Farol da Nossa Terra – António Leal e Sandra Leal apresentam “Aristides O Musical” no Centro Cultural de Carregal do Sal
sexta-feira, 28 julho 2017

Teatro — Quinta-feira, 9 Março 2017 — 1 Comentário

António Leal e Sandra Leal apresentam “Aristides O Musical” no Centro Cultural de Carregal do Sal

MUSICAL ARISTIDES.jpgA Contracanto Associação Cultural apresenta a sua nova produção “Aristides O Musical”, de Sandra Leal, no auditório do Centro Cultural de Carregal do Sal dias 7, 8, 9, 14, 15, 21, 22 e 23 de Abril.

Com encenação de António Leal, é interpretado pelos actores Manuela Maria, Ruben Madureira, José Lobo, Joana Leal, Carlos Martins, Sissi Martins, Hugo Baptista e os Contracantos

Informações e reservas pelos contactos:

Telefone 232960400;

Telemóvel 925100310.

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É por demais conhecido, na história dos dias portugueses, este tradicional costume de desmerecer o bom, o bonito, o glorioso e o maior, principalmente, quando ele, finalmente, é reconhecido.

Há uma teimosa inclinação para escarnar os podres, os desvios de caminho, as irregularidades do piso da estrada de alguém, quando ela – a estrada – desembocou num lugar maior em fama, reconhecimento, admiração e glória. Ou quando ele – esse alguém – se tornou merecedor – imagine-se só – de condecorações várias.

“É tudo muito bonito, mas a verdade é que consta que não era boa rês” e reparos do género são frequentes e esforçam-se arduamente por se fazer ouvir naqueles casos que se revelam de sucesso nos meandros da admiração de um país, dos povos e do mundo.

Assim é o caso de Aristides de Sousa Mendes. Como se não bastasse a homenagem tardia de um país, o reconhecimento atrasado de um povo e a justiça anacrónica de um sistema, eis que “depressa se apressa” o amargo das bocas. Perante a dimensão finalmente aumentada da personalidade, urge desmerecer o homem, desacreditar a alma, desprestigiar o gesto com vontades tristes de avivar outros contextos mais ou menos rigorosos, pseudo-documentados e ávidos de boca pequena.

Por circunstâncias relacionadas com a próxima produção que vou dirigir na Contracanto Associação Cultural e que estreará em Abril próximo (Aristides – O Musical), vi-me mergulhar mais a fundo na temática do Aristides, com a mesma seriedade com que mergulho nos mares que navego em outras produções.

Depois de muito ler – circulares, processos disciplinares, correspondência oficial, livros de ficção ou não, filmes de ficção ou não, documentários vários – tenho hoje uma opinião clara sobre Aristides. A minha opinião. Não é uma visão romântica iludida pelo gesto heróico. Não é uma visão socialmente conveniente, nem preocupada com regionalismos. Mas é uma visão pessoal. Minha. Despida de tendencionalismos duvidosos. Surda do amargo das bocas. Só minha. Formada a partir dos factos históricos, da documentação oficial consultada, mas também, formada a partir do homem que eu sou.

O “meu” Aristides de Sousa Mendes é um homem. Mortal como nós. Com defeitos, como nós. Com os tais desvios no caminho e as ditas irregularidades no piso da estrada que fez. Como nós.

Mas, o “meu” Aristides – aquele que eu decidi interpretar à luz dos factos comprovados e das minhas deduções daquilo que, na verdade, só o próprio poderia atestar – é excepcional numa qualidade humana que é rara e, diria mesmo, está sob ameaça de extinção: A Coragem.

Sim, a Coragem sobre a qual, um dia, Aristóteles disse:

“A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.”

Houve um momento, estou convicto, numa era domada pelo medo nazi na Europa e pelo medo da PVDE em Portugal, em que Aristides escolheu ser corajoso. E, por isso, milhares de vidas continuaram e continuam a ser… até hoje.

O “meu” Aristides é um homem excepcional, no sentido literal.

Os passos de coragem que deu naqueles dias de Junho de 1940 tornam todas as irregularidades do piso da estrada que ficou para trás ridiculamente insignificantes.

Aristides é hoje, acima de tudo, não o homem mortal que foi, mas o Gesto imortal que teve. Imortal, sim. No sentido literal também.

O amargo das bocas vem da certeza íntima de muitos homens mortais muito mais pequenos de que nunca conseguiriam ou conseguirão alcançar tamanha grandeza.

Porque desvios no caminho, todos temos.

Já Coragem…

António Leal

Encenador

Um Comentário

  1. Magda David diz:

    Boa tarde. Soube hoje pela sic que vão exibir o musical em Lisboa mas como resido mais na zona centro do pais, gostava de perguntar se vão fazer o musical em mais localidades do pais.

    Grata

    Magda David

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