Museu Natural da Electricidade acolhe exposição temporária dedicada à Linha da Beira Alta

IMG_0001.JPG

Situado na margem esquerda do rio Alva, no lugar do Poço Negro, próximo de Senhora do Desterro, povoação da freguesia de São Romão, concelho de Seia, e instalado no antigo edifício da Central Hidroeléctrica da Senhora do Desterro, o Museu Natural da Electricidade, resultante de uma parceria entre a Câmara Municipal de Seia e a EDP, inaugurado no dia 11 de Abril de 2011, assinalou o 6.º aniversário na passada terça-feira com a abertura de uma exposição temporária dedicada à linha ferroviária da Beira Alta, que no próximo mês de Agosto completa os 135 anos da sua inauguração.

Ocupando uma sala limitada à área onde anteriormente estavam um tanque de lavar roupa e o tanque que abastecia o primitivo circuito de descarga à terra e integrava o sistema de refrigeração das turbinas, a exposição apresenta uma variedade de objectos e imagens de índole ferroviária, a maioria proveniente do Museu Nacional Ferroviário e do arquivo fotográfico municipal da Figueira da Foz.

João Orlindo Marques, licenciado em História, director do Museu Natural da Electricidade desde a sua fundação, diz no livro «A Casa da Luz… Património Industrial da Senhora do Desterro, Serra da Estrela», de sua autoria, editado pela Câmara Municipal de Seia no âmbito das comemorações dos 100 anos da Empresa Hidroeléctrica da Serra da Estrela, hoje EDP (Energias de Portugal, sucessora da Electricidade de Portugal), que o espaço das exposições temporárias é um precioso auxiliar na prossecução da missão do museu e acrescenta interesse aos visitantes. De facto, sem esta exposição temporária, que o atraiu por ter sido ferroviário e por ter promovido uma exposição comemorativa dos 130 anos da Linha da Beira Alta, o autor destas linhas não estaria aqui a falar do Museu Natural da Electricidade e ainda nem se teria apercebido da sua riqueza e da enorme importância que exerce na divulgação de aspectos relacionados com o passado da produção de electricidade no sistema hidroeléctrico da Serra da Estrela.

Toda a envolvente de floresta luxuriante da Mata do Desterro, a 800 metros de altitude, inserida no Parque Natural da Serra da Estrela, a proximidade das dez capelas do Santuário de Nossa Senhora do Desterro, classificadas como conjunto de interesse público, e a paisagem deslumbrante que se percorre até ali chegar acrescem também interesse e desejo na deslocação de visita ao museu.

Chegado ao local por uma estrada que foi propriedade particular da Empresa Hidroeléctrica da Serra da Estrela e esteve sujeita a portagem, o visitante depara-se com um conjunto arquitectónico admirável, bem conservado, passando então frente à actual central hidroeléctrica (inaugurada em 1959) antes de atingir a entrada do museu. Ainda no exterior, é logo atraído por um conjunto de peças expostas a céu aberto e pelas duas enormes condutas que conduzem a água da Lagoa Comprida, a 12 km de distância, em acentuado declive, até à central hidroeléctrica.

A amabilidade e os conhecimentos das funcionárias que guiam as visitas em grupo ao museu distinguem logo um cuidado especial no atendimento aos visitantes. Após as primeiras informações acerca do museu e das suas funcionalidades, os visitantes são convidados a assistir a um documentário preliminar, em grande panorâmica de circuito fechado, que contextualiza a formação dos cursos de água, o projecto da central hidroeléctrica e todo o árduo trabalho no aproveitamento da água para a produção de electricidade. Sucedendo-se a sala dos grandes geradores, causa admiração a imponência de máquinas da antiga central, montadas de 1909 até 1934, já fora de uso, e que constituem o acervo museológico mais importante da exposição permanente do Museu. Toda a sua funcionalidade é explicada ao pormenor na visita, nalguns casos até simulada, o que vai aumentando a curiosidade dos visitantes.

Depois de visitada a colecção de outros objectos ligados à electricidade, passa-se ao piso superior e acede-se à sala de serviço educativo, que privilegia a participação de crianças e jovens, mas com experiências que também atraem a curiosidade dos adultos. Por fim, numa outra sala daquele piso, os visitantes são convidados a assistir a um documentário onde o duro trabalho braçal de homens que calcorreavam a serra por trilhos sinuosos, com sacos de cimento e de areia às costas, diz bem quanto esforço foi exigido para canalizar a água do alto da serra até ao destino pretendido, impressionando igualmente o arriscado trabalho de transporte e montagem dos postes e dos fios que haviam de conduzir a electricidade produzida. Uma bonita homenagem àqueles homens!

Se a paisagem é fascinante, se o local é aprazível, se o acervo museológico é admirável, também são impressionantes os dois documentários apresentados. Apetece repetir a visita e até recomendá-la a crianças, jovens e adultos! Se acontecer antes de 15 de Março de 2018, será ainda ocasião para apreciar a exposição dedicada à Linha da Beira, mas tendo em atenção que o museu encerra à segunda-feira.

Lino Dias

2 Comments

  1. Vou combinar com o Pedro Zúquete (Aveiro) e iremos marcar presença, sendo numa oportunidade para um abraço de amizade.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*