significativo assistir ao modo palerma como os nossos jornalistas, analistas e comentares se mostraram escandalizados com as acusações à CIA de Donald Trump. A uma primeira vista, esses nossos concidadãos nunca imaginaram que a CIA pratica crimes ao dia-a-dia e de modo sistemático. Ou seja: esta notícia do PÚBLICO faz lembrar uma descoberta sensacional.

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 * Antigo professor e membro do Conselho Científico da Escola Superior da Polícia

3 Comments

  1. É preciso ler,para saber!E é o caso.Por vezes falam-se em (entrelinhas),assuntos que não dão para perceber,mas ,a realidade ,mais tarde ou mais cedo,vem confirmar o que ,por esta ,ou aquela fonte,e não só;fora interpretada !Ainda bem que há pessoas ,como o amigo,que antevê uma realidade,mesmo distante…Grande abraço,meu amigo.

  2. Caríssimo Adelino Borges

    Muito grato pelas suas palavras e um abraço para si, ainda maior.

    Hélio Bernardo Lopes

  3. Eu,gosto de repartir as coisas que a todos nos dizem respeito,e acho muito importante seguir as suas crónicas ,bem como reforçar-lhe a sua expansão….
    Grande abraço ,meu caro amigo.

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